Mortes violentas no Brasil caem 8,4% e atingem menor nível em 14 anos

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram redução das mortes violentas intencionais em 2025, mas apontam alta da letalidade policial.

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, uma redução de 8,2% em relação ao ano anterior. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que a taxa de assassinatos ficou abaixo de 20 por 100 mil habitantes pela primeira vez desde 2012.

Foram 3.445 vítimas a menos na comparação direta com 2024. O resultado consolida a trajetória de retração contínua na estatística criminal que o país vivencia desde 2018.

A categoria monitorada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública engloba homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. O indicador busca refletir a realidade da criminalidade nacional com maior precisão.

Letalidade policial impulsiona mortes violentas do Estado

Todas as categorias de crimes contra a vida apresentaram recuo no último ano, com exceção das intervenções das forças de segurança. A letalidade policial subiu 5,4% e vitimou 6.602 pessoas em todo o território nacional.

Este volume representa o maior número absoluto documentado desde o início do acompanhamento histórico. As estatísticas comprovam que as mortes violentas crescem na contramão da tendência nacional quando envolvem agentes do Estado.

O Amazonas destacou-se com a retração mais expressiva do país, encolhendo os assassinatos em 32%. O panorama geral aponta que o país reduziu o índice de violência letal em 31% ao longo de 14 anos.

Facções criminosas alteram o mapa territorial do crime

Sete unidades da federação registraram avanço da criminalidade letal, lideradas pelo Rio Grande do Norte, com alta de 19,6%. Rondônia, Acre, Distrito Federal, Roraima, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro também apresentaram agravamento nos indicadores.

“Os estados que não tiveram redução, na verdade, são estados em que a gente verifica um conflito maior dentro das dinâmicas criminais organizadas”, explica David Marques, gerente de programas do Fórum.

O especialista atribui a piora potiguar às disputas ativas por território entre organizações do narcotráfico. A expansão do Comando Vermelho no Norte e Nordeste altera diretamente a incidência de mortes violentas nas regiões afetadas.

Cidades nordestinas concentram as maiores taxas

O Amapá manteve o posto de estado mais perigoso, com taxa de 42,5 vítimas a cada 100 mil habitantes. Na ponta oposta, Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal exibiram índices abaixo de 10.

Das dez cidades com os piores indicadores, quatro localizam-se na Bahia e três no Ceará. Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza, lidera o ranking nacional de violência pelo segundo ano consecutivo.

Moradores locais sofrem restrições de circulação impostas ostensivamente pelo tráfico. As vias do município cearense exibem pichações com regras ditadas por facções, exigindo que motoristas baixem os vidros dos veículos e retirem capacetes.

O Nordeste possui o indicador regional mais alto do país, com 31,6 vítimas por 100 mil pessoas. O Centro-Oeste acumulou a maior diminuição histórica ao cortar suas taxas pela metade em pouco mais de uma década.

O Sul assumiu a posição de região mais pacífica, com taxa de 11,9. O avanço contínuo dos feminicídios e da força letal do Estado demonstra que a diminuição geral das mortes violentas não beneficia a sociedade de forma igualitária.

  • Publicado: 23/07/2026 11:11
  • Alterado: 23/07/2026 11:11
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FolhaPress