Defesa Civil usa IA e satélites para prever desastres em SP
Defesa Civil: Centro de Gerenciamento de Emergências monitora clima 24 horas por dia e já emitiu 53 alertas de tempestades
- Publicado: 07/09/2026 15:28
- Alterado: 07/09/2026 15:28
- Autor: Daniela Ferreira
O monitoramento de riscos climáticos extremos no Estado de São Paulo ganhou contornos de alta tecnologia. Operando 24 horas por dia, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Defesa Civil paulista integrou inteligência artificial (IA), radares de alta precisão e dados de satélites para antecipar desastres naturais nos 645 municípios do Estado.
A eficiência da estrutura foi testada neste fim de semana prolongado: desde o último sábado (5), o CGE já emitiu 53 alertas via SMS para avisar a população sobre a chegada de fortes chuvas e vendavais que atingiram o território paulista.
O núcleo de inteligência funciona através de um painel atualizado em tempo real. Os agentes acompanham variações de temperatura, umidade, velocidade dos ventos, volume pluviométrico e descargas atmosféricas. Para o monitoramento de raios e formação de tempestades de alto impacto, o Estado utiliza a plataforma Earth Networks.

Todos esses dados alimentam modelos matemáticos gerenciados por inteligência artificial, capazes de traçar a probabilidade de ocorrências severas, como enchentes, secas prolongadas, ondas de calor e incêndios florestais.
“O trabalho do CGE é prever o evento climático e, com isso, também antecipar a reação, minimizando os danos patrimoniais e evitando que a população se coloque em situação de risco”, explica o coronel Reinaldo de Araújo Monteiro, chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil.
600 Estações e Gabinete de Crise
A captação primária das informações meteorológicas é feita por uma rede robusta. Segundo o tenente Matheus Roncatto, chefe de operações do CGE, o sistema é abastecido por cerca de 600 estações meteorológicas espalhadas pelo estado, pertencentes a parceiros e às secretarias estaduais de Agricultura e Meio Ambiente.

“Isso nos permite agir com diligência e preparar nossa reação, muitas vezes com antecedência suficiente para convocar as defesas civis municipais para reuniões preparatórias para enfrentar as crises”, detalha Roncatto.
A rotina do CGE inclui a emissão de três boletins meteorológicos diários. Quando os algoritmos e meteorologistas identificam um risco elevado, boletins especiais são disparados. Dependendo da gravidade classificada nas cores amarelo, laranja ou vermelho, o Governo de São Paulo aciona imediatamente o Gabinete de Crise, mobilizando múltiplas secretarias e forças de segurança.
Alertas no Celular, Sirenes e Muralha de Fogo
Para que a previsão meteorológica se transforme em proteção real, a Defesa Civil paulista atua em três frentes principais de comunicação com a população e contenção de danos:
- Cell Broadcast (Alertas no Celular): Permite o envio de mensagens de alerta diretamente para os aparelhos celulares conectados às redes 4G ou 5G que estejam localizados especificamente nas áreas sob risco, sem a necessidade de cadastro prévio do usuário.
- SISAR (Sirenes): O Sistema de Sirenes de Alerta Remoto foi expandido para avisar moradores sobre o risco iminente de deslizamentos de terra. O toque da sirene orienta a evacuação imediata para áreas seguras. Atualmente, 12 equipamentos estão em operação no estado, instalados em cidades como Mauá, Franco da Rocha, Francisco Morato, Ferraz de Vasconcelos, Santos, Guarujá, São Sebastião, entre outras.
- Muralha de Fogo: Focado no período de estiagem, o CGE utiliza as câmeras de vigilância do sistema Muralha Paulista e as lentes de monitoramento rodoviário (administradas por concessionárias e pelo DER) para detectar focos de incêndio florestal em tempo real, agilizando o envio do Corpo de Bombeiros.