Exames de sangue para detectar Alzheimer chegam ao Brasil
Exames de sangue para detectar o Alzheimer chegam ao Brasil na rede privada. Saiba os custos, indicações e como funciona o diagnóstico
- Publicado: 05/09/2026 20:22
- Alterado: 05/09/2026 20:22
- Autor: Gabriel de Jesus
Exames de sangue capazes de identificar alterações biológicas associadas à doença de Alzheimer já estão disponíveis na rede particular do Brasil, com custos que variam de R$ 1.800 a R$ 5.000. Os testes não possuem cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS) ou de planos de saúde, sendo indicados exclusivamente como complemento à avaliação clínica para pacientes que já apresentam sinais de comprometimento cognitivo.
Opções e Custos de Diagnóstico de Alzheimer
A investigação da doença historicamente dependia de exames de alto custo ou desconforto para o paciente. A introdução dos testes sanguíneos cria uma alternativa acessível para mapear as mesmas alterações neurológicas.
| Método de Exame | Custo Estimado | Cobertura SUS/Planos | Característica Principal |
| Sangue (p-tau217/beta-amiloide) | R$ 1.800 a R$ 5.000 | Não | Menos invasivo, amostras analisadas via kits laboratoriais. |
| Líquor | R$ 2.000 a R$ 3.000 | Não | Exige punção lombar (método invasivo). |
| PET Amiloide (Imagem) | R$ 10.000 a R$ 12.000 | Não | Exige infraestrutura especializada de ponta. |
Os Biomarcadores Analisados
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa ter 30 produtos regularizados para detectar biomarcadores de Alzheimer. Leonardo Oliva, geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), aponta que as principais proteínas investigadas são:
- Proteína tau (p-tau217): Atualmente o marcador sanguíneo mais preciso para confirmar o Alzheimer em pacientes sintomáticos. Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (Jama) validou o potencial deste marcador em prever o risco de declínio cognitivo.
- Beta-amiloide: Proteína responsável pela formação de placas anormais no cérebro.
Indicação e Conduta Clínica
Especialistas são unânimes em alertar que o rastreio não deve ser feito por curiosidade. O diagnóstico primário continua sendo clínico, estruturado no histórico do paciente e em testes neurológicos.
“A gente não deve fazer exame antes da consulta. O primeiro diagnóstico vem na consulta. Pacientes assintomáticos não devem fazer esse exame”, alerta o geriatra Leonardo Oliva.
Eduardo Zimmer, neurocientista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que a avaliação clínica identifica corretamente a doença em cerca de 70% a 75% dos casos. Com a integração dos biomarcadores de sangue, a precisão salta para 91%.
Fábio Henrique Porto, neurologista e presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) em São Paulo, enxerga nos testes sanguíneos uma ferramenta de descentralização do diagnóstico. Segundo ele, a modalidade beneficia regiões mais distantes que não possuem máquinas de PET: “Para uma cidade do interior é muito mais fácil eu fazer o exame de sangue. É mais barato, é menos invasivo e precisa de menos estrutura”.
Acesso a novos tratamentos
A detecção precoce e precisa é o primeiro passo para o uso de novas classes de medicamentos desenvolvidas para remover placas de beta-amiloide no estágio inicial da doença. As drogas lecanemabe (Leqembi) e donanemabe (Kisunla) já estão aprovadas no Brasil para pacientes com demência leve, embora ainda sejam restritas ao setor privado.