Diretor do Banco Genial é alvo da 3ª fase da Carbono Oculto
Ação do Ministério Público e da Receita Federal cumpre 27 mandados contra esquema que ocultou compra de distribuidora de combustíveis.
- Publicado: 24/09/2026 07:14
- Alterado: 24/09/2026 07:35
- Autor: Thiago Antunes
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e a Receita Federal realizaram nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A investigação aponta o envolvimento direto de diretores ligados ao Banco Genial em um suposto esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa no setor de combustíveis.
Os oficiais cumprem 27 mandados de busca e apreensão em sete estados brasileiros. O objetivo é aprofundar as apurações sobre manobras financeiras irregulares na aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., empresa conhecida no mercado como Terrana.
A 2ª Vara Criminal de Catanduva autorizou as buscas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo também integram a ofensiva e auxiliam no cruzamento de dados fiscais.
Como executivos do Banco Genial atuaram na fraude
A apuração do Ministério Público revela que o grupo criou uma estrutura societária complexa para assumir o controle da distribuidora e ocultar o verdadeiro dono do patrimônio. Entre os alvos das buscas estão o executivo Humberto Arthur Tupinambá Neto, membro do Banco Genial, e seus irmãos André Tupinambá e Bruno Tupinambá.
O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos, também figura na lista de endereços visitados pelos investigadores. Ele assinou recentemente um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito do escândalo envolvendo a administração do Banco Master.
Os investigadores apontam Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad como os supostos líderes da organização. A dupla teria orquestrado o uso de fundos de investimento e empresas de fachada para dissimular a origem do patrimônio, embora não possuam mandados expedidos nesta fase específica.
Rota dos milhões e ocultação de capitais
A compra da distribuidora ocorreu por meio de entidades constituídas meses antes da transação financeira. Relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e documentos fornecidos pela diretoria de compliance do Banco Genial ajudaram as autoridades a rastrear o caminho dos recursos.
A análise técnica identificou que mais de R$ 120 milhões circularam por diferentes empresas e contas de passagem antes de irrigarem a estrutura final. Esse montante milionário transitou rapidamente por companhias como Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi.
Mensagens extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores comprovam a utilização de laranjas para blindar os controladores dos ativos. O avanço da operação sobre as movimentações do Banco Genial deve expor os reais beneficiários dessa rede de lavagem de dinheiro nas próximas semanas.