Após enchentes, Rio Grande do Sul enfrenta aumento de falências
A Vila Mariante, com uma rica história de 250 anos, sofreu enormes danos na infraestrutura devido às cheias
- Data: 28/02/2025 11:02
- Alterado: 28/02/2025 11:02
- Autor: Redação
- Fonte: G1
O estado do Rio Grande do Sul está vivenciando um aumento significativo no número de falências e pedidos de recuperação judicial, resultado das severas enchentes que afetaram a região em 2024. Essa crise financeira reflete a situação de muitas empresas, incluindo o restaurante Novo Recomeço, que teve que fechar suas portas após ser severamente impactado pelas inundações.
O restaurante Novo Recomeço, um símbolo da resiliência da comunidade da Vila Mariante, localizada em Venâncio Aires, foi forçado a encerrar suas atividades. Taís de Souza, proprietária do estabelecimento, compartilha sua amarga experiência: “Tivemos que quitar dívidas acumuladas por conta de enchentes anteriores. O mais preocupante é que estou devendo R$ 30 mil e não tenho recursos para me manter”.
A Vila Mariante, com uma rica história de 250 anos, sofreu enormes danos na infraestrutura devido às cheias. Em 2024, a localidade foi atingida por três enchentes consecutivas. Na primeira, em setembro, o restaurante enfrentou perdas de R$ 20 mil; em novembro, o prejuízo subiu para R$ 50 mil; e na última inundação, em maio de 2024, Taís estima um impacto financeiro de R$ 100 mil.
Apesar dos desafios financeiros, Taís era uma das poucas moradoras dispostas a retornar à vila e tentar reconstruir sua vida. “Acreditamos que poderíamos voltar a ter a vida que tínhamos antes”, afirmou ela em dezembro. Entretanto, o número de habitantes diminuiu drasticamente: cerca de 300 pessoas retornaram à Vila Mariante, enquanto em 2022 a população era de aproximadamente 1.500, conforme dados do IBGE.
Infelizmente, a falta de clientes tornou insustentável a operação do restaurante. Em janeiro de 2025, Taís tomou a difícil decisão de encerrar seu negócio. “Nossa situação se agravou consideravelmente no final de 2024. Não havia mais movimento suficiente para manter o restaurante”, lamentou.
Essa situação é emblemática do cenário econômico enfrentado por muitas empresas gaúchas. De acordo com dados da Junta Comercial, Industrial e Serviços do Rio Grande do Sul (Jucis-RS), em 2024 foram registradas 60 falências — o maior número desde 2020 — e o total de pedidos de recuperação judicial saltou para 143, representando um crescimento de 48% em relação ao ano anterior.
Taís também precisou deixar a Vila Mariante e buscou apoio da Prefeitura de Venâncio Aires para garantir um aluguel social por três meses em uma casa na área urbana da cidade. Atualmente, ela aguarda a conclusão do processo da Caixa Econômica Federal para receber uma casa pelo programa Compra Assistida. Enquanto isso, está à procura de emprego para recomeçar sua vida ao lado do filho de nove anos.
“As pessoas estão voltando para suas casas danificadas porque não têm outra opção”, disse Taís. “Estamos vivendo um momento angustiante, especialmente tendo uma criança pequena”, acrescentou.
A realidade enfrentada pela Vila Mariante e seus habitantes é um reflexo das dificuldades econômicas exacerbadas pelas desastres naturais no Rio Grande do Sul. Reportagens anteriores já retrataram as consequências devastadoras dessas enchentes e os esforços da população para se reerguer diante da destruição.