Cantareira tem 2º setembro mais chuvoso da história
Chuvas nas primeiras semanas de setembro elevam expressivamente a capacidade dos principais mananciais paulistas após período de seca.
- Publicado: 17/09/2026 12:55
- Alterado: 17/09/2026 12:55
- Autor: Thiago Antunes
As fortes precipitações registradas na primeira quinzena do mês provocaram uma rápida elevação no nível dos reservatórios da Região Metropolitana de São Paulo. O sistema Cantareira recebeu acumulado de 253,1 milímetros de chuva, volume que representa 321% da média climatológica esperada para o período.
O índice consolida o mês atual como o segundo mais chuvoso da série histórica para este manancial. A marca fica atrás apenas dos temporais documentados em 1983. O aumento pluviométrico refletiu diretamente nas vazões naturais dos rios que abastecem a região metropolitana.
Melhora do Cantareira e recuperação do sistema
A vazão média do Cantareira alcançou 62,8 m³/s até o dia 14 de setembro, número que supera em mais de duas vezes a média histórica. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM) também apresentou salto estatístico, operando com vazão média de 238,8 m³/s, correspondente a 336,5% da média de longo termo. O sistema Alto Tietê seguiu a tendência de alta e trabalhou com 46,1 m³/s, ou 520,4% da média histórica.
Os ganhos no volume armazenado ficam evidentes ao comparar o cenário atual com a mesma data do ano anterior. O balanço recente da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) detalha as seguintes elevações:
- Ganho de 8 pontos percentuais no volume útil do Cantareira, que agora opera com 39,04%.
- Aumento de 24,4 pontos no Alto Tietê, sistema que alcançou 51% da capacidade de armazenamento.
- Elevação de 19,7 pontos no Sistema Integrado Metropolitano, atingindo a marca de 53,2%.
“As chuvas de setembro trouxeram uma resposta importante para os sistemas produtores, com aumento das vazões naturais e dos volumes armazenados”, afirmou Natália Resende, secretária da Semil. A gestora pontuou que a segurança hídrica depende de monitoramento constante, pois a distribuição de água exige regularidade nas bacias ao longo do tempo.
Mananciais paralelos registram marcas positivas
Os demais reservatórios que compõem o abastecimento estadual mantiveram o mesmo comportamento do Cantareira durante as semanas iniciais de setembro. O complexo Guarapiranga recebeu 286,8 milímetros de chuva e atingiu 91,9% de seu volume útil. O sistema São Lourenço superou as estimativas ao cravar 96,54% da capacidade total.
As bacias de Cotia, Rio Grande e Rio Claro garantiram estabilidade hídrica, operando com 76,13%, 91,04% e 52,82% da capacidade, respectivamente. Todas essas represas ultrapassaram suas médias pluviométricas históricas mensais.
Monitoramento contínuo e uso responsável
A perspectiva meteorológica indica ocorrência de precipitações acima da média em grande parte do território paulista até o mês de novembro. A SP Águas, autarquia ligada ao governo estadual, conduz o acompanhamento diário das condições climáticas e dos volumes repesados para antecipar eventuais manobras estruturais.
As autoridades hídricas reforçam que o alívio temporário não interrompe a necessidade de planejamento estrutural. A população precisa manter o consumo consciente nas atividades rotineiras, garantindo que o Cantareira suporte as variações climáticas futuras sem expor a região metropolitana ao risco de desabastecimento.