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Brasil teve queda de dez posições em ranking sobre anticorrupção

O levantamento do índice de Percepção da Corrupção (IPC) indica que o Brasil despencou dez posições no ranking anticorrupção

  • Data: 31/01/2024 07:01
  • Alterado: 31/01/2024 07:01
  • Autor: João Pedro Mello
  • Fonte: ABCdoABC
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Crédito:Reprodução

Nesta terça-feira, o Brasil perdeu dez posições no índice de Percepção da Corrupção (IPC), sobre o ano de 2023. O principal balizador de corrupção mundial, indica que o nosso país acabou amargando a 104ª posição. O ranking mede a forma como especialistas e empresários enxergam a integridade do setor público, o levantamento leva em consideração os últimos 12 anos, quando o método de cálculo atual passou a ser adotado.

De acordo com os dados do estudo, a gestão de Jair Bolsonaro (PL), trouxe uma série de retrocessos e desmontes sob o ponto de vista institucional, que de acordo com o levantamento do IPC, ainda têm importantes reflexos no país.

“Os anos de Jair Bolsonaro na Presidência da República deixaram a lição de como, em poucos anos, podem ser destruídos os marcos legais e institucionais anticorrupção que o país levou décadas para construir, e o primeiro ano de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência deixa a lição de como é (e ainda será) desafiadora a reconstrução”.

O levantamento ainda critica a flexibilização da chamada Lei das Estatais proposta pela gestão do atual presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), considerado prejudicial para a integridade do país.

“Já há sinais de piora nos termos atuais de barganha entre governo federal e Congresso, com a reintrodução de outra grande moeda de troca política: o loteamento das estatais”, revela o estudo.

Os índices destacam ainda, ponto a ponto, alguns dos principais pilares que levaram a esta queda no ranking anticorrupção, destacando a falta de independência entre poderes, além também da questão das emendas parlamentares do Centrão, como fatores preponderantes a queda do Brasil no ranking de percepção da corrupção.

E bendito é o furto do nosso ventre, Brasil

E claro, que se poderia falar dos escândalos do mensalão e mais de uma década de problemas, não somente acertos. Mas, nem só de PT viverá o homem. Então, ao que concerne o levantamento do IPC, pode-se dizer que esse estudo disserta também sobre as falhas do governo Lula sim, e quando o faz, cita o apoio do presidente a flexibilização da Lei das Estatais. Esse movimento serviu para enfraquecer nossas instituições, fato que até hoje deveria causar constrangimento ao próprio Partido dos Trabalhadores (PT,) que já foi oposição as agências reguladoras, simplesmente para ser contraponto do então ex-presidente Fernando Henrique. Pois, veja como o mundo dá voltas, quem estava ao lado de uma agência reguladora a Anvisa, durante a pandemia de covid-19? Sim, era o PT (e o “Brasil sensato”). Este, foi justamente o cenário perfeito para escancarar uma gestão desastrosa do governo Bolsonaro, e demonstrar a importância da força e independência de uma agência reguladora. Ou seja, oposição a Lei das Estatais foi um tiro no pé, que só fortalece a galera do meio, (o Centrão).

Tenho um filho de dois anos, que está aprendendo a falar, e obviamente ele ainda não pode compreender todos os benefícios dos nutrientes de um alimento, valores nutricionais, e quais maneiras isso pode ser aproveitado enquanto seus dentinhos vão crescendo e ele aprende enquanto come. Mas isso leva tempo para esse amadurecimento. Assim, pouco a pouco, ao morder o alimento, por mais saboroso que seja, a criança compreende que o alimento não deve consumido todo de uma só vez. Dessa maneira, os termos mais próximos deste contexto, enquanto entende, meu guri, tenta dizer a palavra que resume tudo que estamos tentando demonstrar a ele: o suco.

Sem entender muito bem o que tentávamos explicar, João Paulo sorvia todo o líquido, a longos e generosos goles em sua garrafinha (temática do Homem-Aranha), que transbordava de suco de laranja. Claro, não deu outra, o pequeno não passou nada bem, e posteriormente, vomitou parecendo um protagonista de clássico de terror dos anos 70. Para quem não entendeu nada, a historinha acima é mais ou menos a maneira como alguns de nossos gestores costuma tratar o nosso país e sociedade.

