Casares processa o São Paulo após expulsão
Ex-presidente tenta acabar com a necessidade de indenizar o clube em valores de no mínimo R$ 7,5 milhões e reverter expulsão
- Publicado: 29/09/2026 19:14
- Alterado: 29/09/2026 19:14
- Autor: Redação
Após ter sua expulsão confirmada pelo Conselho Deliberativo do São Paulo, Julio Casares decidiu ir à Justiça contra o clube. O ex-presidente entrou com um processo no qual contesta a decisão e pede a anulação de qualquer responsabilidade sobre os valores apontados.
A expulsão no São Paulo
O Conselho Deliberativo do São Paulo confirmou, na quinta-feira (10), a expulsão de Julio Casares do quadro associativo. A votação terminou em 224 a 2, com 5 abstenções — margem muito acima dos dois terços exigidos pelo estatuto.
Além da exclusão, o ex-presidente terá que indenizar o clube em valores de no mínimo R$ 7,5 milhões:
- R$ 7 milhões em saques não explicados no balanço financeiro
- R$ 500 mil em gastos com cartão corporativo
As quantias serão corrigidas pela inflação no período.

A defesa de Casares
No processo, o ex-presidente afirma que nunca foi questionado pelo compliance do clube pelos saques realizados. Ele também pede que seja declarada a não existência de gestão temerária e que todas as possibilidades de responsabilidade sejam anuladas.
Casares alega ter sido alvo de uma “trama política” dentro do clube, sustentando que a expulsão teve motivação política e não técnica.
O trâmite
O departamento financeiro do São Paulo vai elaborar um relatório detalhado e encaminhá-lo ao Conselho Fiscal. O órgão ratificará o documento, que seguirá para a fase de liquidação — ou seja, a cobrança efetiva.
Caso Casares não quite a dívida, poderá enfrentar ações na Justiça. Entre as consequências possíveis estão o bloqueio de bens e outras medidas judiciais para garantir o ressarcimento ao clube.
O histórico da crise
A queda de Casares começou em dezembro, quando áudios divulgados pela imprensa revelaram diretores admitindo participação em suposto esquema de venda de ingressos para um show da Shakira no Morumbi.
O Ministério Público abriu dois inquéritos — um cível e outro criminal — que investigam saques em espécie, depósitos, venda de ingressos e negociações da base. Em seguida, ele sofreu impeachment do cargo de presidente e passou a responder a procedimento administrativo.
Casares renunciou ao cargo de conselheiro e pediu desligamento do quadro associativo no mês passado, alegando preservar a “dignidade” da família. O pedido foi negado pela comissão de ética, que recomendou a expulsão. Depois disso, a decisão foi confirmada pelo Conselho.