Saiba como votaram os ministros sobre Alexandre de Moraes

Alexandre de Moraes: Fachin rejeita adiamento e mantém julgamento nesta terça; Dino diverge e vota por união com caso Mendonça

Saiba como votaram os ministros sobre Alexandre de Moraes

Crédito: Nelson Jr./SCO/STF

Na retomada dos trabalhos da sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) na tarde desta terça-feira (15), o presidente da Corte e relator do caso, ministro Edson Fachin, votou pela rejeição da questão de ordem proposta pelo decano Gilmar Mendes. Fachin posicionou-se a favor da manutenção da separação processual entre a apuração que envolve o ministro Alexandre de Moraes e as representações contra o ministro André Mendonça relativas ao caso Banco Master.

Com a posição firmada pelo relator, o plenário mantém a deliberação desta terça-feira concentrada exclusivamente sobre o relatório da Polícia Federal (PF) que compilou mensagens trocadas entre Moraes e o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro. As acusações formalizadas contra a atuação de Mendonça permanecem pautadas para julgamento autônomo no dia 23 de setembro de 2026.

A questão de ordem havia sido formulada no fim da manhã pelo ministro Gilmar Mendes, que requeria a juntada dos dois procedimentos para julgamento simultâneo na próxima semana, sob o argumento de que haveria conexão probatória direta entre as condutas apuradas.

Confira o Posicionamento dos Ministros na Questão de Ordem

O julgamento deve ser retomado na semana que vem com o voto dos demais ministros Alexandre de Moraes
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Luiz Edson Fachin (Relator e Presidente): Votou pela separação

Primeiro a votar, Fachin rejeitou a questão de ordem proposta por Gilmar Mendes. O presidente da Corte sustentou que cada petição possui rito, escopo probatório e natureza jurídica próprios, cabendo ao plenário manter o cronograma com a análise sobre Alexandre de Moraes nesta terça-feira (15) e a deliberação sobre Mendonça em 23 de setembro.

Flávio Dino: Votou pela unificação (Abriu divergência)

Segundo a manifestar-se, Dino divergiu do relator e votou a favor da reunião imediata dos casos. Para o magistrado, a simultaneidade dos relatórios policiais exige que o STF adote uma visão panorâmica e conjunta de todo o acervo do caso Master antes de avançar em medidas individuais.

Alexandre de Moraes: Votou pela unificação

Ministro Alexandre de Moraes autoriza oitava de Bolsonaro sobre material achado na Alvorada
Rosinei Coutinho/STF

O ministro Alexandre de Moraes adiantou a manifestação de seu voto e acompanhou a divergência aberta por Gilmar e Dino a favor da junção dos processos. “Não há razão para que a instrução e o julgamento não sejam conjuntos. As alegações são comuns”, defendeu Alexandre de Moraes perante os pares.

André Mendonça: Votou pela separação

Alvo de pedido conexo por suposto abuso de autoridade, Mendonça acompanhou a tese do relator Edson Fachin contra a reunião dos autos, defendendo o prosseguimento autônomo da análise sobre o relatório policial de Moraes nesta terça.

Luiz Fux: Votou pela separação

Ao proferir seu entendimento, o ministro Luiz Fux acompanhou integralmente os votos de Fachin e Mendonça. O magistrado justificou que “não há a mais tênue conexão” entre as duas petições em curso, sustentando que os procedimentos apuram condutas e fases processuais inteiramente distintas.

Cristiano Zanin: Votou pela unificação

Seguindo os posicionamentos de Dino, Gilmar e Alexandre de Moraes, Zanin votou pela análise conjunta dos dois episódios. Segundo o ministro, a junção dos processos é essencial para que o plenário possa esclarecer as “dúvidas e perplexidades” suscitadas ao longo da sessão e respeitar a ordem cronológica e lógica da avaliação dos fatos.

Cármen Lúcia: Consolidou o quarto voto pela separação das ações. Em pronunciamento contundente, a ministra pediu desculpas aos pares e “ao povo brasileiro” pela espetacularização e desgaste institucional que cercam a Corte, ressaltando expressamente que votou de forma independente e sem sofrer qualquer tipo de pressão externa.

Antecedentes e Acesso ao Celular de Vorcaro

Daniel Vorcaro - Banco Master. Alexandre de Moraes
Montagem/ABCdoABC

A sessão plenária se desenrola em meio ao acirramento de tensões internas provocadas pelo compartilhamento do espelhamento do aparelho celular de Daniel Vorcaro. Na segunda-feira (14), a Polícia Federal confirmou a entrega de cópias forenses integrais do dispositivo aos gabinetes de Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e do próprio Moraes, após determinação técnica que contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O quórum de votação da sessão permanece reduzido para nove ministros votantes, uma vez que o ministro Kassio Nunes Marques declarou-se impedido e o ministro Dias Toffoli alegou suspeição formal de foro íntimo logo na abertura do plenário matutino.

Os votos dos demais magistrados seguem sendo colhidos ao longo da tarde, com transmissão aberta em tempo real pela TV Justiça.

Daniela Ferreira

  • Publicado: 15/09/2026 17:00
  • Alterado: 15/09/2026 18:44
  • Autor: Daniela Ferreira