Mães atípicas compartilham histórias em projeto do Cuidar
Mães atípicas encontram acolhimento em São Caetano do Sul no grupo Escrevivências do Cuidar, que promove escrita terapêutica e apoio
- Publicado: 18/06/2026 17:09
- Alterado: 18/06/2026 17:10
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: PMSCS
Terapias constantes, adaptações diárias, estudos sobre a condição e a defesa ativa dos direitos dos filhos fazem parte da rotina de mães atípicas, que enfrentam desafios contínuos no cuidado de crianças e adolescentes com transtornos do neurodesenvolvimento. Para aliviar uma rotina que, em muitos casos, beira a exaustão, o Cuidar (Complexo Unificado de Inclusão, Desenvolvimento, Apoio e Reabilitação) Jorge Martins Salgado, em São Caetano do Sul, criou o Grupo Escrevivências.
Conceito de escrevivência e inspiração em Conceição Evaristo
O objetivo da iniciativa é promover acolhimento e convívio entre pais e responsáveis por meio da contação e do registro de histórias e experiências com os filhos. As narrativas são organizadas em forma de crônicas, permitindo reflexão coletiva e troca de experiências.
Escrevivência é um conceito criado pela escritora Conceição Evaristo, que define uma forma de escrever a partir das próprias vivências, atravessadas por marcadores sociais como gênero, raça e classe. A proposta, aplicada no grupo, transforma relatos individuais em produção coletiva de sentido.
Mães atípicas e a construção de um espaço horizontal de cuidado
“É um método leve de saúde, que traz uma abordagem horizontalizada de promoção de cuidado entre profissionais e participantes”, destaca a terapeuta ocupacional Juliana Morgan, responsável pela aplicação do conceito no Cuidar. Segundo ela, o espaço também funciona como um resgate das histórias individuais de cada participante, ampliando o olhar para além da função de cuidador.
Nesse contexto, as mães atípicas encontram um ambiente de escuta e compartilhamento, no qual suas experiências deixam de ser vividas de forma isolada e passam a ser reconhecidas coletivamente.
Encontros semanais, sigilo e produção de memória coletiva
O grupo se reúne semanalmente para compartilhar e registrar vivências. Embora atualmente seja formado exclusivamente por mulheres, mães e avós, a participação também é aberta a homens.
Pacientes e responsáveis têm seus nomes alterados nas crônicas para garantir sigilo e proteção das famílias envolvidas. A proposta final é a produção de um livro reunindo todas as narrativas construídas ao longo dos encontros.
“A ideia é que a gente faça um livrinho no final reunindo todas as crônicas do grupo”, finaliza Juliana, reforçando o caráter coletivo da experiência oferecida às mães atípicas.