Estudo revela relações entre inflamação persistente e sintomas neuropsiquiátricos pós-covid-19
O estudo acompanhou 108 participantes por um período de dois anos após alta hospitalar
- Data: 04/03/2025 15:03
- Alterado: 04/03/2025 15:03
- Autor: Redação
- Fonte: Agência SP
Uma pesquisa conduzida no Brasil destacou conexões significativas entre a inflamação persistente e os desfechos neuropsiquiátricos de longo prazo em pacientes que enfrentaram quadros moderados a graves de Covid-19. Os achados, publicados na respeitada revista Brain, Behavior, and Immunity, evidenciam a relevância da investigação sobre as consequências da infecção pelo coronavírus.
O estudo avaliou o impacto de citocinas e quimiocinas — proteínas fundamentais para a regulação da resposta imunológica do organismo — nos sintomas relacionados à saúde mental. Um total de 108 indivíduos foi monitorado ao longo de dois anos após a alta hospitalar decorrente da Covid-19.
Os pesquisadores descobriram que a presença elevada de eotaxina, um biomarcador inflamatório associado à neurodegeneração, estava diretamente relacionada ao aumento dos sintomas depressivos. Além disso, o índice pró-inflamatório, que agrega diversos marcadores inflamatórios presentes no sangue dos participantes, foi crucial para a análise estatística realizada, permitindo uma compreensão mais clara das interações entre esses fatores e seu impacto no estado psiquiátrico e cognitivo dos pacientes.
A pesquisa também avaliou o fator de crescimento vascular endotelial (Vegf), identificando uma correlação com os níveis de ansiedade. Essa proteína desempenha um papel vital na formação e crescimento de vasos sanguíneos nos tecidos, indicando sua importância como conector em modelos analíticos propostos pelos pesquisadores.
O estudo foi liderado por Felipe Couto, estudante da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), e contou com a colaboração de Guilherme Roncete e Sophia Aguiar Monteiro Borges. A pesquisa foi realizada no Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (Cism), financiado pela Fapesp, sob a orientação dos médicos psiquiatras Euripedes Constantino Miguel e Rodolfo Furlan Damiano.
“Os resultados ressaltam a complexidade das interações inflamatórias e sugerem que esses biomarcadores podem se tornar ferramentas valiosas para diagnóstico e prognóstico da síndrome pós-Covid”, afirmou Couto.
Por meio de análises estatísticas avançadas, incluindo modelos aditivos generalizados e análises de rede psicológica, o estudo reforçou a hipótese do papel preponderante da inflamação na persistência dos sintomas neuropsiquiátricos após a infecção pelo coronavírus. Esses dados representam um avanço significativo na compreensão dessa condição debilitante.
Além disso, as conclusões do estudo abrem portas para futuras investigações com amostras maiores e grupos-controle adequados, visando aprofundar ainda mais o conhecimento sobre os efeitos duradouros da Covid-19 na saúde mental dos pacientes.