PF deflagra Operação El Dorado no ABC e no Litoral
Com mandados em São Bernardo e São Vicente, PF combate grupo suspeito de tráfico humano para a França
- Publicado: 27/08/2026 18:32
- Alterado: 27/08/2026 18:32
- Autor: Daniela Ferreira
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (27), a Operação El Dorado para desarticular uma organização criminosa suspeita de aliciar mulheres brasileiras e enviá-las ao Sul da França para fins de exploração sexual. Agentes federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão nos municípios de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e em São Vicente, no Litoral Paulista.
A investigação foi iniciada a partir de cooperação internacional direta entre a Polícia Federal e as autoridades policiais e judiciárias francesas.
Logística do Tráfico e Modus Operandi
Segundo os dados colhidos pelas equipes de investigação, o grupo estruturou uma rede logística completa para viabilizar a transferência das vítimas para o continente europeu.

As atribuições do grupo criminoso englobavam:
- Emissão de Documentação: Providência de passaportes e documentação necessária para ingresso na Europa;
- Custeio de Logística: Compra de passagens aéreas e reserva de hospedagens em território francês;
- Divulgação do Serviço: Criação, financiamento e veiculação de anúncios em plataformas locais no Sul da França para a contratação dos serviços sexuais.
Medidas Cautelares e Bloqueio de R$ 10 Milhões
Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça Federal em São Paulo determinou a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão contra três investigados apontados como operadores da rede:
- Retenção de Passaportes: Entrega obrigatória dos documentos de viagem e proibição formal de ausentar-se do país;
- Monitoramento Eletrônico: Instalação e uso contínuo de tornozeleiras eletrônicas;
- Compromisso Processual: Comparecimento periódico a todos os atos do processo judicial e das investigações.
Para desidratar o patrimônio financeiro do esquema, a Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 10 milhões em contas bancárias, ativos financeiros, imóveis e veículos pertencentes a dois dos investigados principais e a empresas vinculadas ao grupo.
Os envolvidos respondem, na medida de suas participações, pelos crimes de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual e organização criminosa.