São Paulo atinge melhor nota da história no Pisa 2025
Avaliação da OCDE divulgada nesta terça (8) aponta que o Estado de São Paulo superou a média do Brasil em ciências, leitura e matemática
- Publicado: 08/09/2026 11:22
- Alterado: 08/09/2026 11:22
- Autor: Daniela Ferreira
A educação pública e privada do Estado de São Paulo registrou o seu melhor desempenho histórico no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) na edição de 2025. Os resultados, divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na manhã desta terça-feira (8), mostram que os estudantes paulistas superaram a média nacional do Brasil em todas as três áreas avaliadas: ciências, leitura e matemática.
O levantamento marcou a volta da divulgação de dados regionalizados (por estados) pela OCDE, algo que não acontecia há uma década.
O foco principal do ciclo de 2025 foi a área de Ciências. Neste quesito, que mediu a capacidade de interpretar dados científicos e compreender fenômenos climáticos e ambientais, São Paulo alcançou a marca de 443 pontos, superando com folga a média nacional de 409 pontos. O resultado também aponta um salto qualitativo em relação a 2015, com um crescimento de 34 pontos.
A trajetória de alta se repetiu nas outras disciplinas. Em Leitura, o estado obteve 434 pontos (frente a 408 do Brasil), um aumento de 17 pontos na comparação com a avaliação de uma década atrás. Já em Matemática, a nota paulista foi de 404 pontos (contra 377 do índice nacional), o que representa um crescimento de 18 pontos.
Reconhecimento Internacional

O avanço expressivo rendeu elogios diretos da cúpula da OCDE. O estatístico, pesquisador e criador do Pisa, Andreas Schleicher, destacou que o desempenho paulista é um indicativo de sucesso na aplicação prática do ensino.
“São Paulo alcançou um resultado muito significativo no Pisa. Isso mostra que, quando o currículo conecta a aprendizagem à vida real dos estudantes e as escolas contam com as condições e os instrumentos necessários para ensinar com eficácia, é possível alcançar avanços concretos na aprendizagem”, declarou Schleicher.
Reformulação Curricular e Recomposição
Segundo a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), o salto histórico reflete uma série de mudanças estruturais iniciadas em 2023. A pasta promoveu a atualização das matrizes curriculares, reduzindo os itinerários formativos do Ensino Médio de 11 para apenas três opções mais focadas: Exatas, Humanas e Ensino Médio Técnico.
Houve também um aumento na carga horária semanal de língua portuguesa e matemática, além da inserção da disciplina de educação financeira e aulas de “projeto de vida” em todas as escolas da rede.
Para enfrentar a defasagem de aprendizado herdada da pandemia, o Estado implementou o programa de Tutoria de Aprendizagem para turmas do 6º ao 9º ano. O modelo, que foi validado por pesquisadores da Universidade de Stanford, já apresenta resultados expressivos: as avaliações diagnósticas aplicadas no 1º e 2º semestres deste ano (2026) indicam que os estudantes em tutoria evoluíram de 1,7 a 2,9 vezes mais rápido do que a média regular.
Expansão do Ensino Técnico

A idade dos estudantes avaliados pelo Pisa (15 anos) coincide com um momento decisivo de transição no modelo paulista, quando o jovem define seu itinerário para a 2ª série do Ensino Médio.
Para atrair e preparar esses jovens para o futuro e o mercado de trabalho, o Governo de São Paulo promoveu uma forte expansão na oferta de formação técnica. O número de matrículas no Ensino Médio Técnico saltou de 35 mil estudantes em 2023 para 231 mil no início de 2026. A meta oficial da gestão é atingir 350 mil vagas até 2027.
“É quando o estudante decide pela escolha do itinerário e está estudando, também, para concorrer a oportunidades como o intercâmbio do programa Prontos pro Mundo. Essa também é a época em que eles são avaliados pelo Pisa e estão mostrando que a educação está preparando eles para a vida”, destacou o secretário estadual da Educação, Renato Feder.
Como funciona a avaliação
Diferente de exames nacionais como o Saeb e o Saresp, que medem a absorção do conteúdo da grade curricular por série, o Pisa tem um foco prático: ele avalia a capacidade de jovens de 15 anos de aplicarem os conhecimentos escolares para resolver problemas do cotidiano (letramento prático).
A prova é aplicada de forma amostral e ocorre a cada três anos, alternando o foco principal entre as disciplinas. No Brasil, o exame avaliou 30.140 estudantes matriculados a partir do 7º ano do Ensino Fundamental. Destes, 2.239 eram alunos de escolas paulistas selecionados por sorteio.
A edição de 2025 também inovou ao incluir testes inéditos sobre aprendizagem no mundo digital (Learning in the Digital World – LDW) e proficiência em língua inglesa. Os relatórios detalhados com os resultados destas duas novas áreas serão divulgados pela OCDE em uma data posterior.