Vacinação antirrábica combate mito do cachorro louco
Vacinação antirrábica é apontada como principal forma de prevenção da raiva, enquanto especialista explica a origem do mito do cachorro louco em agosto
- Publicado: 18/08/2026 09:54
- Alterado: 18/08/2026 09:54
- Autor: Daniela Penatti
O mês de agosto costuma ser associado à expressão popular “mês do cachorro louco”. O ditado, transmitido ao longo de gerações, alimenta a ideia de que os cães ficariam mais agressivos ou apresentariam maior risco de “loucura” nesse período. A explicação, porém, está relacionada a fatores comportamentais e reprodutivos, enquanto a preocupação real envolve a prevenção da raiva.
A médica-veterinária Kathia Soares, coordenadora técnica da MSD Saúde Animal, explica que o comportamento dos animais em determinadas épocas do ano ajudou a criar a crença. Segundo ela, a presença de fêmeas no cio pode aumentar a interação entre cães. O odor liberado pelas cadelas atrai os machos, que podem disputar espaço e entrar em confrontos, tornando mais frequentes episódios de agitação e brigas.
“Historicamente, em determinadas épocas do ano, a presença de fêmeas no cio favorece uma maior interação entre os animais. O odor liberado pelas cadelas atrai os machos, que podem competir entre si e apresentar comportamento mais agitado, aumentando a ocorrência de brigas. Essa percepção contribuiu para a crença de que os cães ficariam mais agressivos em agosto, mas não existe qualquer relação entre o período e uma suposta ‘loucura’ ou o surgimento espontâneo de doenças”, esclarece.
Vacinação antirrábica ajuda a combater um mito antigo

A associação entre agosto e a chamada “loucura” dos cães também possui uma origem histórica. Em períodos nos quais a raiva apresentava maior incidência e os mecanismos de controle sanitário eram menos desenvolvidos, o aumento de contatos e mordidas entre animais podia favorecer a disseminação do vírus.
Essa coincidência acabou incorporada ao imaginário popular e deu força ao mito do “cachorro louco”. Atualmente, não existem evidências científicas de que agosto provoque aumento dos casos de raiva ou mudanças comportamentais generalizadas nos cães.
Raiva continua sendo uma ameaça à saúde pública

Apesar do mito, a raiva representa um risco concreto. A doença é uma das zoonoses mais antigas e letais conhecidas e é provocada por um vírus da família Rhabdoviridae. Sua taxa de mortalidade é próxima de 100%.
A transmissão pode ocorrer entre animais infectados, seres humanos e outros mamíferos, principalmente por meio da saliva. Mordidas, arranhaduras e lambeduras estão entre as formas de contato que podem permitir a transmissão.
A importância da prevenção voltou a ganhar destaque após a Secretaria Estadual da Saúde confirmar um caso de raiva canina em uma cidade do interior de São Paulo, depois de aproximadamente 30 anos sem registros na região.
O episódio mostra que, embora a doença esteja controlada nas áreas urbanas, o vírus continua circulando entre animais silvestres, incluindo morcegos. Esses animais podem transmitir a infecção a cães e gatos que não estejam devidamente protegidos.
Após o surgimento dos sintomas neurológicos, não há cura para a doença. Entre os sinais estão alterações de comportamento, salivação excessiva, dificuldade para engolir e paralisia. A prevenção, portanto, permanece fundamental.
“A vacinação é recomendada pelas autoridades sanitárias e constitui a principal barreira de proteção. Além de salvar a vida do animal, ela previne a transmissão para as pessoas e garante a segurança da saúde pública”, afirma Kathia Soares.
Agosto e a conscientização sobre a raiva

O mês de agosto deve ser ressignificado no calendário da posse responsável. A crença popular não deve ofuscar o compromisso sanitário permanente que todo tutor deve ter ao longo do ano.
A atualização da carteira de vacinação do animal deve ser uma rotina médica rigorosa. A recomendação dos especialistas é que o tutor utilize esse período como um lembrete para consultar o médico-veterinário e checar as vacinas pendentes. Garantir a dose anual da vacina antirrábica é um ato fundamental de cuidado com o animal e uma responsabilidade direta com a saúde pública coletiva.