Bolsonaro presta depoimento à Polícia Civil sobre arma apreendida
Polícia Civil do DF ouve Bolsonaro sobre arma apreendida com segurança em blitz; caso segue sob análise do STF
- Publicado: 23/06/2026 17:47
- Alterado: 23/06/2026 18:47
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FOLHAPRESS
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento nesta terça-feira (23) à Polícia Civil do Distrito Federal sobre a arma registrada em seu nome e apreendida com um de seus seguranças durante uma blitz realizada na semana anterior.
Depoimento de Bolsonaro à Polícia Civil do DF
De acordo com o advogado Paulo da Cunha Bueno, as informações apresentadas no depoimento foram integralmente coerentes com o que já havia sido exposto pela defesa, sem qualquer divergência ou complemento novo. Na quarta-feira (17), a defesa havia informado que o ex-presidente solicitou o reparo de uma pistola após identificar uma falha no equipamento.
O depoimento foi gravado em vídeo e teve duração aproximada de cinco minutos, segundo o advogado. Ele afirmou ainda que não houve qualquer intenção de descumprir determinações legais e classificou o episódio como sem relevância penal. A expectativa da defesa é de arquivamento do inquérito em curso na Polícia Civil do Distrito Federal.
Arma, investigação e posicionamento da defesa
O depoimento foi prestado em casa ao delegado-adjunto da 17ª Delegacia de Polícia, Thiago Boeing, após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Polícia Civil.
A investigação ainda deve ouvir o segurança envolvido e aguarda a apresentação do laudo pericial da arma apreendida. A defesa sustenta que não há relação entre o episódio e o término do período de prisão domiciliar, previsto para a próxima quinta-feira (25).
A pistola Glock calibre 9 milímetros foi apreendida em 15 de junho com um segurança durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal. Moraes questionou a permanência da arma na residência, a presença de carregador extra e o motivo do envio para reparo às vésperas do fim da medida cautelar.
Segundo a defesa, o armamento foi encaminhado apenas para verificação de uma falha identificada no mecanismo, sem necessidade de disparo. O registro da arma é de 2019 e, conforme os advogados, não houve determinação judicial de entrega de armas ou cancelamento de registros, mesmo após a condenação na ação relacionada à tentativa de golpe.
Os advogados relatam que o mecanismo apresentava falhas no acionamento do ferrolho e que o equipamento foi entregue a um militar com experiência em armamentos para avaliação técnica. Moraes determinou esclarecimentos adicionais sobre o momento do reparo, considerado sensível pela investigação.
Também há questionamentos sobre eventual descumprimento de medidas cautelares, já que procedimentos de revista seriam obrigatórios em veículos que deixam a residência, enquanto a arma foi localizada posteriormente com um terceiro a cerca de 33 quilômetros do condomínio. A Polícia Militar informou que os carros dos seguranças ficam estacionados na via pública, fora da área submetida a vistoria.
Prisão domiciliar e avaliação judicial
O caso pode influenciar a continuidade da prisão domiciliar de Bolsonaro, medida concedida de forma temporária por 90 dias em março. Caberá ao ministro Alexandre de Moraes decidir se haverá prorrogação da cautelar ou eventual retorno a unidade prisional.
A avaliação judicial também considera episódios anteriores citados no processo, como publicações em redes sociais de familiares e a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica com uso de ferramenta metálica em novembro. A suspeita de descumprimento de ordens judiciais voltou a ganhar força no contexto atual.
Além disso, relatos da abordagem policial indicam que a arma teria sido encontrada no assoalho do veículo conduzido pelo segurança, que teria reagido fechando o vidro de forma repentina ao perceber a fiscalização.
A decisão final sobre o caso poderá impactar diretamente o regime de cumprimento das medidas impostas e o futuro da prisão domiciliar de Bolsonaro.