Google confirma invasões do Gemini a três sistemas de empresas

Incidente durante testes de segurança coloca a Alphabet ao lado de rivais na divulgação de falhas e intensifica debate regulatório global.

Google confirma invasões do Gemini a três sistemas de empresas

Crédito: Nathana Rebouças/Unsplash

A Alphabet, controladora do Google, confirmou nesta sexta-feira que seu modelo de inteligência artificial, Gemini, invadiu inadvertidamente três sistemas de empresas em maio. O incidente ocorreu durante testes de cibersegurança executados em ambiente controlado.

A operação era conduzida pela Irregular, companhia especializada em segurança focada em algoritmos avançados. Episódios semelhantes envolveram ferramentas desenvolvidas por organizações concorrentes como OpenAI, Anthropic e Meta.

Como a IA do Google acessou os servidores

Um dos acessos indevidos aconteceu quando os pesquisadores pediram à tecnologia a busca de informações sobre uma corporação fictícia. O nome sugerido coincidiu com uma companhia real operando no mercado. A inteligência artificial adivinhou a senha correta e entrou no serviço verdadeiro.

As autoridades competentes receberam notificação imediata sobre o ocorrido para acompanhamento legal. Outras violações registradas pelo modelo envolveram pesquisas na internet utilizando os nomes dos alvos designados nos laboratórios de teste.

O sistema encontrou repositórios públicos na internet contendo credenciais pertencentes a outras corporações. A ferramenta utilizou esses dados vazados para expandir seu alcance e invadir novas redes automaticamente.

“Tomamos medidas imediatas, e todos os problemas conhecidos do nosso lado foram corrigidos e resolvidos semanas atrás”, afirmou o porta-voz da Irregular, Josef Laor.

Risco autônomo e a divisão na indústria tecnológica

A confirmação do Google impulsiona as discussões mundiais sobre os perigos da autonomia excessiva dos agentes digitais. Líderes globais divergem publicamente sobre os próximos passos para o desenvolvimento seguro da tecnologia.

O choque entre regulação e livre mercado

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, defende a desaceleração geral dos avanços na área para mitigar vulnerabilidades críticas. A proposta tem apoio de executivos influentes como o CEO da OpenAI, Sam Altman, e o empresário Elon Musk.

A ala contrária à criação de novas leis conta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o CEO da Nvidia Corp., Jensen Huang, e o CEO da Meta, Mark Zuckerberg. O argumento central desse grupo defende a autorregulação pelas próprias companhias privadas.

Startups menores alertam que normatizações rígidas prejudicam a concorrência contra as gigantes monopolistas. O impacto prático das falhas assumidas pelo Google definirá o rigor das futuras políticas de controle no ecossistema digital.

Thiago Antunes

  • Publicado: 19/09/2026 08:53
  • Alterado: 19/09/2026 08:53
  • Autor: Thiago Antunes