Biópsia líquida amplia monitoramento da recidiva do câncer

Exame de sangue identifica sinais moleculares da doença antes de alterações aparecerem em exames de imagem, auxiliando o acompanhamento de pacientes após o tratamento

Crédito: Divulgação / IA

O avanço da medicina de precisão tem ampliado as possibilidades de monitoramento de pacientes que concluíram o tratamento contra o câncer. Entre as tecnologias que vêm ganhando espaço está a biópsia líquida, exame de sangue capaz de detectar vestígios moleculares deixados por células tumorais e identificar possíveis sinais de recidiva antes que eles sejam percebidos em exames de imagem ou avaliações clínicas convencionais.

Segundo Arthur Silva, gerente regional para a América Latina de Diagnósticos de Precisão da QIAGEN, o acompanhamento molecular representa um complemento importante às estratégias já utilizadas na prática clínica.

“Durante muito tempo, o acompanhamento dos pacientes esteve baseado principalmente em exames de imagem e avaliações clínicas periódicas. Essas ferramentas continuam fundamentais, mas hoje conseguimos observar alterações biológicas que podem ocorrer antes de uma manifestação clínica ou radiológica”, afirma.

Tecnologia detecta DNA tumoral circulante

Diferentemente da biópsia convencional, que exige a retirada de uma amostra do tumor, a biópsia líquida utiliza uma amostra de sangue para identificar fragmentos de DNA tumoral circulante e outros marcadores liberados pelas células cancerígenas na corrente sanguínea.

Por ser um método minimamente invasivo, o exame pode ser repetido ao longo do acompanhamento médico, permitindo observar alterações moleculares durante diferentes fases da doença e da recuperação do paciente. Essas informações complementam os exames de imagem, oferecendo uma visão mais ampla da evolução clínica.

Doença residual mínima é foco das pesquisas

Uma das principais aplicações da tecnologia é a identificação da chamada doença residual mínima (MRD), situação em que pequenas quantidades de material tumoral permanecem no organismo após cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou terapias-alvo, mesmo sem serem detectadas pelos métodos tradicionais.

De acordo com Arthur Silva, a presença desses marcadores não significa, necessariamente, que o câncer retornará, mas pode indicar a necessidade de um acompanhamento mais detalhado.

“A doença residual mínima não significa necessariamente que haverá recidiva, mas pode indicar que ainda existem sinais biológicos da presença tumoral. O acompanhamento molecular permite observar essas alterações de forma mais sensível, sempre em conjunto com os demais exames e avaliações clínicas”, explica.

Avanços acompanham crescimento dos casos de câncer

O interesse pela biópsia líquida acompanha os avanços internacionais na medicina de precisão. Uma revisão científica publicada na revista Nature Medicine, em dezembro de 2025, reuniu evidências sobre o uso da tecnologia em diferentes etapas do cuidado oncológico, incluindo diagnóstico, monitoramento da resposta ao tratamento e vigilância da doença.

O tema também ganha relevância diante da projeção do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que estima cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil até 2028, ou aproximadamente 518 mil casos anuais, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. O número representa crescimento superior a 10% em relação ao triênio anterior.

Medicina de precisão amplia a personalização do cuidado

Especialistas apontam que a medicina de precisão tem permitido acompanhar as mudanças biológicas dos tumores de forma contínua, favorecendo decisões terapêuticas mais individualizadas ao longo da jornada do paciente. A tendência é que informações moleculares sejam cada vez mais integradas aos exames de imagem e às avaliações clínicas para apoiar o acompanhamento oncológico.

Embora a biópsia líquida não substitua outros métodos diagnósticos, seu uso vem sendo considerado uma ferramenta complementar importante para monitorar pacientes após o tratamento e auxiliar na identificação precoce de possíveis sinais de recidiva.

  • Publicado: 17/07/2026 14:52
  • Alterado: 17/07/2026 14:52
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: QIAGEN