Governo de SP nega irregularidades no caso Credcesta

Em nota, governo de Tarcísio afirma que credenciamento da empresa ligada ao Master ocorreu em 2022, na gestão anterior

Governo de SP nega irregularidades no caso Credcesta

Crédito: Divulgação

O Governo do Estado de São Paulo emitiu uma nota oficial para repudiar e negar categoricamente as acusações de irregularidades e favorecimento envolvendo o credenciamento da empresa PKL Credcesta, responsável por operar crédito consignado para servidores públicos estaduais.

O posicionamento é uma resposta direta às alegações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero, que afirmou em proposta de delação premiada (rejeitada pela Polícia Federal e pela PGR) que doações eleitorais feitas em 2022 teriam o objetivo de manter as operações da empresa no governo paulista, por meio de um suposto acordo com o atual secretário de Governo, Gilberto Kassab.

Na nota à imprensa, a administração estadual classificou a hipótese como infundada, ressaltando que as alegações “não encontram respaldo nos fatos, na cronologia dos eventos nem nas regras que disciplinam o setor”.

Credenciamento na Gestão Doria/Garcia

O principal ponto de defesa do Palácio dos Bandeirantes é a linha do tempo das operações da empresa no Estado. O governo esclareceu que a PKL obteve o credenciamento no sistema de consignados paulista em 27 de maio de 2022, com base no Decreto nº 66.622/2022, assinado ainda na gestão anterior (iniciada por João Doria e concluída por Rodrigo Garcia).

Credcesta
Divulgação/Governo de SP

“Não houve, portanto, na atual gestão, qualquer ato de escolha ou contratação da PKL que possa ser relacionado a esses fatos. A atual gestão não credenciou a empresa, não a contratou e tampouco lhe concedeu exclusividade ou tratamento diferenciado”, afirmou o governo paulista, destacando que a relação para a concessão de crédito não ocorre entre o Estado e a empresa, mas sim entre o servidor público e a instituição financeira.

A nota enfatiza que o credenciamento de consignatárias é um ato administrativo vinculado às normas do Banco Central. Ou seja, se a empresa preencher os requisitos legais objetivos, o Estado é obrigado a conceder a autorização para operar, não havendo espaço para a escolha política ou discricionária do gestor público.

Participação no Mercado e Suspensão Contratual

O Executivo paulista também minimizou o peso do Credcesta na folha de pagamento estadual para afastar a tese de favorecimento. Dos R$ 634 milhões movimentados mensalmente em operações de consignado no Estado de São Paulo, a PKL responde por apenas 3,4% do volume (tendo chegado a um pico de 5,26% antes de intervenções federais). O mercado local é amplamente dominado pelo Banco do Brasil (com mais de 50% de participação), seguido por Santander, Banco Pan, Bradesco e Caixa Econômica Federal.

A administração de Tarcísio de Freitas ressaltou que agiu de forma imediata após a PKL sofrer sanções federais. Em 19 de fevereiro de 2026, logo após o Banco Central decretar a liquidação da empresa, o Governo de São Paulo suspendeu o credenciamento e proibiu a celebração de novos contratos com a instituição. Os contratos que já estavam em andamento foram mantidos apenas por orientação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), com o objetivo de resguardar financeiramente os servidores que já haviam contraído empréstimos.

Por fim, o governo rechaçou que o Decreto nº 69.126/2024, editado no final do ano passado para autorizar o ingresso de novas financeiras digitais no sistema, tenha beneficiado a PKL. Segundo o Estado, a empresa alvo das denúncias não se enquadra na categoria criada pelo decreto, já que operava por uma via de credenciamento distinta e anterior.

Daniela Ferreira

  • Publicado: 04/09/2026 16:08
  • Alterado: 04/09/2026 16:08
  • Autor: Daniela Ferreira