Greve na CPTM: veja o que pedem os funcionários
Categoria cobra garantia de emprego e reestatização das linhas, enquanto o governo afirma que a paralisação prejudica os passageiros.
- Publicado: 04/08/2026 08:10
- Alterado: 04/08/2026 08:10
- Autor: Thiago Antunes
A CPTM enfrenta uma forte paralisação de seus funcionários nesta terça-feira (4). O movimento afeta diretamente a circulação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade na região metropolitana de São Paulo. Os trabalhadores protestam contra a transferência da gestão ferroviária para a empresa privada Trivia Trens. A categoria exige a reestatização da malha e cobra estabilidade para os 4.700 empregados da estatal sob risco de demissão.
Reivindicações dos trabalhadores e plano de demissão
O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) lidera o movimento grevista. A entidade aponta que apenas 11% dos funcionários operacionais foram transferidos para a nova concessionária. O restante do quadro da CPTM lida com um programa de desligamento voluntário promovido pela direção da empresa pública.
Os manifestantes estabeleceram pautas claras para negociar o encerramento da greve da CPTM:
- Retorno definitivo da operação das três linhas para o controle do Estado.
- Manutenção dos postos de trabalho de todos os servidores da companhia paulista.
- Aprovação imediata do Projeto de Lei nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
O projeto de lei em tramitação obriga o governo estadual a absorver os profissionais da estatal em outros órgãos da administração pública. A Trivia Trens defende sua operação informando que renovou 90% dos profissionais na frente operacional e de manutenção, submetendo as novas equipes a mais de 1.300 horas de treinamento prático e teórico.
Reação do governo paulista e impasses na negociação
A gestão do governador Tarcísio de Freitas criticou a suspensão dos serviços. A administração estadual alega ter apresentado propostas concretas na segunda-feira (3), incluindo debates sobre a absorção da equipe e a integração ao Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe).
“A paralisação não contribui para a negociação e seu único efeito será o de prejudicar milhares de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário. É inaceitável usar a população como pressão política”, declarou a gestão Tarcísio, por meio de nota oficial.
Os sindicalistas negam a existência de garantias firmes. O grupo argumenta que promessas verbais não asseguram o sustento de milhares de famílias afetadas pelo repasse da administração da CPTM ao setor privado.
“Sem esse compromisso formal, a categoria decidiu manter a greve como forma de defender os postos de trabalho e o futuro de milhares de famílias”, afirmou a direção do Sindicato, reforçando a abertura para o diálogo contínuo.
Histórico do leilão e falhas na operação privada
O Governo de São Paulo leiloou os ramais da CPTM no mês de março do ano passado. O grupo Comporte Participações venceu o certame com a promessa de aplicar R$ 14,3 bilhões em modernização e novas estações. A transferência do serviço ocorreu gradualmente, terminando em 21 de julho, quando a concessionária assumiu integralmente os trilhos.
Os primeiros dias de controle totalmente privado registraram graves problemas técnicos. Passageiros enfrentaram longos atrasos até um curto-circuito incendiar um vagão da Linha 12-Safira no dia 23 de julho.
A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) precisou intervir na crise. O órgão regulador obrigou a CPTM a retomar temporariamente o controle das linhas por um prazo de 90 dias para a realização de ajustes urgentes de segurança.