Netanyahu é vaiado e critica rivais em discurso na ONU
Benjamim Netanyahu é vaiado durante discurso na ONU, enquanto delegações deixam plenário e primeiro-ministro responde a críticos
- Publicado: 24/09/2026 16:31
- Alterado: 24/09/2026 16:32
- Autor: Gabriel de Jesus
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi vaiado nesta quinta-feira (24) durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Assim como no ano anterior, dezenas de delegações deixaram o plenário antes ou durante sua fala, entre elas a representação brasileira. O presidente da sessão precisou pedir ordem mais de uma vez diante das manifestações nas galerias.
Logo no início do pronunciamento, Netanyahu criticou os representantes que deixaram o salão e afirmou que aqueles que ainda permanecessem poderiam se retirar. O primeiro-ministro também rebateu declarações feitas pelo presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, sobre as Colinas de Golã, território ocupado por Israel desde 1967 e cuja soberania é reivindicada pela Síria.
Netanyahu defende Israel e responde a críticos

Durante o discurso, Netanyahu voltou a defender as ações de Israel na guerra em Gaza e respondeu diretamente ao prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que havia classificado o primeiro-ministro como criminoso de guerra e acusado Israel de genocídio contra os palestinos.
“Israel não cometeu genocídio, mas preveniu o genocídio”, afirmou, ao rebater as acusações. O governo israelense rejeita a acusação de genocídio e afirma que suas operações têm como alvo o Hamas.
Mamdani, eleito prefeito de Nova York, havia declarado anteriormente que prenderia Netanyahu caso ele fosse à cidade, mas depois reconheceu que não possuía autoridade para executar a medida. O prefeito também é um crítico das ações militares israelenses na Faixa de Gaza.
Primeiro-ministro cita Hamas e ataques de 2023
Netanyahu também relacionou a atual guerra aos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, que mataram cerca de 1.200 pessoas em Israel e resultaram no sequestro de 251 pessoas, segundo autoridades israelenses.
No pronunciamento, o primeiro-ministro comparou o ataque de 2023 aos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos e voltou a responsabilizar o Hamas pelo início da guerra. Desde então, a ofensiva israelense em Gaza deixou mais de 73 mil palestinos mortos, segundo autoridades de saúde do território, números que não distinguem combatentes e civis. Israel contesta acusações de genocídio e afirma atuar contra integrantes do Hamas.
Netanyahu critica países europeus
Outro alvo do discurso de Netanyahu foram países europeus que impuseram sanções relacionadas aos assentamentos israelenses na Cisjordânia e passaram a criticar as políticas do governo de Israel na região.
O primeiro-ministro rejeitou acusações de colonialismo feitas por países como França e Reino Unido e defendeu os assentamentos e os colonos israelenses. A fala ocorreu em meio à intensificação das críticas internacionais à expansão de assentamentos e à violência contra palestinos na Cisjordânia.
Netanyahu também utilizou recursos visuais durante o pronunciamento, incluindo um pager para fazer referência a operações contra o Hezbollah e um dispositivo Starlink ao abordar as restrições de comunicação impostas pelo Irã.
Brasil deixa plenário durante fala
A delegação brasileira abandonou o plenário durante o discurso de Netanyahu, repetindo o gesto realizado em 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia criticado nominalmente o governo israelense durante seu discurso na abertura da Assembleia Geral, dois dias antes, ao abordar a situação em Gaza.
O episódio ocorreu em meio a um ambiente de forte polarização em torno da guerra no Oriente Médio. Antes da fala de Netanyahu, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, havia afirmado na ONU que as ações de Israel em Gaza e na Cisjordânia ameaçavam a vida e a existência do povo palestino.
O discurso desta quinta-feira reforçou a estratégia de Netanyahu de usar a tribuna das Nações Unidas para defender as ações de Israel e responder diretamente às críticas de governos e lideranças estrangeiras.