A questão não é velocidade, mas a intensidade
Uma reflexão sobre como percebemos o tempo e a importância de viver cada instante com presença e significado
- Publicado: 27/07/2026 12:55
- Alterado: 27/07/2026 12:57
- Autor: Paola Zanei
Tenho cá para mim que o tempo é um substantivo relativo. A gente pensa que todos os minutos são milimetricamente perfeitos em seus sessenta segundos. E que todos os dias têm as mesmas 24 horas compostas de 1.440 minutos iguaizinhos uns aos outros.
Então por que 15 minutos antes do nosso horário de bater o ponto de saída no trabalho não passam tão rápido quanto os mesmos 15 minutos de preguiça na cama depois que o despertador toca?
Como é que a gente pode achar que o tempo não é uma medida variável se às vezes a semana passa arrastada, parece ter oito dias, todos parecidos entre si, e o final de semana nunca chega?
Enquanto outras passam voando, mesmo a gente tendo muito o que fazer, implorando para o tempo passar devagar.
Quando o tempo desafia os relógios

O que a gente quer do tempo não importa, porque essa entidade implacável faz exatamente o contrário. Quando queremos que passe rápido, desacelera. Quando estamos aproveitando a dádiva da vida com quem amamos, ele passa voando, transformando tudo em memória rapidamente.
Aí a gente fica velho depressa, e guarda para sempre um apreço especial pelos tempos de adolescência, quando a preocupação era menor, a vida era mais leve e o tempo parecia passar mais devagar.
E os filhos adolescentes dos nossos amigos, que até ontem eram bebês, logo estarão se casando, e você pensando como é que o tempo passou e você não viu. Você viveu todos esses segundos de forma displicente, fazendo suas tarefas, acordando todos os dias no automático, em uma vida toda no automático.
As velocidades variáveis do tempo parecem coisa corriqueira, real, mas incontrolável para nós, meros mortais. Aceitamos e seguimos acordando mais velhos todo dia, sem saber se dormimos.
A rotina nos absorve, nos engole, nos cega para o que realmente importa, que é aproveitar o tempo que temos. Quem sabe a gente possa fazer um acordo com o tempo: se ele passar devagar, a gente promete dar em troca tudo de si para cada segundo.
Viver cada minuto com o máximo de vida que cabe nele. E cabe muita vida em um minuto, em uma hora, em um dia, em uma existência. A questão aqui não é velocidade, é intensidade.
Paola Zanei

Paola Zanei é escritora, poeta e jornalista, formada em Comunicação desde 1994. Com mais de 30 anos de atuação no jornalismo, construiu grande parte de sua trajetória como assessora de imprensa. A escrita, no entanto, sempre esteve presente em sua vida. Desde os 15 anos, dedica-se à produção de poemas e crônicas que exploram o cotidiano, experiências pessoais e as emoções que atravessam sua jornada. É autora do livro Poemas para Queimar Certezas. Apaixonada por música, literatura e cinema, Paola traduz em palavras sua forma sensível de observar e interpretar o mundo.