“OROBORO” estreia no CCSP refletindo sobre corpos pretos e suas subjetividades

O espetáculo busca nas orixalidades dos corpos cotidianos uma forma de devolver o grito daqueles que foram historicamente silenciados e obrigados a se moldar a uma sociedade urbana

  • Data: 23/04/2023 09:04
  • Alterado: 23/04/2023 09:04
  • Autor: Luciana Gandelini
  • Fonte: Assessoria
“OROBORO” estreia no CCSP refletindo sobre corpos pretos e suas subjetividades

OROBO convoca a ancestralidade para devolver o grito a corpos pretos historicamente silenciados

Crédito:Sérgio Fernandes

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De 27 de abril a 21 de maio de 2023, de quinta-feira a sábado às 21h, domingos às 20h, com entrada gratuita, acontece a temporada de estreia do espetáculo “OROBORO”, na Sala Jardel Filho, no Centro Cultural São Paulo – CCSP, que fica na Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo. A temporada conta também com apresentações no período da tarde, nos dias 28, 29 e 30 de abril, às 16h, e as apresentações de sextas e sábados às 21h contarão com interpretação em Libras.

Idealizado pelos artistas Thais Dias e Jefferson Matias, o espetáculo “OROBORO” tem dramaturgia inédita de Tadeu Renato, encenação de Felipe de Menezes e direção musical de Fernando Alabê.

“OROBORO” remete ao símbolo da cobra que morde o próprio rabo, mas também à concepção de povos africanos – como Bantu e Iorubá – em um tempo circular ou cíclico, que sempre acaba por retornar.

Unindo elementos presentes em clássicos das tragédias gregas com universos do real, o espetáculo reflete sobre os arquétipos dos orixás, o terreiro e os corpos dos povos originários afro-atlânticos, que foram apartados de suas tradições sendo obrigados a se moldar a uma sociedade conduzida a partir de costumes e embasamentos eurocêntricos, remoldando-se de tempos em tempos, dentro desses mesmos padrões, afastando-se cada vez mais dos fundamentos afro-atlânticos.

Uma mistura entre cruzos que além de trazer a noção da orixalidade nos corpos do cotidiano, faz nascer uma cena polifônica e anti realista que discute, também, outras formas e conteúdso para a cena preta contemporânea.

“Um ponto de encontro entre o pensamento e a cena para resgatarmos aquilo que ficou preso no passado, desenterrar nossas ancestralidades e devolver o grito aos corpos pretos que foram silenciados ao longo da história econômica e social de nosso país. Buscamos trazer à cena um imaginário fora do senso comum em relação aos arquétipos dos Orixás, buscando viabilizar um espetáculo cheio de potência e um verdadeiro chamamento público para a exumação do que não foi dignamente enterrado” explica Felipe de Menezes, responsável pela encenação do espetáculo.

O espetáculo transita pelo tempo de vida de Amara, que após muitos anos de separação, reencontra seu irmão Akin e acaba estabelecendo um vínculo que traz ao presente acontecimentos do passado, como a loucura da mãe, a separação da família e os cuidados de seu tio Benin. É nesse retorno conflituoso do que parecia esquecido, que ela começa a compreender as visões vindas de outro plano que a assombram, como um pedido do mundo dos mortos.

“Assim como nas tragédias gregas, a peça lida com poderes diferentes ou superiores. Há uma discussão sobre se enredar nos poderes do mundo espiritual, para o enfrentamento contra o esquecimento da história, refletindo sobre os poderes do Capital sobre nossas subjetividades”, comenta o dramaturgo Tadeu Renato.

Em uma espécie de embate entre a estrutura clássica (tragédia grega) e elementos das culturas iorubás e bantos, a peça tem uma escolha pela forma poética dos Orikis, que são poemas-orações desses povos já citados e que tem uma estrutura própria, muito imagética e sonora, por vezes até misteriosas, apontando para uma investigação de uma estrutura mais “brasileira”, se valendo de algo comum do samba que é a repetição, em um jogo entre pergunta e resposta.

Com canções originais escritas por Tadeu Renato e por Fernando Alabê em parceria com Melvin Santhana, “OROBORO” conta com uma trilha musical inserida na construção da cena.

