William Murad assume comando da PF após crise
Chefe interino da PF, William Murad tem carreira focada no combate ao crime organizado. Conheça mais sobre sua trajetória
- Publicado: 08/09/2026 21:22
- Alterado: 08/09/2026 21:24
- Autor: Leonardo Nogueira
A crise instaurada no STF mudou o topo da hierarquia policial brasileira. William Murad assumiu interinamente o comando da corporação nesta terça-feira (8). O movimento estratégico ocorre logo após o ministro André Mendonça determinar a saída de Andrei Rodrigues da direção-geral da instituição.
Delegado federal desde 2002, ele ocupava a diretoria-executiva desde o início de 2025. O cargo representa o segundo posto mais importante na estrutura de segurança pública. A decisão judicial forçou uma transição rápida e colocou o novo chefe sob os holofotes do país inteiro.
Trajetória de William Murad na segurança pública
A carreira de William Murad soma mais de vinte anos de experiência em frentes complexas do trabalho investigativo. O delegado consolidou seu nome no combate ao crime organizado, na repressão rígida ao tráfico de drogas e no desenvolvimento de tecnologias para a inteligência policial.
Sua bagagem profissional inclui atuações estratégicas dentro e fora do território nacional:
- Chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes no Rio Grande do Norte (2004-2008).
- Diretor de Inteligência na operação de segurança dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016).
- Diretor de Tecnologia da Informação e Inovação da corporação (2018-2021).
- Adido policial federal no Reino Unido e Irlanda do Norte (2021-2024).
Especialização internacional e grandes eventos
A formação do delegado une bases acadêmicas sólidas no Brasil e treinamentos táticos no exterior. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), ele concluiu um treinamento de alto nível na FBI National Academy, nos Estados Unidos, durante o ano de 2010.
A capacidade de gestão em eventos críticos marcou o período entre 2013 e 2017, época em que coordenou operações no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional para a Copa do Mundo.
Bastidores da crise que elevou William Murad ao comando
O cenário político impôs um clima de forte tensão nos corredores da PF. William Murad demonstrou lealdade ao antigo chefe durante seu primeiro discurso público. O delegado interino manifestou confiança irrestrita em Andrei Rodrigues e repudiou abertamente o afastamento determinado pela corte superior.
André Mendonça exigiu a mudança após a circulação de um relatório interno polêmico. O documento baseou o pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigar Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa, no âmbito das apurações envolvendo o Banco Master e o INSS.
A ordem judicial atingiu também o diretor de Inteligência, Leandro Almada. A reação da cúpula investigativa foi imediata e onze diretores colocaram seus cargos à disposição. Agora, cabe a William Murad estabilizar as operações diárias da Polícia Federal enquanto o embate institucional entre o Supremo Tribunal Federal e a polícia judiciária aguarda novos desdobramentos.