Bancários do ABC fazem passeata em Santo André por acordo

Bancários: categoria em greve protesta no Centro de Santo André contra proposta da Caixa e busca apoio de Câmaras da região

Bancários do ABC fazem passeata em Santo André por acordo

Crédito: Reprodução/ Sindicato dos Bancários

Em meio à greve nacional por tempo indeterminado deflagrada na última quinta-feira (10), cerca de 100 funcionários da Caixa Econômica Federal participaram, na manhã desta segunda-feira (14), de uma passeata pelo Centro de Santo André. O ato foi organizado pelo Sindicato dos Bancários do ABC para protestar contra o impasse nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e dialogar com os clientes sobre os impactos do desmonte das condições laborais na qualidade do atendimento.

Além da mobilização nas ruas, a entidade sindical anunciou que protocolará pedidos formais de moção de apoio à greve nas Câmaras Municipais das sete cidades da região metropolitana. Equipes do sindicato também estão percorrendo as agências bancárias para monitorar a adesão da categoria e prestar esclarecimentos aos usuários do banco público.

A intensificação dos protestos ocorre após os trabalhadores da base regional rejeitarem, em assembleia realizada na sexta-feira (11), a proposta final apresentada pela diretoria da instituição financeira. Na contagem dos votos do Grande ABC, 57,40% dos empregados rejeitaram a oferta, enquanto 41,48% votaram a favor da aceitação dos termos.

Impasse no Custeio do Saúde Caixa

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Reprodução/ Sindicato dos Bancários

O principal ponto de atrito entre os bancários e a gestão da Caixa reside nas mudanças propostas para o Saúde Caixa, plano de assistência médica voltado aos trabalhadores da ativa, aposentados e dependentes.

A direção do banco propôs elevar de 6,5% para 8% o teto de custeio institucional sobre o plano. Em contrapartida, a minuta transferia expressivos custos mensais para o bolso dos empregados. Pelas diretrizes rejeitadas, a contribuição individual dos titulares passaria a variar entre 2,3% e 4,1% do salário-base (conforme a faixa etária), com acréscimo de mensalidades fixas por dependente variando de R$ 480 a R$ 660.

O texto também estabelecia uma alta de 33% no teto anual de coparticipação cobrado por núcleo familiar, subindo dos atuais R$ 3.600 para R$ 4.800 anuais. Os representantes sindicais sustentam que o modelo rompe com a tradição solidária do plano, penalizando especialmente os empregados mais antigos e famílias com múltiplos dependentes.

Pauta Econômica e Negociação Nacional

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Reprodução/ Sindicato dos Bancários

No aspecto remuneratório, a Caixa ofereceu a recomposição salarial pela variação acumulada do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) entre setembro de 2025 e agosto de 2026, com acréscimo de 0,6% de aumento real, estendido às demais verbas salariais. O pacote contemplava ainda um abono/prêmio único de R$ 3.000 por trabalhador e a antecipação de parcelas da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Diante do resultado negativo das assembleias pelo país, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) requereu formalmente a reabertura da mesa de negociações.

Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Gheorge Vitti Holovatiuk, a diretoria da Caixa concordou em reabrir o canal de diálogo, embora ainda não tenha fixado data para a nova rodada.

Além da salvaguarda do Saúde Caixa, a pauta da categoria cobra a convocação imediata de novos concursados, mecanismos rígidos contra o assédio moral, redução de metas abusivas e diminuição da sobrecarga operacional nas agências.

Daniela Ferreira

  • Publicado: 14/09/2026 17:36
  • Alterado: 14/09/2026 17:36
  • Autor: Daniela Ferreira