Hiperconectividade na internet pode levar ao burnout
Psiquiatra do Iamspe alerta para os riscos de burnout causados pela hiperconectividade e dá dicas práticas para proteger a mente e o sono
- Publicado: 19/07/2026 16:22
- Alterado: 19/07/2026 16:22
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Agência SP
A facilidade de acesso à informação e a necessidade de estar constantemente online têm cobrado um preço alto da saúde mental. Em um alerta divulgado neste domingo (19), especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) chamaram a atenção para como a hiperconectividade atua como um potente catalisador para o desenvolvimento da Síndrome de Burnout.
O contato ininterrupto com o ambiente virtual potencializa os efeitos do estresse crônico, dificultando a recuperação natural do organismo e abrindo caminho para o esgotamento físico e mental extremo.
O Cérebro em Alerta Permanente

O burnout é um distúrbio psíquico amplamente associado à dinâmica do mercado de trabalho moderno, intensificado na era pós-internet. Ele se caracteriza pelo esgotamento emocional, despersonalização e redução da realização profissional.
De acordo com o psiquiatra do Iamspe, Michel Haddad, o principal prejuízo da vigilância digital constante está na qualidade do repouso, essencial para regular os níveis de estresse:
“Quando permanecemos constantemente conectados, o cérebro não consegue entrar no estado de repouso. Estímulos como e-mails fora do expediente e mensagens em horários de descanso mantêm o sistema de alerta ativado, dificultando a separação entre trabalho e lazer”, explica o psiquiatra.
Essa necessidade de checagem constante aciona o sistema de antecipação do cérebro, gerando um ciclo repetitivo de ansiedade.
“Isso nos mantém em vigilância contínua, um estado mais relacionado ao ‘querer’ verificar. Como o estímulo é imprevisível, a checagem se torna repetitiva, e essa prontidão ininterrupta impede o organismo de ‘desligar’ e entrar em recuperação, o que alimenta o esgotamento”, pontua Haddad.
Quem São os Mais Vulneráveis?
Embora qualquer usuário de internet possa sofrer com os excessos, profissionais que lidam com altas demandas de entrega e a cobrança por disponibilidade imediata estão no topo do grupo de risco. Entre eles destacam-se:
- Trabalhadores das áreas de tecnologia da informação e comunicação;
- Profissionais da saúde e do atendimento ao público;
- Jornalistas e produtores de conteúdo;
- Profissionais que atuam sob os regimes de trabalho remoto (home office) ou híbrido, onde as barreiras físicas entre a casa e o escritório desaparecem.
Dicas Práticas para Desconectar

Para evitar que o uso da tecnologia se transforme em adoecimento, os especialistas recomendam adotar pequenos hábitos diários que devolvam a autonomia sobre o tempo e estimulem o descanso real:
- Filtre os Alertas: Desative todas as notificações não essenciais de aplicativos e redes sociais que não exigem resposta em tempo real;
- Crie Limites Físicos: Estabeleça horários específicos livres de telas, especialmente na primeira e na última hora do seu dia;
- Proteja o Sono: Retire o smartphone do quarto antes de dormir e utilize um despertador analógico tradicional para evitar a tentação de checar mensagens na madrugada;
- Acordo de Conectividade: Defina um horário limite para encerrar as atividades profissionais e comunique claramente esse teto de horário aos seus colegas e gestores;
- Aparelho Menos Atraente: Configure a tela do celular para o modo “escala de cinza” (monocromático), o que reduz drasticamente o apelo visual e o tempo de uso;
- Pausas Reais: Faça pequenos intervalos de descompressão ao longo do dia, sem qualquer estímulo visual ou digital, apenas caminhando por alguns minutos ou olhando pela janela.
Diagnóstico e Tratamento
Caso o esgotamento já esteja instalado, caracterizado por sintomas como cansaço extremo, irritabilidade constante, lapsos de memória, insônia crônica e dores físicas sem causa médica evidente, é fundamental buscar ajuda profissional.
O tratamento adequado para a Síndrome de Burnout exige acompanhamento clínico conjunto com psicólogo (psicoterapia) e médico psiquiatra, que avaliará a necessidade de suporte farmacológico temporário.