ChatGPT alerta sobre plano de pai para matar o filho e homem é preso

Polícia prende homem no Espírito Santo após inteligência artificial identificar plano detalhado para matar o próprio filho de oito anos.

Crédito: Unsplash

O ChatGPT detectou um plano de assassinato e acionou o FBI, resultando na prisão de um homem no Espírito Santo na última quarta-feira (19). O suspeito detalhou na plataforma como pretendia matar o próprio filho de 8 anos, utilizando arma, corda e veneno. A OpenAI repassou o alerta de segurança máxima aos investigadores estadunidenses.

O crime estava marcado para acontecer no dia seguinte à prisão preventiva. As mensagens capturadas revelaram que o indivíduo tentou contratar um pistoleiro por R$ 50 mil, oferta recusada pelo criminoso ao descobrir que o alvo era uma criança.

Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto de ver outra pessoa sofrer”, confessou o suspeito nos registros de texto entregues aos investigadores.

Como o ChatGPT monitora riscos e aciona autoridades

A desenvolvedora do sistema utiliza inteligência artificial automatizada e moderadores humanos para varrer ameaças reais em sua base. Quando o ChatGPT sinaliza contextos de exploração infantil ou violência iminente, o protocolo de segurança aciona a revisão manual e o bloqueio imediato da conta envolvida.

O histórico continha vítima identificada, método e data próxima. “No caso do pai do Espírito Santo, a fronteira foi cruzada porque o alerta disparado foi de máxima severidade“, afirmou Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Desafios legais e comunicação internacional

Denúncias originadas em assistentes virtuais como o ChatGPT ainda são raras no Brasil. O delegado Breno Andrade confirmou à TV Gazeta que este representa apenas o terceiro caso semelhante registrado em território nacional. As empresas de tecnologia têm intensificado filtros preventivos desde 2025, após enfrentarem processos judiciais por omissão em situações de risco à vida.

A comunicação direta com o órgão de inteligência americano gerou debates sobre soberania e jurisdição penal. “O crime seria no Brasil, a vítima estava no Brasil. Quem presta serviço aqui não pode tratar o país como mercado consumidor e os Estados Unidos como foro natural”, criticou o professor da Unifesp.

Investigação e desfecho na polícia civil

A agência federal norte-americana transferiu o dossiê emergencial para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que mobilizou o aparato de segurança estadual. A Polícia Civil do Espírito Santo, através da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos, executou os mandados judiciais de forma cautelar.

O suspeito negou as acusações durante o interrogatório oficial. “Tivemos elementos o suficiente para poder prevenir esse crime grave que estava prestes a acontecer”, afirmou o delegado Ícaro Olímpio. Os relatórios entregues pela empresa de tecnologia garantiram a materialidade processual, comprovando que não existe sigilo absoluto ao conversar com o ChatGPT.

  • Publicado: 27/06/2026 12:11
  • Alterado: 27/06/2026 12:11
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: OpenAI