Hospital de Clínicas realiza simulado de emergência
O Hospital de Clínicas de São Bernardo realizou simulado de atendimento a múltiplas vítimas com mobilização de 28 setores e resgate
- Publicado: 28/09/2026 21:17
- Alterado: 28/09/2026 21:17
- Autor: Gabriel de Jesus
O Hospital de Clínicas de São Bernardo realizou, neste domingo (27), um simulado prático de atendimento a Incidentes com Múltiplas Vítimas (IMV). Conhecido institucionalmente como Código Marrom, o protocolo é acionado em cenários de catástrofe ou emergências de grande porte para estruturar fluxos de socorro, otimizar recursos e organizar responsabilidades entre as equipes. A atividade mobilizou cerca de 28 setores da unidade de saúde.
A simulação reproduziu o cenário de um acidente envolvendo um ônibus com princípio de incêndio e 30 vítimas. O exercício avaliou a agilidade e a capacidade de resposta das equipes diante de uma demanda simultânea de pacientes com diferentes níveis de gravidade. A operação durou aproximadamente 1h20 e contou com o apoio de quatro ambulâncias e equipes de resgate na área externa do Hospital de Clínicas.
Triagem e distribuição dos feridos no atendimento

Para aproximar o exercício da realidade, os 30 participantes interpretaram pacientes em diferentes estados clínicos. A classificação de risco registrou nove vítimas em estado grave, 15 em estado intermediário (amarelas) e seis com ferimentos leves (verdes). Os Bombeiros Civis atuaram na retirada dos ocupantes do veículo e no transporte até uma zona segura, onde o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) fez a regulação dos casos.
Durante a ação, quatro pacientes foram transferidos para o Hospital de Câncer Padre Anchieta e uma gestante foi direcionada ao Hospital da Mulher. A técnica de enfermagem Rosângela Clementino Pessoa, que atuou como uma das vítimas no treinamento, ressaltou a dinâmica do trabalho de campo:
“Foi muito bom participar. O que mais me chamou a atenção foi a agilidade de toda a equipe durante o atendimento. É importante a gente estar preparado para um tipo de emergência e urgência, para poder agilizar os atendimentos. Prepara bastante a equipe”, relatou Rosângela.
Integração entre unidades e forças de resgate
O treinamento integrou o Hospital de Clínicas a outras unidades da rede municipal, como o Hospital de Urgência (HU), o Hospital da Mulher e o Hospital de Câncer Padre Anchieta. Segundo os organizadores, o alinhamento de comunicação entre o atendimento pré-hospitalar e as portas de entrada hospitalares é determinante para reduzir danos e complicações aos feridos.
O supervisor da equipe de Bombeiros do Complexo de Saúde, Leonardo Cesar Rodrigues, explicou a importância do treinamento operacional:
“Essa simulação é um treinamento para que os bombeiros possam colocar em prática as técnicas de retirada de vítimas. Para quem atua na linha de frente operacional e no resgate, o treinamento e o aperfeiçoamento precisam ser constantes”, destacou Leonardo.
O coordenador de Transporte Sanitário e Regulação do município, Almerindo Cardoso de Barros, reforçou o papel da integração na rede de urgência:
“Esse tipo de treinamento é realizado o mais próximo possível da realidade. A interatividade entre o hospital, que está preparado para receber as vítimas graves, e o SAMU, que realiza o atendimento e o encaminhamento, é fundamental para que as vítimas tenham o menor impacto possível em suas lesões”, afirmou Almerindo.
Gestão do fluxo hospitalar e continuidade dos serviços
Além do fluxo de urgência externa, a atividade testou a capacidade do Hospital de Clínicas de absorver uma alta demanda sem interromper a assistência aos pacientes internados. Setores assistenciais, administrativos, recepção, controle de acesso e segurança precisaram reorganizar a rotina simultaneamente.
A coordenadora administrativa Kelly Uchoa Costa ressaltou a complexidade de manter as operações normais do Hospital de Clínicas durante o exercício:
“O principal desafio foi justamente conciliar o simulado com a continuidade da assistência. Toda a estrutura foi planejada para que pudéssemos realizar o exercício sem interferir na segurança e no atendimento dos pacientes que já estavam no hospital. Isso exigiu bastante organização, comunicação e integração entre as equipes”, explicou Kelly.
Avaliação técnica e próximos passos
A execução das rotinas no Hospital de Clínicas foi acompanhada por 14 avaliadores responsáveis por registrar o tempo de resposta, o cumprimento dos protocolos e os gargalos operacionais. Os dados coletados serão consolidados em um laudo técnico para a elaboração de um plano de melhorias.
O diretor técnico do Hospital de Clínicas, Dr. Enzo Pacelli Santos Fonseca, destacou que simulações desse tipo preparam a instituição para a complexidade clínica e logística de um sinistro real:
“Esses cenários envolvem uma complexidade muito grande em termos de atendimento clínico, cirúrgico e também de acolhimento dos familiares. Neste momento, engajamos toda a nossa equipe multidisciplinar e mobilizamos os setores para estarmos prontos caso um cenário como esse ocorra”, declarou o diretor.
Dr. Enzo completou ainda que a adaptação às rotinas atípicas é o ganho central da atividade:
“O grande aprendizado é saber lidar com esse fluxo, que é muito diferente em um cenário de múltiplas vítimas”, concluiu.