Greve na CPTM: Veja atualizações em tempo real
Acompanhe o que se sabe até o momento sobre a paralisação dos ferroviários, os impactos no transporte e as negociações entre sindicato, governo e concessionária.
- Publicado: 04/08/2026 08:39
- Alterado: 04/08/2026 08:39
- Autor: Thiago Antunes
A greve na CPTM entrou em vigor desde a meia-noite desta terça-feira (4) e afeta diretamente a circulação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade na região metropolitana de São Paulo. Os trabalhadores protestam contra a transferência da gestão ferroviária para a empresa privada Trivia Trens e cobram garantias de emprego para os quadros da estatal. Em resposta, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos na cidade, e o governo estadual reforçou o metrô e colocou ônibus extras nas ruas para amenizar o impacto sobre os passageiros.
O que pedem os funcionários da CPTM
O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) lidera o movimento grevista. Segundo a entidade, apenas 11% dos funcionários operacionais foram transferidos para a nova concessionária, enquanto o restante do quadro da CPTM lida com um programa de desligamento voluntário promovido pela direção da empresa pública. A categoria soma 4.700 empregados sob risco de demissão, segundo o sindicato.
Os manifestantes estabeleceram três pautas centrais para negociar o fim da paralisação na CPTM:
- Retorno definitivo da operação das três linhas para o controle do Estado
- Manutenção dos postos de trabalho de todos os servidores da companhia
- Aprovação imediata do Projeto de Lei nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp)
O projeto em tramitação obriga o governo estadual a absorver os profissionais da estatal em outros órgãos da administração pública. A Trivia Trens, por sua vez, defende sua atuação afirmando ter renovado 90% dos profissionais na frente operacional e de manutenção, com mais de 1.300 horas de treinamento prático e teórico para as novas equipes.
Em nota, a direção do sindicato reforçou a disposição para negociar, mas sem abrir mão da mobilização: “Sem esse compromisso formal, a categoria decidiu manter a greve como forma de defender os postos de trabalho e o futuro de milhares de famílias“.
Outro representante da categoria, Luiz Barbosa Neto Júnior, diretor-executivo do sindicato, criticou a proposta apresentada pelo governo na negociação de segunda-feira (3): “Na negociação que teve hoje, o que o governo fez? Ah, vamos ter mais 60 dias para conversar para garantia do emprego. E a turma não quer aceitar isso“.
Como está o transporte agora
As linhas afetadas pela greve na CPTM operam de forma parcial ou seguem totalmente inativas:
- Linha 11-Coral: circulação apenas entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases.
- Linha 12-Safira: operação no trecho entre Brás e Engenheiro Goulart.
- Linha 13-Jade: operação suspensa.
- Expresso Aeroporto: viagens suspensas.
Em contrapartida, as linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa operam normalmente.
O Metrô de São Paulo também mantém circulação regular nas linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha, 4-Amarela e 5-Lilás, além do funcionamento normal das linhas 15-Prata e 17-Ouro. Para reforçar a oferta, a companhia antecipou a abertura das estações de quatro linhas para as 4h e aumentou a circulação de trens na Linha 3-Vermelha.
O Estado também acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) e disponibilizou 128 ônibus para atender os trechos mais afetados, entre Estudantes e Corinthians-Itaquera e São Miguel Paulista e Calmon Viana. Funcionários extras foram deslocados para organizar o embarque em estações de maior movimento, enquanto trens vazios passaram a sair das garagens diretamente para os pontos de maior demanda. A Polícia Militar também reforçou o policiamento e o trânsito nos principais terminais.
A paralisação da CPTM prejudica especialmente o deslocamento na Zona Leste da capital e em cidades como Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Itaquaquecetuba, Suzano e Mogi das Cruzes. Em razão dos impactos, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos nesta terça-feira.
Reação do governo estadual
A gestão do governador Tarcísio de Freitas criticou a paralisação na CPTM e afirma ter apresentado propostas concretas na reunião de segunda-feira (3), incluindo debates sobre a absorção da equipe pelo Estado e a integração ao Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe). Em nota oficial, o governo declarou: “A paralisação não contribui para a negociação e seu único efeito será o de prejudicar milhares de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário. É inaceitável usar a população como pressão política”.
Os sindicalistas, por outro lado, negam a existência de garantias firmes por parte do governo. Segundo a categoria, promessas verbais não são suficientes para assegurar o sustento de milhares de famílias afetadas pela transferência da administração da CPTM ao setor privado.
O que diz a decisão da Justiça
Diante do impasse na negociação, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a manutenção de 80% do efetivo em horários de pico e de 60% nos períodos de menor movimento durante a greve. O descumprimento da decisão gera multa diária de R$ 400 mil aos cofres do sindicato. Até o momento, as negociações seguem travadas, e o transporte metropolitano opera sob o rigor dessa ordem judicial.
Como chegou-se a esse ponto
A crise no sistema ferroviário estadual não é recente. O governo de São Paulo leiloou os ramais da CPTM em março do ano passado, com o grupo Comporte Participações vencendo o certame com a promessa de investir R$ 14,3 bilhões em modernização e novas estações. A transferência do serviço ocorreu de forma gradual, sendo concluída em 21 de julho, quando a concessionária Trivia Trens assumiu integralmente os trilhos.
Os primeiros dias de controle totalmente privado, porém, registraram problemas técnicos graves. Passageiros enfrentaram longos atrasos até que um curto-circuito incendiasse um vagão da Linha 12-Safira, no dia 23 de julho. Diante da crise, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) precisou intervir e obrigou a CPTM a retomar temporariamente o controle das três linhas, em 24 de julho, por um prazo de 90 dias, para a realização de ajustes urgentes de segurança. É nesse cenário de instabilidade recente que a greve dos ferroviários se soma às dificuldades enfrentadas pelos passageiros da região metropolitana, que devem buscar rotas alternativas até que a paralisação seja encerrada.