Erika Hilton acusa PSOL de quebrar acordos de fundo eleitoral
Erika Hilton criticou a distribuição do fundo eleitoral pelo PSOL, alegando que o partido favorece novos candidatos e ignora acordos
- Publicado: 23/06/2026 22:31
- Alterado: 23/06/2026 22:31
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acusou publicamente a liderança de seu partido de privilegiar novos pré-candidatos na distribuição dos recursos do fundo eleitoral. Em publicação realizada nas redes sociais nesta terça-feira (23), a parlamentar afirmou que as propostas atuais de repasses inviabilizam candidaturas que buscam a reeleição e que possuem histórico consolidado de votação.
Divergências sobre os critérios de distribuição
De acordo com as declarações, o diretório nacional do partido discute uma proposta que iguala os repasses financeiros entre deputados em exercício e novos integrantes que buscam o primeiro cargo pela sigla. Como exemplo, Erika Hilton citou o caso de Manuela D’Ávila, pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul e historicamente ligada ao PCdoB, que receberia valores semelhantes aos seus.
A deputada argumenta que a atual gestão descumpre um compromisso prévio firmado para que ela permanecesse no partido. O acordo original previa sua inclusão na faixa de “puxadores de voto”, destinada a candidatos com alto potencial de votos para ajudar a legenda a alcançar a cláusula de barreira.
“O PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, desabafou Erika Hilton, declarando-se “chocada e decepcionada”.
O impacto na cláusula de barreira
A manutenção de puxadores de voto é crucial para o cumprimento da cláusula de barreira. Para garantir o acesso ao fundo partidário e ao tempo de TV, as siglas precisam eleger pelo menos 11 deputados federais distribuídos em nove estados ou atingir 2% dos votos válidos nacionais para a Câmara. Erika Hilton foi uma das parlamentares mais votadas em 2022, com 257 mil votos, e aponta que a falta de prioridade pune quem gera legenda para o partido.
Resposta do PSOL e bastidores da disputa interna
Em nota oficial, o PSOL rebateu as acusações e garantiu que as políticas de inclusão de gênero, raça e diversidade seguem consolidadas. O partido assegurou que a campanha de Erika Hilton terá o maior volume de investimentos entre todas as candidaturas proporcionais da sigla.
“A proposta, que ainda será votada nas instâncias partidárias, leva em conta essas metas e estabelece um teto, com o maior valor possível, para todos os detentores de mandato que buscarão a reeleição, considerados nossos principais puxadores de voto”, informou o partido.
Tensões entre correntes partidárias
Nos bastidores, a menção direta de Erika Hilton a nomes como Juliano Medeiros — ex-presidente do PSOL e candidato estreante — evidencia o tencionamento entre as correntes internas. Juliano pertence à Primavera Socialista, ala majoritária da legenda, enquanto Erika faz parte da Revolução Solidária, liderada pelo ministro Guilherme Boulos. Dirigentes partidários ouvidos sob reserva apontaram que a deputada omitiu que o partido estuda investir fortemente na candidatura de Natália Boulos, esposa do ministro, que também nunca disputou eleições.
Juliano Medeiros informou que não participa das instâncias diretivas atuais e não acompanhou o debate do fundo. Manuela D’Ávila optou por não se manifestar sobre as declarações de Erika Hilton. As novas diretrizes financeiras devem ser deliberadas e votadas pelo diretório na próxima semana.