USCS foca em saúde mental na Semana da Psicologia
A Semana da Psicologia da USCS reuniu especialistas para debater o impacto climático e o uso de canetas emagrecedoras na saúde mental
- Publicado: 04/09/2026 21:42
- Alterado: 04/09/2026 21:42
- Autor: Gabriel de Jesus
Entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro, a Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) sediou a Semana da Psicologia no campus Barcelona. O evento acadêmico reuniu mais de 200 estudantes de graduação para analisar os novos desafios da profissão, com foco transversal nos impactos das emergências climáticas e na popularização de medicamentos injetáveis para perda de peso.
Emergências climáticas e atuação clínica
A intervenção psicológica frente aos desastres naturais e colapsos territoriais pautou as discussões iniciais do evento. Flavia Roberta Eugenio, coordenadora da subsede Grande ABC do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP – 6ª Região), alertou sobre a urgência de preparar os profissionais para o acolhimento de vítimas de tragédias socioambientais.
Para a gestora do curso de Psicologia da USCS, Fabiana Cristina de Souza, a temática deixou de ser exclusiva de nichos específicos. “O que antes era uma especialidade da área, agora está no dia a dia. Por mais que o profissional atue no seu consultório particular, ele vai se deparar com demandas desse tipo. E aqueles que forem para a área das políticas públicas deverão ter um olhar articulado com a rede”, avalia a professora.
O impacto das canetas emagrecedoras
A crescente utilização de recursos farmacológicos para emagrecimento motivou o painel conduzido por Taís Grespan, presidente executiva da Sociedade Brasileira de Transtornos Alimentares e Obesidade (SOBRATA), em conjunto com Marcela Previato, docente de Nutrição da USCS. O debate centralizou-se nos prejuízos psíquicos gerados quando a medicação é utilizada sob pressão estética e sem acompanhamento multidisciplinar.
As especialistas da USCS e da SOBRATA reforçaram que a “fome emocional” exige atenção profissional redobrada. O tratamento moderno orienta os pacientes a abandonarem ciclos de restrição e culpa, desenvolvendo uma relação mais consciente com a alimentação por meio de técnicas como o mindful eating (atenção plena) e o comer intuitivo.
Dados sobre transtornos e automedicação
O cenário de risco associado ao padrão estético, impulsionado pelo ambiente digital, foi embasado por levantamentos estatísticos apresentados durante a programação:
- Influência digital (PLOS, 2023): Revisão de 50 pesquisas em 17 países aponta que redes sociais focadas em imagem (como Instagram e Snapchat) operam como fatores de risco diretos para transtornos alimentares na juventude, operando via comparação social e pressão estética.
- Aquisição não prescrita: Levantamento do Instituto Locomotiva indica que 4 em cada 10 brasileiros que utilizam canetas emagrecedoras compram os medicamentos sem prescrição médica, recorrendo frequentemente a canais alternativos ou importação irregular.
A jornada de palestras reafirmou o compromisso da USCS em integrar a prática clínica às mudanças socioculturais aceleradas, garantindo que o psicólogo contemporâneo compreenda as complexidades para além do consultório tradicional.