Ed Motta retorna ao português após 13 anos com Toc-Toc

Ed Motta retorna ao português após 13 anos com Toc-Toc, álbum de 11 faixas que revisita o soul brasileiro e referências musicais dos anos 1980 e novidades

Ed Motta retorna ao português após 13 anos com Toc-Toc

Crédito: Divulgação

Treze anos depois de seu último álbum em português, Ed Motta retorna à língua materna com Toc-Toc, novo trabalho de estúdio que chega às plataformas digitais em 25 de setembro. Produzido pelo próprio artista ao lado de Michel Limma, o disco reúne 11 faixas inéditas e estava concluído desde o Carnaval.

O álbum sucede uma sequência de trabalhos gravados em inglês, formada por Perpetual Gateways (2016), Criterion of the Senses (2018) e Behind the Tea Chronicles (2023). Enquanto esses projetos aprofundaram a relação de Ed com o jazz, o soul e o AOR, Toc-Toc representa sua volta ao português e a uma sonoridade que o cantor associa às próprias origens musicais.

Para Ed Motta, o novo disco se aproxima do que ele chama de soul music brasileira, retomando uma linguagem presente em seus primeiros trabalhos sem reproduzir exatamente a sonoridade daquela época.

Toc-Toc recupera referências dos primeiros discos

A aproximação com os primeiros anos da discografia surgiu durante o próprio processo de produção. Ao reunir as composições com os respectivos arranjos, Ed percebeu que o repertório trazia uma atmosfera semelhante à de seus primeiros discos.

A proposta, porém, não foi reconstruir o passado. O trabalho incorpora referências do electro-funk, soul e das baladas românticas, mas também carrega a experiência acumulada pelo músico ao longo das últimas décadas, período em que ampliou seu vocabulário harmônico e desenvolveu projetos voltados a diferentes públicos e mercados.

“Esse tipo de música nunca saiu da minha vitrola, independentemente da fase em que eu estava. Quando reuni os temas para o novo disco, percebi que as músicas, sobretudo com seus devidos arranjos, remetiam muito aos meus primeiros discos. Gravar em português e com esse repertório me traz de volta para meu berço, o soul brasileiro”, afirma Ed Motta.

A instrumentação eletrônica funciona como um dos elementos responsáveis por conectar as diferentes faixas. Sintetizadores, synth bass, programação de bateria e teclados ajudam a construir o que o artista define como um “senso oitentista de eletrônico”, aproximando momentos mais funk de estruturas harmônicas elaboradas.

Entre as referências citadas está Ryuichi Sakamoto, admirado por Ed pela combinação entre elementos eletrônicos e construções musicais complexas. O álbum também busca evocar uma atmosfera associada ao verão noturno carioca dos anos 1980.

Singles anteciparam a sonoridade do álbum

Antes do lançamento de Toc-Toc, três faixas foram apresentadas ao público. A primeira delas foi “Eu Quero Ser Feliz”, lançada em julho e marcada por referências ao electro-funk e ao R&B do final dos anos 1970 e início dos anos 1980.

A música dialoga com artistas como Cameo, S.O.S. Band e Enchantment e também apresenta uma particularidade no processo de composição de Ed Motta. Diferentemente de grande parte de sua produção recente, criada principalmente ao piano, a faixa nasceu ao violão.

Em agosto, a faixa-título “Toc-Toc” mostrou uma abordagem mais diretamente ligada ao funk. O baixo pulsante, as guitarras e a seção rítmica colocam o groove no centro da composição, com James Brown como uma das referências assumidas pelo artista.

“A canção Toc-Toc eu sinto como prima-irmã de vários funks que compus nos anos 80 e início dos 90”, explica Ed.

Já “O Desejo Está Nu”, terceiro single apresentado antes do álbum, leva a proposta para uma atmosfera mais ligada ao Rio de Janeiro. Robson Jorge e Lincoln Olivetti aparecem como referências na composição, descrita por Ed como uma “ponte aérea Rio-Havaí”.

A faixa recupera imagens associadas à Barra da Tijuca dos anos 1980, à novela Sol de Verão, exibida pela TV Globo no início daquela década, e ao trabalho do artista japonês Hiroshi Nagai.

Baladas mudam o ritmo de Toc-Toc

Apesar das referências ao funk e à música eletrônica, Toc-Toc também reserva espaço para as baladas. Segundo Ed Motta, essas canções fazem parte de sua identidade artística desde o primeiro disco e introduzem momentos de maior contemplação e romantismo no repertório.

A alternância entre faixas mais acessíveis e outras mais introspectivas acompanha a proposta geral do álbum. Em vez de representar uma ruptura, essa variedade aparece como parte da própria concepção do trabalho.

A faixa “Casa de Frente pro Mar” ocupa um papel importante nessa mudança de atmosfera. A composição aproxima o disco da bossa nova e utiliza uma abordagem mais delicada, contrastando com a pulsação eletrônica presente em boa parte do repertório.

Outro destaque é “Glamour Hotel”, que traz uma parceria antiga com Leoni. Todas as demais músicas do álbum têm composições de Ed Motta, enquanto as letras são assinadas pelo artista em parceria com Edna Lopes, sua esposa.

O repertório também inclui “A Marina Acende”, “Beth”, “Um Dia de Sol”, “Voltei Pra Mim”, “O Grande Plano” e “Não Tem Contradição”.

Michel Limma participa da produção e dos arranjos

A parceria entre Ed Motta e Michel Limma também é central para a construção sonora do disco. Além de dividir a produção e os arranjos, Limma participa da programação de bateria, synth bass e teclados.

Ed Motta gravou hi-hat, guitarra elétrica e acústica, baixo elétrico, teclados, glockenspiel, percussão e vocais. Marcelo Martins participa no sax tenor da faixa “Beth”, enquanto Paulo Zuckini faz backing vocals em “Glamour Hotel”.

A gravação ficou a cargo de Michel Limma e Fernando Fischgold, que também dividiram a mixagem com Ed Motta. O trabalho foi realizado no Dwitza Studio, no Rio de Janeiro, enquanto a masterização foi feita por Carlos de Freitas, no Classic Master, nos Estados Unidos.

Retorno ao português aproxima Ed Motta do público brasileiro

A escolha de voltar ao português também interfere na relação de Toc-Toc com o público brasileiro. Ed explica que costuma trabalhar primeiro as músicas e somente depois desenvolver as letras, enquanto a decisão pelo idioma também responde a pedidos que vinha recebendo de seus ouvintes.

Depois de três álbuns voltados principalmente ao circuito internacional, o novo trabalho retoma a comunicação direta com o público brasileiro sem abandonar a linguagem musical construída pelo artista durante esse período.

“Gravar um disco em português para um selo alemão é uma forma de agradecer ao meu público brasileiro”, afirma Ed.

​​Toc-Toc será lançado pela Dwitza em parceria com o selo alemão MPS. Além das plataformas digitais, o álbum também terá versões físicas em CD e LP no mercado internacional.

O novo trabalho não busca simplesmente reproduzir a sonoridade dos primeiros anos da carreira de Ed Motta. O disco combina referências do soul brasileiro, funk, música eletrônica, bossa nova e baladas românticas com a experiência acumulada pelo artista ao longo de sua trajetória.

Carlos Enriki

  • Publicado: 24/09/2026 17:00
  • Alterado: 24/09/2026 17:00
  • Autor: Carlos Enriki