Outubro Rosa: mamografias caem entre mulheres acima de 50
Campanha do Outubro Rosa reforça alerta para a regularidade da mamografia no SUS diante do aumento de casos de câncer de mama projetados
- Publicado: 28/09/2026 15:08
- Alterado: 28/09/2026 15:08
- Autor: Daniela Ferreira
Às vésperas de mais uma campanha do Outubro Rosa, um levantamento estatístico elaborado pela Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde (FIDI) revela uma mudança expressiva no perfil etário das mulheres que realizam mamografia no Brasil.
Ao comparar o período de janeiro a julho de 2024 com o mesmo intervalo de 2026, a instituição identificou um aumento de 28,1% na realização do exame na faixa dos 40 aos 49 anos.
Em contrapartida, os dados analisados para este Outubro Rosa apontam uma retração superior a 20% no grupo de 50 a 69 anos — justamente a faixa etária em que a literatura médica e os órgãos internacionais de saúde indicam o maior benefício do rastreamento para a redução da mortalidade pelo câncer de mama.
O estudo da FIDI destaca uma queda de aproximadamente 11% no volume geral de exames preventivos realizados pela entidade no período analisado.
Por outro lado, o levantamento indicou o crescimento das mamografias de caráter diagnóstico procedimento utilizado para investigar alterações já perceptíveis na mama.
Apenas no primeiro semestre de 2026, o volume desse tipo de exame superou em 5,1% o total registrado em todo o ano de 2025, evidenciando que muitas mulheres esperam os primeiros sinais de alerta para buscar atendimento, no lugar de aproveitar o foco de conscientização do Outubro Rosa para manter o acompanhamento de rotina em dia.

Diretrizes do SUS, estimativas do INCA e o fantasma da dor
A variação no comportamento do público feminino ocorre após a consolidação das diretrizes do Ministério da Saúde que passaram a assegurar a oferta da mamografia a partir dos 40 anos no Sistema Único de Saúde (SUS), mediante decisão compartilhada entre a paciente e o médico.
Entretanto, médicos reforçam no Outubro Rosa que a ampliação do acesso às mulheres mais jovens não pode resultar no abandono do rastreamento pelas faixas etárias subsequentes, nas quais a incidência da doença é estatisticamente mais elevada.
A necessidade de manter a assiduidade nos exames ganha ainda mais relevância diante do panorama epidemiológico nacional trazido a público no Outubro Rosa.
A publicação Estimativa 2026: Incidência de Câncer no Brasil, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), projeta o surgimento de 78.610 novos casos anuais de câncer de mama no país entre 2026 e 2028.
O tumor de mama permanece como a neoplasia maligna mais frequente entre a população feminina brasileira, representando cerca de 30% de todos os diagnósticos de câncer em mulheres, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.

Estudos de longo prazo reforçam que a falha em realizar a mamografia preventiva na periodicidade correta eleva substancialmente os riscos de o tumor ser descoberto em estágios avançados, o que reduz as chances de cura e exige tratamentos mais agressivos.
Médicos radiologistas explicam que barreiras culturais e receios infundados como o medo da dor decorrente da compressão das mamas, o pavor de um diagnóstico positivo, mitos sobre a radiação e a falsa sensação de segurança gerada pela ausência de sintomas físicos continuam afastando milhares de brasileiras dos centros de diagnóstico, reforçando o papel educativo do Outubro Rosa.
“O acompanhamento deve continuar de forma regular mesmo após exames negativos, pois é a continuidade que garante a identificação precoce”, orienta Vivian Milani, médica radiologista da FIDI.
“Procurar atendimento antes do surgimento de sintomas transforma o diagnóstico e amplia as chances de cura”, conclui a especialista.