Lacres de 27 dispositivos do caso Dark Horse tinham falhas, diz perícia
Equipamentos de produtora investigada foram devolvidos para nova selagem após laudo apontar risco de manipulação de dados.
- Publicado: 14/09/2026 07:47
- Alterado: 14/09/2026 07:47
- Autor: Thiago Antunes
A perícia da Polícia Civil de São Paulo identificou irregularidades na selagem de 27 dispositivos eletrônicos apreendidos na produtora do filme Dark Horse. Os equipamentos recolhidos na operação de junho apresentaram brechas físicas que permitiam a conexão de cabos e a remoção de peças sem o rompimento do lacre oficial.
O laudo técnico apontou o problema estrutural nas embalagens de 9 notebooks, 5 celulares e 13 pen drives. Os itens pertencem à Go Up Entertainment, empresa administrada por Karina Ferreira da Gama, investigada por supostos desvios no Instituto Conhecer Brasil (ICB).
Investigação de desvios para o longa Dark Horse

A ação policial deflagrada averigua suspeitas de fraudes em um contrato de R$ 108 milhões por ano com a Prefeitura de São Paulo focado na instalação de internet nas periferias. A polícia apura se recursos públicos financiaram a produção de Dark Horse, cinebiografia que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A perita criminal Viviane Menezes detalhou as falhas encontradas nos pacotes enviados inicialmente pela equipe tática. “As guias apresentam vão suficiente para entrada de cabo de alimentação e transferência de dados, sendo possível a manipulação dos dados no interior do equipamento”, afirmou a especialista em ofício.
Após a identificação dos riscos, os objetos retornaram à 2ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Crimes Contra a Administração Pública para readequação dos invólucros e garantia da cadeia de custódia. Os aparelhos ficaram aguardando análise até o final de julho devido à alta demanda do Instituto de Criminalística.
Compartilhamento de dados federais
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o levantamento do sigilo do processo e autorizou o compartilhamento imediato das evidências com a Polícia Federal. Os documentos públicos confirmam a extração dos dados eletrônicos, mas não atestam se houve violação efetiva das informações nos dias em que as embalagens apresentavam frestas.
O cronograma do serviço municipal sob responsabilidade do ICB previa 5 mil pontos de wi-fi gratuito até junho de 2025, registrando atrasos contínuos e entrega de apenas 3.200 conexões ativas. O rastreamento financeiro tentará provar se as verbas desviadas da infraestrutura urbana paulistana custearam a operação da equipe do título Dark Horse.