MITsp traz espetáculos da África, Ásia, Oriente Médio e América do Sul

Um dos principais eventos de artes cênicas do país, a MITsp conta com artistas nacionais e internacionais em atividades de seus quatro eixos principais: Mostra de Espetáculos, Ações Pedagógicas, Olhares Críticos e MITbr - Plataforma Brasil

  • Data: 01/02/2024 13:02
  • Alterado: 01/02/2024 13:02
  • Autor: Redação
  • Fonte: MITsp
mitsp

Cena de Broken Chord [Acorde Rompido], dos artistas sul-africanos Gregory Maqoma e Thuthuka Sibisi, espetáculo que abre a mostra no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros

Crédito:Thomas Muller

Você está em:

A MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo realiza sua nona edição entre os dias 1º e 10 de março de 2024. A programação conta com nove montagens internacionais, uma estreia nacional, dez espetáculos na MITbr – Plataforma Brasil e uma diversa grade de oficinas, debates e conversas ao longo dos dez dias de evento. A abertura acontece no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, com o espetáculo Broken Chord [Acorde Rompido], com concepção dos artistas sul-africanos Gregory Maqoma e Thuthuka Sibisi.

Em 2024, a MITsp tem apresentação da Redecard, Sabesp e Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. A mostra tem correalização do Sesi, Consulado Francês, Instituto Francês, Centro Cultural Coreano no Brasil e Goethe Institut; e copatrocínio do IBT – Instituto Brasileiro de Teatro. A realização do evento é da Olhares Cultural, ECUM Central de Produção, Itaú Cultural, Sesc SP e Ministério da Cultura – Governo Federal.

Antonio Araujo, diretor artístico, e Guilherme Marques, diretor geral, idealizadores da Mostra, mantém a ideia inicial de apresentar em todos os eixos (Mostra de Espetáculos, Ações Pedagógicas, Olhares Críticos e MITbr – Plataforma Brasil) uma seleção de trabalhos e atividades cujas pesquisas cênicas e/ou temas abordados trazem provocações sobre nosso tempo. Atualmente, a direção institucional é realizada pelo ator e gestor cultural Rafael Steinhauser.

Nesta edição, a MITsp privilegia artistas, grupos e pesquisadores/as da África, Ásia, Oriente Médio e América Latina. “A Mostra sempre contou com artistas desses locais, que trazem novas teatralidades e formas de imaginar a cena, como o uso da música e a representação de rituais no palco. Porém, em 2024, quisemos expandir tais presenças. Neste sentido, a curadoria intensificou a perspectiva decolonial já presente nas edições anteriores”, afirma Araujo.

Para os diretores, as discussões que atravessam os trabalhos apresentam novos olhares para questões como memória, racismo, transfobia, identidade, conhecimento, colonialismo, entre outros. Pela primeira vez, a dança e a performance ocupam lugar de destaque nos trabalhos selecionados, combinadas ao teatro e à música.

Desde a primeira edição, em 2014, a MITsp já apresentou 158 espetáculos entre nacionais e internacionais, de 46 países, em mais de 400 sessões, a um público aproximado de 170 mil pessoas. As Ações Pedagógicas e os Olhares Críticos reuniram ao longo dos anos mais de 200 convidados em oficinas, seminários, debates, entre outras atividades.

Programação

O Artista em Foco deste ano será o diretor e compositor sul-coreano Jaha Koo, jovem artista e um expoente das artes cênicas, com apresentação de sua Trilogia Hamartia: Lolling and Rolling, Cuckoo e A História do Teatro Ocidental Coreano. “Hamartia”, palavra de origem grega, pode ser traduzida por “falha ou defeito trágico”, conceito que costura de forma distinta os trabalhos, com temas que discutem o choque entre as culturas oriental e a ocidental e seu impacto na vida das pessoas.  

Contado pela Minha Mãe, de Ali Chahrour, do Líbano, mistura dança, teatro e música para contar a história de uma mãe que se nega a acreditar na morte do filho e cria uma série de poemas e canções para ele ouvir quando retornar. 

