Tim Cook deixa o comando da Apple e um legado de 15 anos

À frente da Apple desde 2011, executivo passa o comando para John Ternus em meio à corrida pela inteligência artificial

Tim Cook deixa o comando da Apple e um legado de 15 anos

Crédito: Créditos das imagens: Reprodução/Apple

Tim Cook encerrou no último dia 31 (agosto) seu ciclo como CEO da Apple, depois de 15 anos à frente de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. O anúncio da sucessão foi feito pela companhia em abril, quando também confirmou que John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware, assumiria o cargo a partir de 1º de setembro. Cook, por sua vez, passará a ocupar a presidência executiva do conselho diretor da Apple.

A mudança marca o fim de uma era que começou em 2011, quando Cook sucedeu Steve Jobs no comando da empresa. Desde então, a Apple ampliou seu portfólio, fortaleceu a área de serviços, criou novas categorias de produtos e passou por uma importante transformação tecnológica com o desenvolvimento de seus próprios chips. Ao mesmo tempo, os últimos anos da gestão foram marcados pelo desafio de acompanhar a velocidade das concorrentes no mercado de inteligência artificial (IA).

Em abril, ao anunciar a transição, Cook afirmou que ocupar o cargo de CEO havia sido um dos maiores privilégios de sua vida. “Eu amo a Apple do fundo do meu coração e sou muito grato por ter tido a oportunidade de trabalhar com uma equipe tão engenhosa, inovadora, criativa e extremamente atenciosa que tem sido inabalável na sua dedicação para enriquecer a vida de nossos clientes e criar os melhores produtos e serviços no mundo”, disse Tim Cook. 

O executivo também destacou sua confiança no sucessor e declarou que “John Ternus tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade e honra. Ele é um visionário com tantas contribuições à Apple ao longo de 25 anos que já perdemos as contas. Sem sombra de dúvida, ele é a pessoa certa para liderar a Apple rumo ao futuro. Não poderia estar mais confiante em suas habilidades e seu caráter, e não vejo a hora de trabalhar com ele nessa transição e no meu novo cargo de presidente do conselho diretor.”

O que mudou na Apple durante a era Tim Cook?

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Créditos das imagens: Reprodução/Apple

Quando Tim Cook assumiu o comando, a Apple já tinha o iPhone, o iPad e o Mac como seus principais produtos, mas a empresa ainda estava fortemente associada ao legado deixado por Steve Jobs. Quinze anos depois, o cenário é bem diferente: o portfólio foi ampliado, os serviços ganharam espaço e novos produtos passaram a fazer parte do ecossistema da companhia.

Entre os lançamentos com mais destaque estão o Apple Watch, lançado em 2015, e os AirPods, apresentados em 2016. A Apple também avançou em serviços como iCloud, Apple Pay, Apple Music e Apple TV, transformando essa área em uma parte importante do negócio. E mais recentemente, a empresa entrou no segmento de computação espacial com o Apple Vision Pro.

A decisão de desenvolver os próprios chips também foi um capítulo marcante para a Apple sob o comando de Cook. A partir de 2020, a companhia iniciou a transição para o Apple Silicon, substituindo os processadores da Intel. A mudança aumentou o controle da companhia sobre uma parte fundamental de seus produtos e passou a integrar ainda mais hardware e software.

Os números ajudam a dimensionar toda essa transformação. Segundo a própria Apple, o valor de mercado da companhia passou de aproximadamente US$ 350 bilhões em 2011 para US$ 4 trilhões durante a gestão de Cook. A receita anual também quase quadruplicou, saindo de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para mais de US$ 416 bilhões em 2025. A empresa ainda ampliou sua presença internacional para mais de 200 países e territórios e a sua base de usuários ativos chegou a mais de 2,5 bilhões de dispositivos.

As dificuldades da Apple para alcançar as rivais na corrida da inteligência artificial

Se a gestão de Cook foi marcada por crescimento e diversificação, os últimos anos também trouxeram um desafio que deve permanecer no centro da estratégia da Apple: a inteligência artificial.

A companhia apresentou o Apple Intelligence em 2024, reunindo recursos de IA em seus dispositivos e sistemas operacionais. Porém, a Apple enfrentou dificuldades para acompanhar o ritmo de empresas como Google e OpenAI que avançaram rapidamente na oferta de ferramentas baseadas em inteligência artificial generativa. Algumas funcionalidades anunciadas pela companhia sofreram atrasos, o que alimentou críticas sobre a velocidade de sua estratégia na área.

Por isso, a sucessão acontece em um momento particularmente importante. Cook deixa uma empresa financeiramente muito maior e com um ecossistema mais diversificado, no entanto também entrega ao próximo CEO a tarefa de definir como a Apple pretende disputar espaço em uma das áreas mais estratégicas da tecnologia atual.

Quem é John Ternus, o novo CEO da Apple?

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John Ternus chega ao cargo de CEO depois de uma longa trajetória dentro da própria Apple. Ele entrou na companhia em 2001, inicialmente na equipe de design de produtos, tornou-se vice-presidente de engenharia de hardware em 2013 e passou a integrar a equipe executiva em 2021. Atualmente, ocupa o cargo de vice-presidente sênior da área.

Ao longo da carreira, Ternus participou do desenvolvimento de diferentes produtos da empresa, incluindo iPad e AirPods, além de diversas gerações de iPhone, Mac e Apple Watch. Também teve participação em iniciativas relacionadas à durabilidade, aos materiais e à redução do impacto ambiental dos produtos. 

A escolha do novo CEO da Apple representa uma mudança interessante no perfil da liderança. Tim Cook chegou ao comando depois de anos ligado às operações da empresa e à organização da cadeia de produção, enquanto John Ternus construiu sua trajetória principalmente na engenharia e no desenvolvimento de hardware. 

No comunicado da Apple, Ternus afirmou que está grato por essa oportunidade. “Tendo passado praticamente toda a minha carreira na Apple, tive a sorte de trabalhar sob a liderança de Steve Jobs e de ter Tim Cook como meu mentor. Tem sido um privilégio ajudar a conceber produtos e experiências que mudaram tanto como interagimos com o mundo e uns com os outros. Estou bastante otimista com o que podemos conquistar nos próximos anos e muito feliz de saber que as pessoas mais talentosas do planeta estão aqui na Apple, determinadas a ser parte de algo maior do que qualquer um de nós. Com humildade, assumo essa função e prometo liderar com os valores e a visão que vieram a definir este lugar especial durante meio século,” declarou o novo CEO.

A partir de setembro, será responsabilidade dele conduzir a próxima fase da companhia. E, entre os principais desafios, está justamente transformar a experiência acumulada pela Apple em uma estratégia capaz de competir no ritmo acelerado da inteligência artificial.

Depois de 15 anos, Tim Cook deixa o cargo de CEO de uma Apple muito diferente daquela que assumiu em 2011. Seu legado inclui uma expansão expressiva da empresa, novos produtos, crescimento dos serviços e uma maior integração entre as tecnologias desenvolvidas internamente. Agora, com John Ternus no comando, começa um novo capítulo e a forma como a Apple responderá à corrida pela IA pode definir boa parte do futuro da empresa.

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  • Publicado: 07/09/2026 17:33
  • Alterado: 07/09/2026 17:33
  • Autor: Érica Oliveira/Plataformanet