William Murad assume comando da PF após crise

Chefe interino da PF, William Murad tem carreira focada no combate ao crime organizado. Conheça mais sobre sua trajetória

William Murad assume comando da PF após crise

Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado

A crise instaurada no STF mudou o topo da hierarquia policial brasileira. William Murad assumiu interinamente o comando da corporação nesta terça-feira (8). O movimento estratégico ocorre logo após o ministro André Mendonça determinar a saída de Andrei Rodrigues da direção-geral da instituição.

Delegado federal desde 2002, ele ocupava a diretoria-executiva desde o início de 2025. O cargo representa o segundo posto mais importante na estrutura de segurança pública. A decisão judicial forçou uma transição rápida e colocou o novo chefe sob os holofotes do país inteiro.

Trajetória de William Murad na segurança pública

A carreira de William Murad soma mais de vinte anos de experiência em frentes complexas do trabalho investigativo. O delegado consolidou seu nome no combate ao crime organizado, na repressão rígida ao tráfico de drogas e no desenvolvimento de tecnologias para a inteligência policial.

Sua bagagem profissional inclui atuações estratégicas dentro e fora do território nacional:

  • Chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes no Rio Grande do Norte (2004-2008).
  • Diretor de Inteligência na operação de segurança dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016).
  • Diretor de Tecnologia da Informação e Inovação da corporação (2018-2021).
  • Adido policial federal no Reino Unido e Irlanda do Norte (2021-2024).

Especialização internacional e grandes eventos

A formação do delegado une bases acadêmicas sólidas no Brasil e treinamentos táticos no exterior. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), ele concluiu um treinamento de alto nível na FBI National Academy, nos Estados Unidos, durante o ano de 2010.

A capacidade de gestão em eventos críticos marcou o período entre 2013 e 2017, época em que coordenou operações no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional para a Copa do Mundo.

Bastidores da crise que elevou William Murad ao comando

O cenário político impôs um clima de forte tensão nos corredores da PF. William Murad demonstrou lealdade ao antigo chefe durante seu primeiro discurso público. O delegado interino manifestou confiança irrestrita em Andrei Rodrigues e repudiou abertamente o afastamento determinado pela corte superior.

André Mendonça exigiu a mudança após a circulação de um relatório interno polêmico. O documento baseou o pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigar Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa, no âmbito das apurações envolvendo o Banco Master e o INSS.

A ordem judicial atingiu também o diretor de Inteligência, Leandro Almada. A reação da cúpula investigativa foi imediata e onze diretores colocaram seus cargos à disposição. Agora, cabe a William Murad estabilizar as operações diárias da Polícia Federal enquanto o embate institucional entre o Supremo Tribunal Federal e a polícia judiciária aguarda novos desdobramentos.

Leonardo Nogueira

  • Publicado: 08/09/2026 21:22
  • Alterado: 08/09/2026 21:24
  • Autor: Leonardo Nogueira