Em Porto de Galinhas, casal de turistas são agredidos

Empresários de Mato Grosso relatam "massacre" praticado por cerca de 15 comerciantes em Porto de Galinhas após cobrança abusiva

Em Porto de Galinhas, casal de turistas são agredidos

Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Porto de Galinhas, um dos destinos turísticos mais cobiçados do Brasil, tornou-se palco de um episódio de violência extrema no último sábado (27/12). Os empresários Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, naturais de Mato Grosso, denunciaram ter sido vítimas de um linchamento após questionarem o valor cobrado pelo aluguel de cadeiras na areia. O que deveria ser um momento de lazer transformou-se em pesadelo quando comerciantes tentaram cobrar quase o dobro do preço previamente acordado, culminando em uma agressão coletiva que chocou banhistas e moradores locais.

A confusão em Porto de Galinhas começou no momento do pagamento. Segundo as vítimas, ao recusarem a nova tarifa, um dos trabalhadores da barraca arremessou uma cadeira contra Johnny, derrubando-o. No chão, o empresário foi cercado por aproximadamente 15 indivíduos que iniciaram uma série de chutes e socos. “Foi um massacre. O que aconteceu conosco foi uma verdadeira atrocidade. Ninguém nos ajudou; todos apenas filmavam”, desabafou Johnny, que apareceu em imagens posteriores com o rosto ensanguentado e diversos ferimentos.

Fuga e falta de socorro na orla de Porto de Galinhas

Para escapar da investida violenta, o casal precisou escalar um veículo de salva-vidas na tentativa de buscar proteção física. Vídeos que circulam nas plataformas digitais mostram a densidade da confusão e o desespero dos turistas em meio à multidão em Porto de Galinhas. De acordo com o relato dos empresários, a sensação de impunidade no local foi agravada pela passividade de quem assistia à cena, priorizando o registro audiovisual em vez do auxílio direto.

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) confirmou que as autoridades foram acionadas, mas, ao chegarem ao ponto do conflito em Porto de Galinhas, a situação já havia sido contornada pelas equipes de salvatagem. As vítimas receberam os primeiros socorros dos guarda-vidas municipais e foram encaminhadas para uma unidade de saúde local. A Polícia Civil, por meio da Divisão Especial de Apuração de Homicídios (DEAH), assumiu o caso e trata a identificação dos agressores como prioridade máxima.

Prefeitura de Ipojuca repudia violência contra visitantes

A administração municipal de Ipojuca, responsável pela gestão de Porto de Galinhas, emitiu uma nota oficial de repúdio ao episódio. O governo local classificou a agressão como “incompatível com os princípios de respeito e hospitalidade” que definem a vila. A prefeitura ressaltou que tem investido em ações para regularizar o comércio informal na orla, visando justamente coibir práticas de extorsão e garantir um ambiente seguro para quem visita a região.

O incidente em Porto de Galinhas acende um alerta sobre a fiscalização de serviços nas praias pernambucanas, especialmente durante a alta temporada. Em nota, a prefeitura afirmou: “A gestão municipal está comprometida com um turismo responsável e seguro. O episódio ocorrido entre turistas e trabalhadores da praia é lamentável e não reflete o espírito de nossa cidade”. A Guarda Municipal informou que intensificará o patrulhamento na areia para evitar novos conflitos por preços de serviços.

Impacto na imagem do turismo pernambucano

O caso de Johnny e Cleiton repercutiu nacionalmente, levantando debates sobre a segurança do consumidor em Porto de Galinhas. Empresários do setor hoteleiro expressaram preocupação com o impacto que a violência pode causar nas reservas para o restante do verão. A Polícia Civil solicita que qualquer pessoa que tenha filmado ou presenciado o início da discussão colabore com as investigações para que os responsáveis pelo ataque sejam punidos conforme a lei.

Enquanto a investigação avança, o destino de Porto de Galinhas tenta se recuperar do abalo em sua imagem de “paraíso”. O reforço nas vistorias sobre as barracas de praia e a implementação de tabelas fixas de preços são algumas das medidas discutidas por associações locais para recuperar a confiança dos viajantes e evitar que novas cenas de selvageria voltem a manchar a beleza natural do litoral sul pernambucano.

Gabriel de Jesus

  • Publicado: 29/12/2025 20:42
  • Alterado: 29/12/2025 20:42
  • Autor: Gabriel de Jesus