Dia do Cão Idoso chama atenção para mudanças nos cães
Dia do Cão Idoso destaca mudanças de comportamento nos pets e orienta famílias sobre sinais do envelhecimento, cuidados e adaptação da rotina dos animais
- Publicado: 24/09/2026 13:36
- Alterado: 24/09/2026 13:36
- Autor: Carlos Enriki
O envelhecimento dos cães provoca mudanças físicas e comportamentais que também transformam a relação dos animais com suas famílias. No Dia do Cão Idoso, celebrado em 1º de outubro, a psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, destaca a importância de reconhecer essas alterações e evitar que novos comportamentos sejam atribuídos automaticamente à idade.
Focinho grisalho, aumento do tempo de sono, dificuldade para subir em móveis e mudanças na forma como o animal reage à chegada dos familiares podem ser alguns dos sinais percebidos pelos tutores. Segundo a especialista, muitas vezes essa percepção acontece de forma repentina e provoca uma mudança na maneira como a família enxerga o animal.
“Esse reconhecimento raramente é gradual. Ele costuma vir de repente, a partir de um detalhe. Nesse instante, a família entende que o tempo passou, e isso mexe com ela”, explica Juliana.
Mudanças de comportamento precisam ser investigadas
Na fase sênior, alguns cães podem ficar mais quietos e seletivos no contato, enquanto outros passam a procurar mais a presença dos tutores. Também podem surgir irritabilidade, ansiedade, isolamento e maior dependência.
Antes de considerar essas mudanças como consequência natural da idade, a orientação é investigar possíveis causas com um veterinário. Alterações na audição, dor ou desorientação podem influenciar o comportamento e fazer com que determinadas atitudes sejam interpretadas de maneira equivocada.

“Chamamos de teimoso o cão que talvez não esteja ouvindo, de manhoso o que pode estar sentindo dor e de birrento o que está desorientado. Toda mudança nova de comportamento deve ser levada ao veterinário antes de virar traço de personalidade”, afirma a psicóloga.
Relação com a família também muda
O envelhecimento não significa necessariamente enfraquecimento do vínculo entre o cachorro e seus tutores. A relação pode apenas assumir novas formas à medida que o animal passa a ter outras necessidades e limitações.
Um cão que durante anos acompanhou a família em passeios e brincadeiras pode deixar de realizar algumas atividades com a mesma intensidade. Nesse momento, a adaptação da rotina passa a ser parte importante dos cuidados.
“A família precisa deixar de esperar que o cão se adapte a ela e passar a se adaptar a ele. O cão não está ficando difícil, ele está vivendo com um corpo e uma percepção diferentes”, destaca Juliana.
Rotina previsível pode trazer mais segurança
Mudanças simples no ambiente também podem facilitar a adaptação do cão idoso. Manter horários mais previsíveis, evitar alterações frequentes na disposição dos móveis e oferecer um espaço tranquilo para descanso são algumas medidas sugeridas pela especialista.

Passeios e brincadeiras podem continuar fazendo parte da rotina, desde que respeitem os limites do animal e as orientações do veterinário. Nessa fase, a atividade pode assumir um caráter diferente, com mais tempo dedicado à exploração e aos estímulos sensoriais.
“O passeio deixa de ser exercício e passa a ser presença, exploração, tempo de farejar sem pressa”, afirma a psicóloga.
Tutores também devem observar mudanças
O acompanhamento veterinário continua sendo fundamental durante o envelhecimento, mas a observação da família pode contribuir para identificar alterações que mereçam atenção.
Mudanças no sono, apetite, humor e hábitos devem ser observadas e relatadas durante as consultas. Manter um registro dessas alterações pode ajudar o profissional a compreender melhor o comportamento do animal e avaliar a necessidade de investigação.
A atenção cotidiana também permite perceber mudanças que surgem de maneira gradual e que podem passar despercebidas quando analisadas isoladamente.
Envelhecimento também afeta emocionalmente os tutores
O processo de envelhecimento do cão pode provocar mudanças emocionais nos próprios familiares. Juliana chama atenção para o chamado luto antecipatório, que ocorre quando a pessoa começa a lidar com a sensação de perda enquanto o animal ainda está presente.

Preocupação, tristeza, cansaço e até culpa por sentir irritação durante o período de cuidados podem aparecer. Para a especialista, reconhecer esses sentimentos também faz parte do processo de adaptação.
“Quem cuida também precisa de espaço para falar do que sente, inclusive do cansaço e da tristeza”, afirma Juliana.
Preservar autonomia ajuda a manter o vínculo
Mesmo com novas limitações, o cão idoso pode continuar participando da rotina familiar. A orientação é preservar, sempre que possível, sua autonomia, permitindo que ele faça escolhas, mantenha seus rituais e continue inserido nas atividades da casa dentro de suas condições.
Quando surgem decisões relacionadas ao fim de vida, conversar previamente com o veterinário também pode ajudar os tutores a entender as possibilidades e evitar que escolhas sejam feitas apenas em momentos de crise.
“Essa conversa não antecipa a morte. Ela protege o tempo que ainda resta”, conclui a psicóloga.
Sobre Juliana Sato
Juliana Sato é psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com certificação internacional em luto pet pela Association for Pet Loss and Bereavement. Ela também é organizadora dos livros Luto no Contexto da Medicina Veterinária e Grief in the Veterinary Medicine.
A profissional atua na área de saúde mental no universo pet, com foco no vínculo entre humanos e animais, além de desenvolver consultorias, mentorias e iniciativas relacionadas ao bem-estar emocional