Velhice de pets exige cuidado preventivo, diz UMC
Professora da UMC alerta para sinais de dor na velhice de cães e gatos e destaca a importância da fisioterapia veterinária
- Publicado: 29/07/2026 21:57
- Alterado: 29/07/2026 21:57
- Autor: Daniela Ferreira
O aumento da expectativa de vida dos animais de estimação é uma realidade consolidada na medicina veterinária. Contudo, o avanço da idade em cães e gatos exige que tutores adotem uma postura preventiva e atenta para garantir que a velhice ocorra com conforto, autonomia e ausência de dor.
O alerta é reforçado pela médica-veterinária e professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Thayná Neves Cardoso. Especialista em Fisioterapia, Reabilitação e Acupuntura Veterinária, a docente aponta que muitas alterações físicas e comportamentais observadas na fase sênior são erroneamente normalizadas como decorrências inevitáveis da idade, quando na verdade indicam condições clínicas tratáveis.
“Muitos associam a velhice animal apenas ao fim da vida, quando, na realidade, ela representa uma nova fase que exige cuidados específicos. Quanto mais cedo reconhecemos que o animal está envelhecendo, maiores são as chances de prevenir doenças, controlar a dor e manter a qualidade de vida por muitos anos”, enfatiza Thayná.
Sinais de Dor Crônica e Mudanças de Comportamento

Uma das principais armadilhas no acompanhamento de pets idosos é a subnotificação da dor crônica, especialmente a provocada pela osteoartrite, uma doença degenerativa frequente em cães e gatos.
A professora da UMC orienta os tutores a observarem mudanças sutis na rotina diária do animal:
- Mobilidade: Dificuldade ou lentidão ao levantar, hesitação para subir escadas, pular em sofás ou veículos e redução na disposição para caminhadas;
- Ciclo do Sono: Aumento excessivo do tempo de repouso ou inversão do ciclo circadiano (agitação noturna e sonolência diurna);
- Cognição: Episódios de desorientação espacial, olhar fixo para paredes e alterações de comportamento social.
“É fundamental que os tutores não condicionem essas limitações simplesmente ao avançar da idade. Esses comportamentos frequentemente indicam dor. Muitos desses sinais não são consequência natural do envelhecimento, mas de doenças que possuem tratamento”, pondera a médica-veterinária.
Fisioterapia e Check-ups Semestrais
Por apresentarem um processo de envelhecimento biológico significativamente mais acelerado do que o dos seres humanos, cães e gatos idosos necessitam de uma frequência maior de exames e consultas preventivas.
A especialista recomenda que a avaliação clínica geral seja realizada a cada seis meses, permitindo a identificação precoce de patologias renais, cardíacas, metabólicas ou articulares ainda em estágio assintomático.
Além disso, a reabilitação física e a fisioterapia veterinária ganham papel central na preservação da capacidade funcional do animal:
“Assim como acontece na medicina humana, essas terapias ajudam a preservar a massa muscular, melhorar o equilíbrio, reduzir dores articulares e retardar a perda funcional. O acompanhamento garante o monitoramento da dor, o controle do peso corporal e orientações para adaptações na casa, como a instalação de tapetes antiderrapantes e rampas para evitar quedas”, ressalta.
Recursos Terapêuticos e Autonomia

A medicina veterinária conta atualmente com um portfólio abrangente de intervenções não invasivas e controle multimodal da dor, incluindo hidroterapia, exercícios terapêuticos, laserterapia e acupuntura.
Para a docente da UMC, a conscientização dos tutores é o fator decisivo para transformar a experiência da velhice animal:
“O fator que muda tudo é compreender que envelhecer não significa sofrer. Pequenas mudanças na rotina fazem grande diferença e a procura por ajuda médica deve acontecer antes que os sinais se agravem. Hoje contamos com recursos capazes de manter cães e gatos ativos, independentes e com excelente qualidade de vida”, conclui a professora Thayná Cardoso.
Recomendações Práticas para Cuidados Sênior
- Acompanhamento Clínico: Consultas e check-ups veterinários a cada 6 meses;
- Adaptação do Ambiente: Uso de pisos antiderrapantes, rampas de acesso e camas confortáveis de fácil entrada;
- Manejo de Peso e Nutrição: Dietas balanceadas e formuladas para a fase sênior, evitando a sobrecarga nas articulações;
- Terapias Complementares: Fisioterapia, hidroterapia e acupuntura para preservação da massa magra e alívio de dores articulares.