Presidenciáveis já receberam mais de R$ 10 milhões em doações

Dados do TSE revelam que empresários, acadêmicos e doações coletivas já injetaram milhões nas campanhas para o Planalto.

Presidenciáveis já receberam mais de R$ 10 milhões em doações

Crédito: Montagem ABCdoABC (Fotos: Renato Pizzutto/Band - Secom - Ricardo Stuckert/PR- Andressa Anholete/Agência Senado - Gil Leonardi/Imprensa MG - Partido Missão)

Os principais pré-candidatos à Presidência da República nas Eleições 2026 já arrecadaram mais de R$ 10 milhões em doações de pessoas físicas. Os dados registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram um cenário heterogêneo, impulsionado por grandes empresários, produtores rurais, vaquinhas virtuais e prestação de serviços por apoiadores.

Visão geral dos valores arrecadados pelos presidenciáveis

A distribuição das contribuições de cidadãos apresenta variações significativas entre os postulantes ao Palácio do Planalto. O levantamento das declarações oficiais prestadas à Justiça Eleitoral detalha os montantes recebidos por cada campanha nas eleições 2026:

  • Flávio Bolsonaro (PL): R$ 2,9 milhões arrecadados em doações
  • Ronaldo Caiado (PSD): R$ 2,5 milhões arrecadados em doações
  • Renan Santos (Missão): R$ 2,2 milhões arrecadados em doações
  • Lula (PT): R$ 1,4 milhão arrecadado em doações
  • Augusto Cury (Avante): R$ 562 mil arrecadados em doações
  • Romeu Zema (Novo): R$ 300 mil arrecadados em doações

O balanço oficial das receitas de campanha permanece sujeito a atualizações contínuas à medida que os comitês informam novos repasses financeiros ou doações estimáveis em dinheiro ao tribunal.

Regras e limites para financiamento de campanha nas Eleições 2026

A legislação eleitoral brasileira autoriza qualquer pessoa física a realizar aportes financeiros para candidaturas ou legendas partidárias nas eleições 2026, desde que as operações ocorram de forma rastreável. De acordo com Márcio Nogueira, especialista em Direito Eleitoral e Digital e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Rondônia (OAB-RO), a captação de recursos pode seguir até o dia da votação, estendendo-se posteriormente apenas para a quitação de despesas contratadas durante o pleito.

As transferências em dinheiro têm como teto 10% dos rendimentos brutos declarados pelo doador no ano anterior ao pleito. A cessão de bens e a prestação direta de serviços, categorizadas como doações estimáveis em dinheiro, possuem limite de R$ 40 mil por indivíduo, exigindo que os serviços sejam executados pelo próprio contribuinte e precificados conforme os valores praticados no mercado.

Diante dessas diretrizes jurídicas aplicáveis às Eleições 2026, a movimentação financeira das campanhas revela estratégias distintas de captação entre os concorrentes ao cargo máximo do Executivo.

Perfil detalhado do financiamento de cada candidato

Flávio Bolsonaro (PL) lidera arrecadação entre empresários e agronegócio

A candidatura do senador Flávio Bolsonaro, do PL, registra o maior volume de recursos oriundos de empresários do agronegócio, setor financeiro e indústria. O principal aporte individual veio do CEO da Be8, Erasmo Carlos Battistella, que destinou R$ 500 mil via PIX.

A campanha para as eleições 2026 também contabiliza aportes expressivos da família Verdi, controladora do Grupo Rodobens, e de executivos da fabricante Vicunha Têxtil. As principais contribuições declaradas ao TSE somam:

  • Erasmo Carlos Battistella (CEO da Be8): R$ 500 mil
  • Walter Schlatter (prefeito de Chapadão do Sul pelo PP): R$ 300 mil
  • Acionistas do Grupo Rodobens (Waldemar Verdi Junior, Beny Maria Verdi Haddad e Rosy Lavínia Roquette Verdi): R$ 300 mil no total
  • Marco Antônio Branquinho Junior e Marcel Yoshimi Imaizumi (executivos da Vicunha Têxtil): R$ 225 mil no total
  • Taicia Fofanoff (produtora rural): R$ 122 mil
  • Alexandre Ribeiro Chequer (advogado e empresário do setor de energia): R$ 120 mil
  • Inácio José Webler (produtor de soja) e Rodrigo Pizzinatto (CEO da Ultrapar): R$ 100 mil cada
  • Daniella Marques (ex-presidente da Caixa e coordenadora econômica): R$ 75 mil em prestação de assessoria
  • Autofinanciamento e familiares: R$ 13 mil do próprio candidato e R$ 27 mil do filho do deputado Alfredo Gaspar

Ronaldo Caiado (PSD) registra a maior doação individual da disputa

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD, é detentor do maior repasse efetuado por um único CPF nas disputas do pleito nacional. O jurista e empresário Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso, titular de um cartório de imóveis no Distrito Federal, realizou três transferências que somam R$ 2,3 milhões repassados à campanha. O valor representa 34,6% da receita total de pessoas físicas do candidato.

