Dia do Empreendedor destaca trajetória de mulher em Mauá

Empreendedora de Mauá completa 35 anos de trajetória, supera a pandemia e preserva a história de milhares de alunos formados

Dia do Empreendedor destaca trajetória de mulher em Mauá

Crédito: Divulgação

Celebrado em 5 de outubro, o Dia do Empreendedor destaca histórias de quem transformou trabalho e iniciativa em caminhos profissionais. Em Mauá, na Grande São Paulo, a trajetória de Adriana Baião reúne 35 anos de empreendedorismo, formação de profissionais e uma relação construída com clientes ao longo de décadas.

A carreira começou depois de um incentivo da mãe, que sugeriu que Adriana fizesse um curso de cabeleireiro. Ela concluiu a formação, trabalhou durante dois anos no setor e acabou retornando à escola onde havia estudado, desta vez como professora.

Foi justamente dentro da sala de aula que surgiu a ideia que mudaria seu caminho profissional.

“Os próprios alunos da escola vieram atrás de mim para que eu montasse uma escola”, conta Adriana.

A sugestão dos estudantes deu origem a uma nova etapa. A profissional passou a formar pessoas interessadas em ingressar no mercado da beleza e, durante décadas, acompanhou de perto diferentes gerações de alunos.

Adriana Baião e a escola que formou milhares em Mauá

O tamanho dessa história não está apenas nas lembranças. Ele pode ser encontrado em caixas, pastas e livros guardados no estabelecimento.

Fichas de alunos registram diferentes períodos da trajetória, com documentos que remontam a 1991, 1993 e 1996. São registros de pessoas que passaram pela escola em busca de uma profissão e de uma oportunidade para mudar a própria realidade.

Segundo Adriana, aproximadamente 2,8 mil a 2,9 mil alunos passaram pela escola ao longo dos anos.

O acervo também reúne fotografias de trabalhos realizados pelos estudantes. Cabelos, sobrancelhas, maquiagem, produções para noivas, eventos e desfiles aparecem entre os registros preservados.

“Temos aqui os próprios alunos fazendo cabelo, sobrancelha, alguns cursos de maquiagem. Participamos de grandes eventos, desfiles”, relembra.

Cada ficha representa uma história diferente. Para Adriana, olhar para esse material significa também revisitar uma parte importante da própria vida profissional.

Da sala de aula para o mercado da beleza

A formação oferecida acompanhou diferentes áreas do setor. Ao longo dos anos, Adriana ensinou técnicas de cabeleireiro, estética facial e corporal, depilação, manicure e maquiagem.

O trabalho fez com que a escola se tornasse parte da trajetória profissional de muitas pessoas que buscavam uma forma de entrar no mercado.

A empreendedora também precisou acompanhar as transformações do próprio setor. Técnicas mudaram, novos serviços surgiram e o perfil dos consumidores se transformou.

O conhecimento acumulado, nesse processo, passou a ter outro significado. Não era apenas uma ferramenta para manter o negócio funcionando, mas também algo que poderia ser transmitido para quem estava começando.

“Eu gosto”: o motivo para continuar

Depois de 35 anos trabalhando no setor, Adriana não aponta apenas questões financeiras como razão para permanecer na profissão.

Ela fala sobre identificação com o trabalho.

“Tem que gostar, tem que gostar muito. Eu gosto”, afirma.

A relação com os clientes também aparece como parte fundamental dessa permanência. Ao longo das décadas, o salão deixou de ser apenas um espaço de trabalho e passou a reunir relações construídas durante anos.

“Os meus clientes são nota mil. Eles são muito legais. E é o que eu sei fazer”, diz.

Para Adriana, continuar trabalhando com aquilo que conhece é uma escolha que também está ligada à satisfação pessoal.

“Eu preciso trabalhar. Então nada melhor do que trabalhar no que você gosta.”

O conselho de Adriana para novos empreendedores

A experiência acumulada ao longo de três décadas e meia também trouxe uma visão sobre as dificuldades enfrentadas por quem decide abrir um negócio.

Adriana não romantiza o caminho. Para ela, persistência é necessária principalmente quando os resultados não aparecem imediatamente.

“Que eles tenham muita paciência, resiliência e foco no objetivo. Porque, com foco, eles vão chegar lá”, aconselha.

O conselho resume uma trajetória que passou por mudanças de profissão, formação de alunos, construção de uma clientela, períodos de crescimento e uma pandemia que interrompeu temporariamente o trabalho.

A história de Adriana Baião também mostra uma dimensão menos visível do empreendedorismo. Antes dos números de um negócio, existem relações, conhecimento acumulado e pessoas que ajudaram a construir aquela trajetória.

Em Mauá, suas 35 anos de carreira deixaram registros que continuam guardados em fichas, fotografias e memórias. São milhares de alunos que passaram pela escola, clientes que permaneceram ao longo do tempo e uma profissão que atravessou diferentes fases da vida.

Neste Dia do Empreendedor, a trajetória de Adriana Baião ganha um significado especial: empreender também pode ser construir um legado que permanece mesmo quando o negócio muda de formato.

Carlos Enriki

  • Publicado: 05/10/2026 14:37
  • Alterado: 05/10/2026 18:07
  • Autor: Carlos Enriki