Conta de energia sobe 14,1% em agosto em SP, aponta estudo
Conta de energia: despesas em SP sobem quatro vezes mais rápido que o consumo físico no trimestre, aponta Lemon
- Publicado: 15/09/2026 16:41
- Alterado: 15/09/2026 16:41
- Autor: Daniela Ferreira
O conta de energia elétrica voltou a pressionar o orçamento das empresas e condomínios no Estado de São Paulo durante o mês de agosto. De acordo com um levantamento realizado pela climatech Lemon Energia a partir de sua base com 1.260 estabelecimentos monitorados, o valor total despendido com eletricidade saltou 14,1% na comparação com o mesmo mês de 2025. O montante pago pelos consumidores passou de R$ 1,056 milhão para R$ 1,205 milhão, um acréscimo de R$ 149,2 mil em apenas um mês.
O estudo indica que o encarecimento das faturas ocorreu em ritmo desproporcional ao volume de eletricidade utilizado. Enquanto o desembolso financeiro avançou 14,1%, o consumo físico de energia aumentou 6,7% em agosto (passando de 1,418 milhão de kWh para 1,512 milhão de kWh). A disparidade evidencia que a alta da conta não decorre exclusivamente da elevação no uso de equipamentos elétricos, mas reflete uma maior pressão sobre os componentes tarifários do setor.
A discrepância torna-se ainda mais nítida no recorte trimestral. No acumulado entre junho e agosto de 2026, os estabelecimentos analisados pagaram R$ 3,56 milhões pelo fornecimento de energia, frente a R$ 3,19 milhões desembolsados em igual intervalo de 2025 uma alta acumulada de R$ 370,9 mil (+11,6%). Em contrapartida, o consumo total de energia no mesmo período subiu apenas 2,9% (de 4,34 milhões para 4,47 milhões de kWh). Na prática, o gasto avançou quase quatro vezes mais rápido do que o consumo físico.
Pressão Prolongada da Bandeira Amarela

O levantamento ressalta que a escalada de preços ocorre em um contexto de vigência contínua da bandeira tarifária amarela, em operação ininterrupta desde maio de 2026. A regulação atual impõe uma cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Embora o adicional por bandeira funcione como um termômetro das condições hídricas e térmicas de geração no país, a sua permanência por quatro meses consecutivos mantém um peso fixo sobre os custos operacionais.
A análise técnica da Lemon aponta, contudo, que a formação da conta de energia envolve variáveis complexas: no mesmo período de 2025, o sistema operava sob bandeira vermelha patamar 1 (em junho e julho) e patamar 2 (em agosto), que aplicavam taxas nominais superiores à atual bandeira amarela. Mesmo com encargos de bandeira menores em 2026, o preço final da energia continuou subindo, sinalizando o repasse de custos de transmissão, encargos setoriais e reajustes ordinários das distribuidoras.
Evolução Trimestral das Despesas
A série histórica da Lemon revela que a diferença de custos entre 2025 e 2026 acelerou de forma progressiva a cada mês analisado:
- Junho: Gasto de R$ 1,181 milhão em 2026 contra R$ 1,087 milhão em 2025 (+8,7% ou +R$ 94,1 mil);
- Julho: Gasto de R$ 1,175 milhão em 2026 contra R$ 1,048 milhão em 2025 (+12,2% ou +R$ 127,6 mil);
- Agosto: Gasto de R$ 1,205 milhão em 2026 contra R$ 1,056 milhão em 2025 (+14,1% ou +R$ 149,2 mil).
Disparidades por Concessionária e Município

O levantamento identificou comportamentos operacionais heterogêneos entre as áreas de concessão que atendem o território paulista durante o mês de agosto:
- Elektro: Registrou a maior expansão de custos, com alta de 20,0% na despesa financeira, acompanhada de crescimento de 11,5% no consumo físico de kWh;
- CPFL Paulista: Apresentou acréscimo de 13,5% no valor total pago, com elevação de 6,7% no consumo;
- CPFL Piratininga: Apresentou trajetória inversa, com recuo de 1,1% no gasto e retração de 9,4% no consumo físico.
No recorte municipal, Atibaia despontou com a maior alta nominal absoluta da amostra em agosto, com acréscimo de R$ 11,4 mil nas faturas (+20,2%). Campinas contabilizou elevação de R$ 10,1 mil (+8,8%), enquanto Paulínia registrou um salto proporcional atípico de 68,0%, representando R$ 5,5 mil a mais no orçamento do grupo avaliado.
Gestão Ativa e Eficiência Energética
Para o CEO da Lemon Energia, Rafael Vignoli, o descompasso entre despesa e consumo reforça a necessidade de auditoria e monitoramento minucioso dos insumos energéticos por parte dos gestores.
“Os números mostram que o aumento da conta de energia não está relacionado apenas a um maior consumo. Ao comparar os dois períodos, vemos uma elevação das despesas em ritmo significativamente superior ao crescimento do consumo de kWh. Além disso, estamos há meses sob bandeira amarela, o que mantém uma cobrança adicional na conta e reforça a necessidade de o consumidor acompanhar não apenas quanto consome, mas também todos os fatores que impactam o valor final pago”, sustentou o executivo.
Fundada em 2019, a Lemon Energia atua no fornecimento de energia limpa por assinatura sem necessidade de obras ou instalações físicas de painéis, atendendo a mais de 15 mil empresas e condomínios com energia gerada por mais de 120 usinas renováveis contratadas.