Precisamos de Educação Climática já!  

Eventos extremos afetam população despreparada e sem informações de como agir

  • Data: 05/07/2024 16:07
  • Alterado: 05/07/2024 16:07
  • Autor: Redação
  • Fonte: Débora Diogo
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Plantio de árvores com estudantes em área periférica da Subprefeitura de Sapopemba

Crédito:Reprodução

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Temos acompanhado diariamente, no Brasil e no mundo, notícias relativas aos diversos eventos climáticos extremos, tanto hidrológicos, como chuvas intensas que causam enchentes, inundações e deslizamentos de encostas, como secas e estiagens, que associadas aos fortes ventos e ao aumento da temperatura, desencadeiam os incêndios florestais, destruindo áreas significativas de florestas, sistemas fundamentais para o equilíbrio ambiental e para o sequestro de carbono, necessário para a redução das emissões de gases que causam o efeito estufa.

Com o aquecimento global as ondas de calor também têm causado mal-estar e muitas mortes em todos os continentes, levando os governos a tomar medidas emergenciais para proteger principalmente os mais vulneráveis: crianças, idosos e pessoas com comorbidades, além dos trabalhadores externos, que ficam expostos ao sol e a condições inadequadas para sua saúde.

Essas questões estão afetando a vida das pessoas em todos os continentes, desafiando a atual maneira de viver e de pensar as cidades, nossa relação com o ambiente em que vivemos, a forma como consumimos e o modo de produção.

Educação Climática

Para melhor entendimento de todo esse processo é preciso ampliar a percepção dos riscos e a capacidade de adaptação da população ao novo padrão climático que estamos enfrentando. E torna-se urgente promover em todas as escalas, a educação climática e ambiental que deve abranger todas as disciplinas e envolver principalmente, mudanças de comportamento.

A Educação Climática é um processo educativo para promover o conhecimento necessário sobre as causas e efeitos das mudanças climáticas, estimulando a participação ativa da sociedade em ações coletivas que visam a transformação social e a implementação de práticas que garantam a resiliência e a justiça climática, de acordo com a Coalizão Brasileira pela Educação Climática.

A formação sobre o clima e a sustentabilidade precisa estar não apenas em todos os conteúdos educacionais, como na própria constituição física da escola e do território onde ela se localiza, para que as novas gerações já cresçam com uma nova concepção da importância da preservação e do modo de vida sustentável.

Um novo modelo de escolas, baseadas na natureza, considerando o território e as implicações climáticas alusivas a cada lugar, os tipos de problema, constituição social, e aspectos positivos, como a coesão social, integração entre os moradores, fortalecem as ações e mudanças de comportamento para a proteção das pessoas e de seus bens.

Sabemos que a educação é um caminho reconhecido por todos como de grande significado na compreensão e na busca de soluções para os complexos e diversificados problemas relacionados com as alterações ambientais provocadas pelas atividades humanas.

Como as comunidades pobres e periféricas são as mais impactadas pelos efeitos da emergência climática, essa nova educação precisa fortalecer suas capacidades de percepção dos riscos e de adaptação, combatendo a desigualdade e a injustiça ambiental, priorizando suas vozes nos processos de tomada de decisão.

Uma educação emancipadora que reconheça e responsabilize os grupos econômicos de países e de atividades historicamente responsáveis pela crise climática, com a insistência nas atividades que mais causam as emissões dos gases que nos levaram ao atual cenário de aquecimento global que desencadeou as mudanças climáticas.

Conforme já abordava Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tão pouco a sociedade mudará”.

Para enfrentar a emergência climática precisamos de justiça climática, priorizando medidas fundamentadas para a promoção da equidade, a redução das desigualdades socioeconômicas, a inclusão social e o direito à vida.

No Brasil a Comissão de Meio Ambiente  e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que inclui a prevenção e a atenção às mudanças climáticas entre os objetivos da educação ambiental, incluindo também a educação ambiental e climática e as ações de mitigação e adaptação à mudança do clima como despesa prioritária para o Fundo Nacional de Meio Ambiente, garantindo recursos para essas medidas.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais, por meio do Programa Cemaden Educação realiza desde 2014 ações de educação preventiva em áreas de risco que têm salvado vidas. O aumento da ocorrência de eventos extremos no país escancarou a importância de haver programas de educação sobre o clima nas escolas para o enfrentamento dos desastres e para construir a resiliência das comunidades. Os projetos bem-sucedidos com estudantes que vivem em áreas de risco mostram que o ensino é uma potente estratégia de adaptação às mudanças climáticas e de combate ao negacionismo.

Conforme afirma o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), se a ação humana, responde por grande parte das alterações recentes observadas no clima do nosso planeta, será também pela ação, participação e, portanto, pela educação que esta geração poderá fazer a diferença positiva no presente e no futuro!

Precisamos de Educação Climática já!  
Estudante da Rede Pública Municipal de Ensino de São Paulo
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  • Data: 05/07/2024 04:07
  • Alterado: 05/07/2024 04:07
  • Autor: Redação
  • Fonte: Débora Diogo









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