Pobreza e desigualdade são maiores desafios para jovens no Brasil
Levantamento global da Ipsos revela que a crise socioeconômica e a qualidade do ensino lideram as preocupações da juventude no país.
- Publicado: 08/09/2026 16:56
- Alterado: 08/09/2026 16:56
- Autor: Thiago Antunes
A pobreza e a desigualdade socioeconômica compõem a principal barreira enfrentada pelos jovens brasileiros na atualidade. A constatação fundamenta a nova edição do Education Monitor 2026, estudo global conduzido pela Ipsos. O levantamento indica que 43% da população aponta esses obstáculos econômicos como os maiores desafios, índice 14 pontos percentuais superior à média global.
O resultado coloca o Brasil ao lado de vizinhos sul-americanos fortemente marcados por disparidades estruturais. Os números se assemelham à realidade observada na Argentina (48%), na Colômbia (47%) e no Peru (44%). No cenário mundial, a preocupação prioritária da sociedade recai sobre a saúde mental.
Impactos da pobreza na mobilidade social
O contexto econômico nacional restringe a confiança na ascensão de classes. Apenas 39% dos brasileiros acreditam que jovens de origem mais pobre têm um futuro promissor, um reflexo direto da falta de políticas públicas efetivas. A maioria do país enxerga enormes dificuldades de mudança de vida para quem nasce em regiões vulneráveis.
“Os resultados mostram que, no Brasil, falar sobre o futuro dos jovens exige considerar as desigualdades que condicionam seu acesso à educação, à segurança e às oportunidades profissionais”, avalia Rosi Rosendo, diretora de opinião pública na Ipsos.
A fuga da pobreza direciona as perspectivas profissionais para fora do território nacional. A pesquisa aponta que 61% dos brasileiros avaliam que morar no exterior garante mais oportunidades para a juventude. A descrença afeta também a percepção de segurança, já que somente 30% consideram o Brasil um país seguro para os mais novos.
Educação em xeque e o peso do ensino superior
O diagnóstico sobre o sistema de ensino reflete um descontentamento persistente. O relatório revela que 43% consideram a educação brasileira ruim, marca superior à média dos outros 31 países analisados. A insegurança avança também para os meios virtuais, resultando no apoio de grande parte da população à proibição do uso de redes sociais por menores de 14 anos.
Apesar das críticas estruturais, o ensino superior permanece valorizado como rota de ascensão de carreira e superação das desigualdades econômicas. Um diploma universitário ajuda a pessoa a progredir profissionalmente na visão de 70% dos brasileiros, número elevado perante os padrões internacionais.
A reversão desse cenário de desesperança passa diretamente por melhorias estruturais no mercado e na academia. O enfrentamento contínuo à pobreza exige a criação de um ambiente educacional mais qualificado e a geração de oportunidades econômicas reais para o pleno desenvolvimento das novas gerações no país.