De Zagallo a Filipe Luís: os brasileiros que desafiaram os bancos de reservas da Europa

Ao longo de décadas, poucos técnicos brasileiros tiveram a oportunidade de comandar clubes na Europa. Entre pioneiros, passagens marcantes e desafios interrompidos, Filipe Luís agora escreve um novo capítulo dessa história

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Na história, poucos treinadores brasileiros receberam a oportunidade de comandar clubes europeus. Agora, com a chegada de Filipe Luís ao Monaco, esse seleto grupo ganha um novo integrante.

Para entender o significado desse momento, vale revisitar os brasileiros que, em diferentes épocas, desafiaram um cenário pouco aberto a treinadores vindos do país.

Zagallo, o pioneiro

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Muito antes de treinadores brasileiros passarem a ser cogitados por clubes europeus, Zagallo já abria caminhos fora do país. Depois de construir uma carreira lendária como jogador e iniciar sua trajetória como treinador, assumiu o Belenenses, de Portugal, na década de 1980.

Sua passagem não entrou para a história pelos títulos, mas pelo simbolismo. Em uma época em que era raro ver técnicos sul-americanos trabalhando na Europa, Zagallo mostrou que um brasileiro também poderia ocupar um banco de reservas do outro lado do oceano.

Carlos Alberto Silva, o campeão que cruzou o Atlântico

Carlos Alberto Parreira - Copa do Mundo - CBF
(Tomaz Silva/Agência Brasil)

Depois de conquistar o Campeonato Brasileiro com o Guarani e dirigir a Seleção Brasileira na Copa América de 1987, Carlos Alberto Silva recebeu a oportunidade de assumir o Porto.

O clube português vivia uma fase de afirmação internacional e buscava manter o protagonismo no país. Apesar do currículo respeitado, sua passagem foi breve e não alcançou o sucesso esperado, tornando-se mais um exemplo das dificuldades encontradas por treinadores brasileiros no futebol europeu.

Vanderlei Luxemburgo e o maior desafio possível

Vanderlei Luxemburgo
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Se houve um treinador brasileiro que chegou cercado de expectativa, esse foi Vanderlei Luxemburgo.

No início dos anos 2000, era considerado um dos melhores técnicos do futebol brasileiro. Campeão por onde passou, desembarcou no Real Madrid em 2004 para comandar um elenco repleto de estrelas, incluindo Ronaldo, Zidane, Beckham, Roberto Carlos e Raúl, sendo o primeiro brasileiro da história a assumir os Merengues.

A experiência, entretanto, durou poucos meses. Entre resultados irregulares, pressão constante e diferenças de metodologia, Luxemburgo acabou deixando o clube antes do fim da temporada. Sua passagem permanece como uma das experiências mais marcantes de um treinador brasileiro na Europa.

Felipão, o campeão do mundo

Felipão
Reprodução – X

Depois de levantar a Copa do Mundo de 2002 e levar Portugal à final da Eurocopa de 2004 e às semifinais da Copa de 2006, Luiz Felipe Scolari já era um nome consolidado internacionalmente quando assumiu o Chelsea.

Apesar de um início promissor, a passagem por Londres terminou antes do previsto. Ainda assim, Felipão continua sendo o técnico brasileiro que chegou ao continente com o currículo mais respeitado e reconhecimento internacional.

Filipe Luís, uma nova geração

Filipe Luís - Flamengo
Paula Reis/CRF

Ao contrário da maioria dos brasileiros que o antecederam, Filipe Luís chega ao Monaco depois de construir praticamente toda a carreira na Europa.

Como jogador, passou mais de uma década entre Espanha e Inglaterra, convivendo diariamente com algumas das maiores referências da profissão. Trabalhou com Diego Simeone, José Mourinho e Carlo Ancelotti, absorvendo diferentes ideias e metodologias antes mesmo de iniciar sua carreira como treinador.

Agora, no comando do Monaco, terá a oportunidade de escrever um capítulo inédito. Não apenas por tentar conquistar resultados em um dos principais campeonatos da Europa, mas por representar uma nova geração de técnicos brasileiros, formada em um futebol cada vez mais globalizado.

Ainda é cedo para saber se Filipe Luís terá sucesso no Principado. Mas sua chegada já representa um novo capítulo para os treinadores brasileiros na Europa, que há décadas aparecem apenas como exceções.

Se conseguir se consolidar no futebol francês, o ex-lateral poderá deixar um legado que vai além dos resultados: mostrar que o Brasil também pode voltar a exportar treinadores capazes de competir entre a elite do futebol europeu.

  • Publicado: 29/07/2026 12:00
  • Alterado: 29/07/2026 12:00
  • Autor: Vitor Bianco
  • Fonte: ABCdoABC