Exportações do Brasil aos EUA caem 12,2% em 2026
O volume financeiro das vendas aos Estados Unidos sofreu forte retração este ano, refletindo o peso das elevadas sobretaxas americanas.
- Publicado: 11/08/2026 12:28
- Alterado: 11/08/2026 12:28
- Autor: Thiago Antunes
As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, resultando em uma queda de 12,2% na comparação com o mesmo período de 2025. O cenário adverso retira cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas externas, empurrando o comércio bilateral para o menor patamar dos últimos três anos.
Os números integram o Monitor do Comércio Brasil Estados Unidos, um levantamento elaborado pela Amcham Brasil a partir de registros oficiais do sistema Comexstat. O baque concentrou-se nos produtos sujeitos a barreiras tarifárias severas, com taxas que atualmente oscilam entre 25% e 37,5%.
O levantamento revela que as exportações brasileiras desses itens sobretaxados recuaram 31,5% no acumulado do ano, despencando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões. A madeira de coníferas encabeçou a lista de perdas, registrando vendas para o mercado americano que desabaram 59,4% no período.
A indústria de transformação e o setor extrativo sentiram o golpe comercial de forma ampla. O balanço destaca o encolhimento do sebo bovino, ovino ou caprino com retração de 42,5%, acompanhado pelos granitos trabalhados que caíram 42,1%. O fumo não manufaturado perdeu 37,7% de participação, enquanto o embarque de portas e caixilhos cedeu 35,3%.
“Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, avaliou o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.
Desempenho das exportações brasileiras destoa do mercado global
O resultado da balança comercial com o território norte-americano seguiu na direção oposta ao fluxo geral do país. Os dados nacionais confirmam que as exportações totais do Brasil cresceram 10,5% entre janeiro e julho, impulsionadas pela demanda de outros continentes.
Apesar da queda concentrada, os Estados Unidos mantêm a posição de segundo maior destino comercial do país, ficando atrás apenas da China. O mapeamento aponta que quatro dos dez produtos mais enviados ao mercado americano sofreram retração local, mas registraram alta nas negociações com o restante do mundo.
O petróleo bruto teve exportações para os EUA reduzidas em 25,5%, enquanto a categoria de semimanufaturados de ferro ou aço amargou queda de 11,1%. O comércio de ferro-gusa recuou 7,9%, fechando a sequência de baixas de alto volume com a celulose marcando desvalorização de 5,3%.
Déficit comercial atinge novos patamares
O mercado cambial espelha rapidamente essa retração de fluxo financeiro. As importações de mercadorias estrangeiras somaram US$ 23,2 bilhões nos primeiros sete meses do ano, provocando uma queda de 10,4% nas compras de produtos americanos. Sem a entrada robusta de receitas das exportações brasileiras, o cálculo financeiro permaneceu no vermelho.
O país registrou um déficit de US$ 2,3 bilhões no comércio com os Estados Unidos, consolidando uma relação de desvantagem. Esse saldo monetário negativo aponta para uma alta de 122,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
O respiro nas negociações durante o mês de julho foi tímido e não inverteu a tendência, gerando um déficit isolado de US$ 639 milhões apenas nos últimos 30 dias avaliados. O setor produtivo nacional exigirá reestruturação logística até que as exportações brasileiras encontrem alternativas viáveis ao atual sistema de protecionismo tarifário.