“A bem de compor a dramaturgia musical ao lado de Melvin Santhana, Thiago Sonho e Jess, todo caminho sonoro foi feito a partir dos sambas, jongos, maracatus, funk, soul, spiritual, rumbas, amapiano, semba, kuduro, sabar, orikis, orins, aduras, angorossi, sassanhas, loas e lundus em instrumentos de couro, metal e cordaoamentos convencionais e digitais em nosso Eletro-Xirê. Onde dubsteps, ragga e hip hop se infiltram e são permeados pelos movimentos da palavra e do corpo, atrelados a um conceito de “Modernidade Preta Atemporal”. Toda a nossa ancestralidade é vanguarda e dá os contornos do caminho musical, apoiado no conceito ioruba nagô no qual nossos odus (destinos), dispostos de forma espiralar, estão integrados ao universo. Exú é a boca e o sentido/caminho avante, nas encruzilhadas que são nossas propostas, inclusive nas fusões musicais como passos e elementos que se completam a criar novas possibilidades de elevar as tradições e ao mesmo tempo trazer novidades”, comenta Fernando Alabê que assina a direção musical.

A peça integra o Projeto “Desvelando Encruzilhadas”, contemplado pela 15º Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. A Cooperativa Paulista de Teatro integra a realização em parceria com o Plataforma – Estúdio de Produção Cultural, responsável pela produção do projeto.

Mais informações:

Instagram: @projectdesvelandoencruzilhadas e @plataforma_estudio_producao

Ficha Técnica: Elenco – Jefferson Matias, Thais Dias e William Simplicio | Dramaturgia –  Tadeu Renato | Encenação –  Felipe de Menezes | Elenco Musical –  Fernando Alabê, Jess, Melvin Santhana, Thiago Sonho | Direção Musical – Fernando Alabê | Direção de Cena – Camila Andrade | Práticas Corporais Somáticas – Erika Moura | Orientação Vocorporal –  Luciano Mendes de Jesus | Concepção de Iluminação – Carolina Gracindo | Concepção de Cenário: Lívia Loureiro | Concepção de Figurinos – Su Martins | Direção de Produção e Produção Financeira – Fernando Gimenes e Plataforma – Estúdio de Produção Cultural | Produção Executiva – Catarina Milani | Produção de Redes Sociais e Assistente de Produção Financeira – Jeniffer Rossetti | Registro Fotográfico – Sergio Fernandes | Designer Gráfico – Murilo Thaveira | Assessoria de Imprensa – Luciana Gandelini | Cenotécnico – Zé Valdir | Intérpretes Libras – Gabrielle Martins, Erika Motta e Janah | Imersão Prática Cruzos: Mônica Aduni e Daniela Beny | Encontros Públicos Cruzos: Leda Maria Martins, Dione Carlos, Luiz Rufino e Daniela Beny | Idealização e Coordenação Artística – Jefferson Matias e Thais Dias |  Apoio – Casa Livre e Cia do Pássaro, Vôo e Teatro.

SERVIÇO: Espetáculo “OROBORO”

Projeto Desvelando Encruzilhadas

Quando: de 27 de abril a 21 de maio de 2023 – Horários: quintas a sábados às 21h | domingos às 20h

Apresentações também nos dias 28, 29 e 30 de abril, às 16h.

Onde: Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho – Endereço: Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo

Sinopse

Amara vem sendo assombrada por visões que não consegue comunicar a outras pessoas. Ao reencontrar seu irmão Akin, depois de muito anos de separação, ela estabelece um vínculo que traz ao presente acontecimentos do passado, como a loucura da mãe, a separação da família e os cuidados de seu tio Benin. É nesse retorno conflituoso do que parecia esquecido que ela começa a compreender suas visões como um pedido do mundo dos mortos. A peça se enreda em tempos e mitos cruzados, com referências à mitos sobre orixás diversos e tragédias gregas clássicas. Duração: 90 minutos

Classificação: 16 anos

Entrada Gratuita

Capacidade: 321 lugares

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  • Data: 23/04/2023 09:04
  • Alterado:23/04/2023 09:04
  • Autor: Luciana Gandelini
  • Fonte: Assessoria









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