Tensão na ONU faz cotação do petróleo subir 4%
A tensão na ONU entre EUA e Irã fez o preço do petróleo subir mais de 4%, renovando o temor de desabastecimento global do combustível
- Publicado: 24/09/2026 22:47
- Alterado: 24/09/2026 22:47
- Autor: Gabriel de Jesus
A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e os discursos inflamados na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) voltaram a pressionar o mercado financeiro global. O preço do petróleo disparou mais de 4% nesta quinta-feira (24), impulsionado pela troca de ameaças veladas entre Estados Unidos e Irã. O tom duro adotado pelos líderes internacionais afastou a perspectiva de um acordo de paz entre as nações, estagnado há mais de dois meses, e reacendeu o temor sobre o abastecimento global de combustíveis.
A disparada nos preços levou a cotação da commodity ao mesmo patamar alcançado na semana anterior. O movimento do petróleo refletiu o nervosismo dos investidores diante da possibilidade de prolongamento do conflito e de novas interrupções nas rotas marítimas de navegação.
Cotações internacionais do petróleo sobem após discursos na ONU

No mercado internacional, o barril de petróleo Brent, que serve como referência global, atingiu a máxima de US$ 108,23 durante o dia e encerrou a sessão com alta de 3,58%, negociado a US$ 106,77. Nos Estados Unidos, o petróleo WTI (West Texas Intermediate) registrou valorização de 2,21%, fechando cotado a US$ 94,20.
A incerteza quanto ao término do conflito aumentou drasticamente após as declarações das delegações norte-americana e iraniana em Nova York. Paralelamente, o lançamento de mísseis pela milícia houthi contra alvos na Arábia Saudita ampliou as preocupações sobre a oferta de petróleo no mercado internacional. A coalizão liderada por Riad interceptou seis mísseis balísticos disparados a partir do Iêmen, evitando danos graves às províncias de Taif e Yanbu, esta última situada às margens do Mar Vermelho.
Impasse diplomático eleva temores sobre o fornecimento
O clima diplomático deteriorou-se com as falas das autoridades na ONU. O presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou a possibilidade de destruição total do Irã em seu pronunciamento. No dia seguinte, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reforçou que Teerã manterá seu programa nuclear, acusando Washington e Tel Aviv de terrorismo. A delegação norte-americana retirou-se do plenário durante a intervenção iraniana.
A avaliação do setor financeiro é de que as negociações estão paralisadas. “Para os investidores, a percepção era de que os dois lados ainda estavam muito distantes. Ficou claro que os investidores ainda esperavam um período prolongado de preços mais altos do petróleo”, afirmou Henry Allen, estrategista macroeconômico do Deutsche Bank.
Risco de ampliação do conflito
A instabilidade ameaça diretamente o tráfego no estreito de Hormuz, passagem estratégica responsável por canalizar cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural. Autoridades iranianas já acenam com a possibilidade de expandir a área de confronto militar. Yahya Rahim Safavi, conselheiro ligado ao líder supremo Mojtaba Khamenei, declarou que o conflito pode alcançar o Oceano Índico em caso de novos ataques norte-americanos, onde está localizada a base militar de Diego Garcia.
“Como o conflito se propagou do golfo Pérsico e do estreito de Hormuz para o Mar Vermelho, é possível que, em resposta a uma eventual guerra, esta frente se estenda ainda mais, até o Oceano Índico, ou além”, declarou Safavi.
Para avançar em um eventual acordo de paz, o governo iraniano estabeleceu sete exigências principais, destacando-se a suspensão imediata das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e o desbloqueio de ativos financeiros iranianos mantidos no exterior.