Ex-vereador Milton Leite se entrega à polícia em Mogi
Investigado por gerenciar empresas controladas pelo PCC, ex-vereador Milton Leite cumpre mandado de prisão temporária de 30 dias
- Publicado: 18/09/2026 17:49
- Alterado: 18/09/2026 18:21
- Autor: Daniela Ferreira
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), entregou-se à polícia na tarde desta sexta-feira (18), na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo. O político apresentou-se acompanhado por seu advogado após passar mais de 24 horas na condição de foragido da Justiça.
A ordem de prisão temporária contra o ex-parlamentar foi expedida no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17). Na ocasião do cumprimento dos mandados, Milton Leite não foi localizado em seus endereços oficiais e alegou por meio de nota que estava em viagem. Ele havia prometido se apresentar voluntariamente às autoridades para comprovar sua inocência, o que ocorreu apenas na tarde do dia seguinte.
A força-tarefa é conduzida de forma integrada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público estadual (MP-SP).

As investigações apuram esquemas complexos de corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e a perigosa infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo por ônibus da capital paulista.
Conforme os relatórios policiais anexados ao processo, Milton Leite é citado nominalmente em diversas ocasiões como gestor direto de companhias operadas sob influência do crime organizado.
Os investigadores apontam o ex-presidente do Legislativo paulistano como o verdadeiro proprietário de fato da concessionária Transwolff, operadora do transporte público que já havia sido alvo de intervenção da Prefeitura de São Paulo em 2024.
Após a formalização da apresentação na Dise de Mogi das Cruzes, o ex-vereador Milton Leite prestou depoimento aos delegados responsáveis pelo caso. Na sequência, Leite foi encaminhado para exames periciais no Instituto Médico Legal (IML) e transferido para a Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, onde cumprirá a prisão temporária com validade inicial de 30 dias, prazo que poderá ser prorrogado a pedido do Ministério Público.