Maioria das cidades com falhas no transporte tem prefeitos aliados de Flávio
Levantamento reúne nove municípios com relatos de problemas no transporte eleitoral; cinco prefeitos declararam apoio a Flávio Bolsonaro e um a Lula
- Publicado: 25/10/2026 20:20
- Alterado: 25/10/2026 20:22
- Autor: Edvaldo Barone
Problemas no transporte público durante o segundo turno das eleições de 2026, neste domingo (25), atingiram municípios administrados por prefeitos de diferentes partidos, incluindo aliados dos dois candidatos à Presidência da República. Um levantamento feito pela TVT News identificou que, entre nove cidades relacionadas a denúncias ou dificuldades na circulação de ônibus, cinco são governadas por prefeitos que declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), uma por um aliado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e três por gestores que não anunciaram apoio no segundo turno.
A relação inclui capitais e municípios de diferentes regiões do país, entre eles São Paulo, Salvador, Belém e Santo André, no Grande ABC. As ocorrências envolveram relatos de longas esperas, veículos estacionados em garagens e questionamentos sobre o cumprimento das determinações da Justiça Eleitoral para assegurar o deslocamento dos eleitores até as seções de votação.
A predominância de prefeitos alinhados a Flávio Bolsonaro entre os nove municípios selecionados é um dado sobre suas posições políticas declaradas. Não demonstra, por si só, que a redução do transporte tenha sido coordenada, motivada por preferências eleitorais ou destinada a beneficiar uma candidatura. A identificação de eventuais irregularidades depende da apuração dos fatos em cada cidade.
Santo André e São Paulo aparecem no levantamento

No estado de São Paulo, dois municípios foram incluídos na relação. Na capital, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) declarou apoio a Flávio Bolsonaro e passou a enfrentar questionamentos sobre a operação do transporte coletivo no segundo turno. Dados de monitoramento apontaram milhares de ônibus nas garagens durante a tarde, apesar de uma determinação judicial para que a cidade mantivesse frequência equivalente à dos dias úteis.
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) previa multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento. A controvérsia motivou iniciativas judiciais e pedidos de responsabilização de integrantes da administração municipal, enquanto a SPTrans apresentou justificativas operacionais para as dificuldades de mobilização da frota.
No Grande ABC, o município de Santo André, administrado pelo prefeito Gilvan Ferreira de Souza Júnior (Cidadania), também consta da lista. Gilvan declarou apoio a Flávio Bolsonaro.
A presença de uma cidade na relação não significa que todas as administrações tenham enfrentado problemas da mesma dimensão. Enquanto São Paulo e Salvador aparecem associadas a medidas judiciais concretas, outros municípios foram mencionados em razão de relatos de dificuldades no transporte.
Salvador teve ordem de prisão contra secretário
Na Bahia, Salvador registrou um dos episódios de maior repercussão. A cidade, administrada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), apoiador de Flávio Bolsonaro, teve denúncias de ônibus impedidos de sair das garagens. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, em meio aos questionamentos sobre a oferta de transporte aos eleitores.
Outros dois municípios baianos aparecem no levantamento. Em Feira de Santana, o prefeito Zé Ronaldo (União Brasil) declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Já em Lauro de Freitas, a prefeita Débora Regis (União Brasil) havia manifestado preferência pelo candidato do PL no primeiro turno, mas adotou posição de neutralidade na etapa decisiva.
Em Belém, o prefeito Igor Normando (PSDB) declarou apoio a Lula. Teresina, João Pessoa e Maceió completam a relação, com gestores classificados como neutros no segundo turno.
Há uma ressalva importante na contagem apresentada pela reportagem: a tabela identifica quatro prefeitos com apoio declarado a Flávio Bolsonaro no segundo turno, e não cinco. Um quinto nome, o de Débora Regis, havia apoiado o candidato anteriormente, mas passou a declarar neutralidade. Assim, entre os nove municípios relacionados, são quatro apoios a Flávio, um a Lula e quatro gestores classificados como neutros no segundo turno.
STF limitou prorrogação às seções ainda abertas

As dificuldades relatadas no transporte coletivo também chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Cristiano Zanin determinou a extensão do horário de votação até as 19h, após pedidos relacionados aos obstáculos enfrentados por eleitores para chegar às seções eleitorais.
A decisão original foi assinada às 17h01, depois do horário previsto para o encerramento da votação. Posteriormente, Zanin esclareceu que a prorrogação não autorizava a reabertura de urnas que já haviam sido fechadas.
Com isso, a extensão do atendimento ficou restrita às seções que permaneciam abertas quando a determinação foi comunicada. Os votos registrados nas urnas encerradas continuariam válidos e seriam incluídos normalmente na totalização.
A medida buscou preservar a possibilidade de votação nos locais onde o atendimento ainda estava em andamento, mas não representou uma ampliação uniforme do horário em todas as seções eleitorais do país.
Responsabilidade das prefeituras depende de apuração
Os episódios registrados durante o segundo turno colocaram a operação do transporte coletivo entre os temas submetidos à análise da Justiça Eleitoral. A disponibilização dos veículos, o cumprimento de decisões judiciais e os possíveis efeitos da redução da frota sobre o comparecimento dos eleitores são questões que exigem avaliações específicas. Em São Paulo e Salvador, cidades administradas por prefeitos que declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), os questionamentos já resultaram em medidas judiciais e pedidos de responsabilização.