O restante dos créditos privados abrange repasses de integrantes da equipe de apoio e figuras políticas:

  • Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso (jurista e empresário): R$ 2,3 milhões
  • Aldo Rebelo (coordenador de campanha) e Roberto Brant (ex-ministro da Previdência): R$ 25 mil cada
  • Arnaldo Jardim (deputado federal pelo Cidadania) e Cristiane Alckmin Junqueira Schmidt (presidente da MSGás): R$ 25 mil cada
  • Hideo Augusto Dendini (subsecretário de gestão corporativa do Governo de SP): R$ 25 mil
  • Assessores e técnicos do PSD (Alexandre Gajardoni, Carlos Koji Takahashi, Everaldo Teixeira Dourado Júnior, José Eduardo Martelli e Samuel Claudio da Silva): entre R$ 20 mil e R$ 25 mil cada

Paralelamente às doações privadas para as Eleições 2026, a candidatura de Caiado recebeu R$ 6,9 milhões do fundo partidário do PSD, montante equivalente a 73,4% do orçamento bruto declarado.

Renan Santos (Missão) aposta no financiamento coletivo massivo

Diferenciando-se dos adversários pelo engajamento popular massivo, Renan Santos, do partido Missão, tem sua estrutura financeira mantida majoritariamente por vaquinhas virtuais. A modalidade de crowdfunding arrecadou R$ 1,9 milhão oriundos de centenas de doadores.

Fora das plataformas de arrecadação coletiva, o candidato registrou repasses de maior porte vindos do setor privado:

  • Financiamento coletivo (vaquinha eleitoral): R$ 1,9 milhão arrecadado
  • José Antônio Israel da Veiga Pereira e José Thomaz Israel da Veiga Pereira (filhos do ex-presidente do Banco Safra, José Olympio Pereira): R$ 100 mil no total (R$ 50 mil cada)
  • Danilo Julio Gatto (presidente da Cooperativa Agrícola de Unaí): R$ 50 mil

Lula (PT) combina doação bipartidária, serviços e apoio acadêmico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, apresentou um quadro de arrecadação composto por empresários, acadêmicos, membros do governo e serviços prestados por apoiadores nessas eleições 2026. O maior aporte individual de R$ 500 mil partiu de Erasmo Carlos Battistella, mesmo empresário que financiou a campanha do rival Flávio Bolsonaro.

Questionado sobre as transferências para concorrentes opostos, o executivo deu explicações oficiais. “O empresário reafirma o seu compromisso com as melhores práticas de governança, integridade e transparência”, informou Battistella em nota, destacando que os repasses foram feitos como pessoa física dentro dos limites legais.

O relatório enviado ao TSE para as Eleições 2026 lista os seguintes contribuintes da campanha petista:

  • Erasmo Carlos Battistella (CEO da Be8): R$ 500 mil
  • Financiamento coletivo: R$ 118 mil
  • Pedro Pereira de Freitas (presidente da Allseg Seguradora): R$ 90 mil
  • Marco Aurélio de Carvalho (coordenador de campanha e advogado): R$ 50 mil
  • Mayra Cristina da Luz Pádua Guimarães (doutoranda na USP) e Jones Alexandre Barros Soares (diretor da Transpetro): R$ 40 mil cada
  • Kleber Lucas (cantor gospel e pastor): R$ 30 mil em produção de jingle e clipe
  • Luiz Marinho (ministro do Trabalho e Emprego): R$ 24 mil
  • Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira (ex-ministro), Fernando Paes de Carvalho (ex-diretor da Petros) e Juliana Aporta Gaspar (integrante do Conselhão): R$ 17 mil cada
  • Rabih Nasser (professor da Fundação Getulio Vargas): R$ 15 mil
  • Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas (secretária do Ministério da Saúde): R$ 10 mil em palestras

Augusto Cury (Avante) recorre ao autofinanciamento e rede educacional

O escritor e médico Augusto Cury, pré-candidato pelo Avante, figura como o principal financiador do próprio projeto político, tendo aportado R$ 350 mil do próprio bolso. A arrecadação inclui apoio de parceiros comerciais do setor educacional e repasses partidários.

A prestação de contas no TSE detalha as contribuições recebidas pelo médico:

  • Augusto Cury (autofinanciamento): R$ 350 mil aplicados na própria campanha
  • Jangiê Diniz (empresário do setor de educação): R$ 100 mil
  • Wilson de Matos Silva (fundador da Unicesumar): R$ 60 mil
  • Sergio Adriano Soares Vita (coordenador financeiro): R$ 35 mil em prestação de serviços
  • Noraldino Junior (deputado estadual pelo PSB-MG): R$ 15 mil

O diretório nacional do Avante injetou R$ 2,3 milhões na candidatura, tornando-se a principal fonte de receita global do projeto de Cury.

Romeu Zema (Novo) recebe suporte do setor industrial e minerador

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo, captou recursos junto a nomes de relevância na indústria nacional e no segmento extrativista para as eleições 2026. O executivo Renato Ribeiro Machado, conselheiro da U&M Mineração e Construção, efetuou o maior aporte individual ao candidato, no valor de R$ 200 mil.

A estrutura de financiamento privado conta com os seguintes aportes:

  • Renato Ribeiro Machado (conselheiro da U&M Mineração): R$ 200 mil
  • Hélio Seibel e Salo Davi Seibel (sócios da HS Investimentos): R$ 100 mil no total (R$ 50 mil cada)

Os empresários da família Seibel doaram para outros 15 candidatos em disputas estaduais e federais, sendo Zema o único postulante ao Planalto contemplado. O partido Novo destinou R$ 4,1 milhões via diretório nacional e R$ 96 mil pelo diretório estadual de Minas Gerais para consolidar a campanha nas Eleições 2026.

Thiago Antunes

  • Publicado: 23/09/2026 08:16
  • Alterado: 23/09/2026 08:19
  • Autor: Thiago Antunes