DaÁfrica do Sul, Broken Chord [Acorde Rompido], de Gregory Maqoma e Thuthuka Sibisi, faz a abertura da Mostra e a coreografia une dança e música tradicionais africanas à dança contemporânea e música clássica europeia. Lado a lado, essas diferentes formas de linguagem tratam de forma poética sobre colonialismo, apartheid e conhecimento. Do mesmo país, o solo O Circo Preto da República Bantu, de Albert Ibokwe Khoza, aborda o racismo e a violência contra os corpos negros ao contar a história dos zoológicos humanos, que ocorreram na Europa entre 1870 e 1960.  

Em tom ácido e alegre, Profético (nós já nascemos), de Nadia Beugré, artista da Costa do Marfim, fala das relações dos corpos negros, da transsexualidade e o preconceito em diferentes formas. 

Dois espetáculos da Argentina estreiam na MITsp: PERROS – Diálogos Caninos, de Monina Monelli em parceria com os brasileiros Celso Curi e Renata Melo, cuja proposta apresenta os conflitos e os afetos da relação humana com os cachorros; e Wayqeycuna [Meus Irmãos], de Tiziano Cruz, promove um reencontro com suas origens, tendo como ponto de partida os quipus (colar feito de algodão ou lã de lhama e alpaca e nós), tecidos pelas mulheres andinas como memoriais. 

Assim como em anos anteriores, em que fez estreias nacionais de artistas brasileiros como Janaina Leite, Renata Carvalho, Wagner Schwartz, Gabriela Carneiro da Cunha, Eduardo Okamoto e Alexandre Dal Farra, a MITsp faz, em 2024, a estreia de um novo trabalho do Ultralíricos, Agora tudo é tão velho – Fantasmagoria IV, com direção de Felipe Hirsch.

MITbr – Plataforma Brasil

A MITbr – Plataforma Brasil foi criada em 2018 como um dos eixos da MITsp, um programa de internacionalização das artes cênicas brasileiras. Desde então, a cada edição, diferentes curadores independentes selecionam projetos com um recorte do teatro, dança e performance, em um esforço para abarcar diferentes regiões do Brasil e temas urgentes de nosso tempo.  

Anualmente, são convidados curadores para selecionar entre 10 e 12 trabalhos a partir de um corpo de inscritos que, desde a primeira edição, ultrapassou a marca de 400 obras de teatro, dança e performance. Almeja-se assim mostrar um recorte da diversidade e excelência da cena brasileira. 

Este ano, a curadoria de Marise Maués, Cecilia Kuska e Marcelo Evelin analisou446 inscrições, de 19 estados brasileiros, Distrito Federal e países da América Latina. Foram escolhidos dez trabalhos que terão a oportunidade de se apresentar para curadores nacionais e internacionais, um passo importante para a expansão do reconhecimento das artes cênicas brasileiras, fomentando sua circulação e visibilidade. Este ano, estão confirmados cerca de 80 programadores internacionais e nacionais.  

A MITbr – Plataforma Brasil selecionou para esta nona edição da MITsp os seguintes trabalhos: Ané das Pedras, da Coletiva Flecha Lançada Arte (CE/AL), EU NÃO SOU SÓ EU EM MIM – Estado de Natureza – Procedimento 01, Grupo Cena 11 (SC), Gente de Lá, de Wellington Gadelha (CE); O que mancha, de Beatriz Sano e Eduardo Fukushima (SP), Meu Corpo Está Aqui, de Fábrica de Eventos (RJ); Preta Rainha, de Cia. Dita (CE); Dança Monstro, de Companhia dos Pés (AL); Lança Cabocla, Plataforma Lança Cabocla (MA/CE/BA/SP); 7 Samurais, de Laura Samy (RJ) e Eunucos, de Irmãs Brasil (SP/RJ).

Programação completa no site

Compartilhar:

  • Data: 01/02/2024 01:02
  • Alterado: 01/02/2024 01:02
  • Autor: Redação
  • Fonte: MITsp









Copyright © 2023 - Portal ABC do ABC - Todos os direitos reservados