Muse: nova IA da Meta acessa apps, envia e-mails e faz compras

Assistente da Meta gerencia viagens e e-mails de forma autônoma, porém testes internos revelam exposição de dados e bugs preocupantes.

Muse: nova IA da Meta acessa apps, envia e-mails e faz compras

Crédito: Divulgação/Meta

A Meta lançou nesta terça-feira (8) nos Estados Unidos o Muse, assistente de inteligência artificial projetado para executar tarefas autônomas. A ferramenta gerencia e-mails, reservas de viagens e pagamentos diretamente nos aplicativos autorizados pelo usuário.

O Muse opera em um aplicativo próprio e também possui integração com o WhatsApp. A expectativa da empresa é conectar a tecnologia aos seus óculos inteligentes em curto prazo, ampliando as possibilidades de interação no dia a dia.

Os usuários escolhem quais aplicativos a IA pode acessar, com a opção de revogar permissões a qualquer momento. A conexão com serviços de terceiros levanta debates sobre os riscos para a privacidade caso o agente execute ações indevidas de forma automatizada.

Desempenho do Muse e falhas de segurança

Avaliações de funcionários apontam resultados mistos na operação da ferramenta, relatando falhas específicas de confiabilidade do Muse durante a organização de tarefas. Publicações internas indicam que o sistema sofreu desconexões sem explicação e enviou informações confidenciais sem o consentimento dos testadores.

O diretor de tecnologia da Meta, Andrew Bosworth, precisou refazer o login diversas vezes em poucos minutos durante o uso. Um outro testador relatou que o sistema parou de atualizar a página após cerca de 15 minutos ao tentar monitorar a compra de ingressos.

Outros testes registraram problemas críticos de privacidade. A plataforma causou a exposição de fotos pessoais armazenadas no iCloud após receber o comando para identificar brinquedos visíveis em imagens de uma festa infantil, contornando proteções do sistema da Apple.

Inspiração técnica e metas corporativas

Conhecido na fase de desenvolvimento como Hatch, o sistema se baseia no código do OpenClaw, projeto de código aberto que viralizou no início do ano. O lançamento da Meta sofreu um atraso em relação à previsão inicial de abril para adequação aos requisitos internos de segurança.

É impossível afirmar que nunca haverá um erro, mas cada parte da arquitetura foi projetada para tornar o produto o mais seguro, protegido e privado que for possível”, explicou o vice-presidente de produtos de IA da Meta, Vishal Shah.

O projeto integra a estratégia central do CEO da Meta, Mark Zuckerberg, para criar e oferecer serviços automatizados e preditivos de alcance global. O desenvolvimento do Muse continua em fase de adaptação para buscar o equilíbrio ideal entre a automação avançada e a proteção efetiva dos dados dos usuários.

Thiago Antunes

  • Publicado: 09/09/2026 15:08
  • Alterado: 09/09/2026 15:09
  • Autor: Thiago Antunes