Balé da Cidade de São Paulo apresenta Réquiem SP
Utilizando de uma rigorosa obra de Ligeti, a coreografia inédita de Alejandro Ahmed investiga de maneira provocativa as possibilidades de articulação entre corpos, contextos e manifestações culturais
- Data: 27/02/2025 20:02
- Alterado: 27/02/2025 20:02
- Autor: Redação
- Fonte: Theatro Municipal de São Paulo
O Balé da Cidade de São Paulo estreia sua primeira temporada do ano com Réquiem SP, na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal de São Paulo. Com criação, direção e coreografia de Alejandro Ahmed, que também atua como Diretor Artístico do Balé da Cidade, a obra terá a participação do Coral Paulistano e Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência e direção musical de Maíra Ferreira. As apresentações acontecem nos dias 14, 15, 19, 20, 22 e 23 de março, e os ingressos variam de R10aR10aR92.
Uma Coreografia que Dialoga com a Cidade
A coreografia Réquiem SP apresenta um desafio e um exercício que estabelece um diálogo entre distintas linhagens de dança, como o balé, o jumpstyle e as danças urbanas e populares. A proposta investiga de maneira provocativa as possibilidades de articulação entre corpos, contextos e manifestações culturais, destacando as dinâmicas e a singularidade de uma cidade como São Paulo. Nesse cenário, o movimento do elenco vai além da técnica, atuando como matéria para explorar e compreender as interações do corpo com o ambiente.
O diretor explica que, além da interação entre três corpos artísticos, haverá uma integração de diferentes plataformas, criando um ecossistema multimídia. “O Réquiem SP explora além da partitura de György Ligeti, se estende para três movimentos musicais: um é um interlúdio de autogestão coreográfica e de som, outro é o Réquiem de quatro movimentos e o final que tem outras duas faixas do produtor canadense Venetian Snares. Um breakcore, ou seja, batidas rápidas e espaçadas, muito diferente da relação do que é o Réquiem do Ligeti, mas, ao mesmo tempo, com complexidades de composição que se correlacionam”, explica Alejandro Ahmed.
A Complexidade Musical de Ligeti e Venetian Snares
O Réquiem, de György Ligeti, foi composto entre 1963 e 1965. A obra é uma composição para Coral e Orquestra e traz em sua forma todas as características musicais do compositor húngaro, sem deixar de lado a tradição musical de um Réquiem. Teve sua estreia em 14 de março em Estocolmo e se tornou uma das mais conhecidas de Ligeti, usada na trilha sonora de clássicos do cinema como 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick.
Ligeti dedicou nove meses exclusivamente à composição da seção Kyrie, com duração de seis minutos. Nessa parte, ele explorou a polifonia mais intricada de sua carreira, utilizando vinte linhas vocais. Apesar da complexidade, o musicólogo Harald Kaufmann destaca que essa abordagem mantém uma conexão com a tradição da polifonia vocal clássica dos antigos mestres. Além de Ligeti, será executada uma obra do músico eletrônico canadense Venetian Snares (Aeron Funk).
Segundo Maíra Ferreira, regente titular e responsável pela direção musical, é necessário um alto nível de sofisticação para executar o concerto. “Ligeti explora muito os extremos, então vai da nota aguda para a nota grave muito rapidamente. Tecnicamente, o cantor precisa ter um ótimo preparo para explorar o trato e a extensão vocal. Às vezes temos alguns pontos de descanso em uma obra. Essa não tem”, pontua. “Das obras que trabalhei, em quase dez anos no Theatro Municipal, nunca cantamos algo tão desafiador”, finaliza.
Serviço
- Balé da Cidade de São Paulo
- Coral Paulistano
- Orquestra Sinfônica Municipal
Datas e Horários:
- Sexta-feira (14/03/25) – 20h
- Sábado (15/03/25) – 17h
- Quarta-feira (19/03/25) – 20h
- Quinta-feira (20/03/25) – 20h
- Sábado (22/03/25) – 17h
- Domingo (23/03/25) – 17h
Local: Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo
Ingressos: R10,00aR10,00aR92,00 (inteira)
Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos
Duração: Aproximadamente 60 minutos
Equipe:
- Alejandro Ahmed, criação, direção e coreografia
- Maíra Ferreira, direção musical e regência
- Gabriela Geluda e Laiana Oliveira, solistas
- Aline Blasius, assistente de direção
- Bibi Vieira, assistente de criação e design de movimento
- João Peralta, diretor de fotografia, edição e criação de vídeo e interlocução musical
- Karin Serafin, figurino
- Diego de los Campos, cenografia, objetos e controles físicos digitais
- Mirella Brandi, desenho de luz
- Bill Valkyrie, Krumper convidada
- Michelle Bezerra e Clara Caramez, técnicas multimídia
- Netto Silva, figurinista assistente
- Vitória Paiva, assistente de cenografia
- Grupo Cena 11, pesquisa estendida