É comum achar que nossa nação tem uma economia muita rica e um potencial de crescimento enorme e que podemos encher de maneira indiscriminada e desmedida, ou que o Brasil é o país do futuro. Entretanto, também não raro de se ouvir por aí, que nossos recursos são inesgotáveis, assim como às vezes, se ouve falar de maneira possessiva sobre alguns absurdos acerca da Amazônia.

Infelizmente, a corrupção é um problema endêmico em nossa sociedade, ou seja, parece incrustada em nossas raízes, passando de geração em geração, vindo de um Brasil Colônia até os dias atuais, não importando a gestão ou partido. Na verdade, seria quase como dizer que o Brasil é uma espécie de laranja linda e fresca, e os políticos, vampiros-sanguessugas, que parecem arrancar o fruto direto do pé, e mais, o triste é ver como o povo é espremido feito líquido de todo daquele fruto até a última gota de bondade finita, até restar somente o bagaço.

Não tem nada mais trágico que o sujeito ser eleito com o mesmo discurso que futuramente o derruba(rá). Pois bem, foi justamente assim que pode se resumir boa parte da gestão de Jair Messias Bolsonaro. Um sujeito de intelecto limitado, que nunca se acostumou a ser cobrado por um grande cargo, e acabou ganhando notabilidade por abraçar pautas no mínimo polêmicas, ao trazer assuntos controversos como aborto e castração química. Assim, desse jeito, desfilava um rol de disparates em programas de televisão populares que se gladiavam por audiência na televisão aberta, até chegar ao poder com um discurso anticorrupção.

Dificilmente irei me esquecer de ter visto em um verão, uma senhora vestindo uma camiseta como uma frase muito impactante. Ao menos naquela época, me parecia fazer algum sentido, visto que, o que se via era de um candidato que falava pelos cotovelos, além de possuir um tom indigesto e grosseiro a tudo que se assemelhasse a “esquerda” e seus pilares mais ferrenhos e sensíveis, tudo após passar anos apanhando da oposição frente a sequência de escândalos de corrupção.

Nesta época ele ainda não destratava a impressa, pois Bolsonaro dela dependia para se autopromover, para que a sua “palavra” pudesse ser espalhada. Neste período, havia um cenário muito diferente do que se poderia imaginar, porém, não havia, ou ao menos, não PARECIA haver, resquícios de corrupção em nada que representasse perigo as falas sóbrias ditas por aquele homem, que transpirava retidão e honestidade, até aquele momento.

Ledo engano.

O texto cunhado de um de seus momentos pitorescos de entrevistas e declarações bizarras, é de onde surge a expressão que deu nome à famosa camiseta com a seguinte frase: “ME CHAMA DE CORRUPTO, P*RRA.”

Na realidade, a frase servia de bálsamo para acomodar, (e bem mais do que isso), amenizar as polêmicas declarações e atitudes do então deputado Jair Bolsonaro, que de maneira recorrente, dizia e repetia o slogan, em entrevistas ou programas de qualidade duvidosa. Em outras palavras, a tal camiseta, brincava com o conceito absurdo de que, era como dizer: o “mito” até poderia ter todos os defeitos do mundo, mas uma coisa definitivamente ele não era, corrupto.

O tempo passou e a perda do foro privilegiado, deu cabo de mostrar a verdade, visto o aumento das investigações e tudo que já apareceu até aqui e seu nome e toda a família Bolsonaro, ou seja, parece mesmo ser questão de tempo para que surja algo mais grave. Hoje, só o ato de rever os vídeos antigos, onde Jair Bolsonaro pede que o chamem de corrupto — como em provocação ao seu oponente Lula que havia sido envolvido tanto no Mensalão, quanto pela Operação Lava-Jato —, já chega a ser constrangedor.

Em meio sujeira toda se é que posso dizer, existe apenas uma coisa em comum, de meu filho de dois anos, com nossos governantes, a sede. O ponto aqui é que, meu piá tem sede de suco (de laranja), o tempo todo e não sabe a hora de parar, ao passo que essas figuras desagradáveis, possuem sede de poder.

No filme O Poderoso Chefão (1972), para os cinéfilos e fãs mais apaixonados, sabe-se da teoria das laranjas, depois confirmada pelo diretor Francis Ford Coppola. Na trama, uma tradicional família italiana envolvida com a máfia que vive nos EUA, deve estabelecer sua hegemonia frente aos seus rivais. A curiosidade, fica por conta da fruta que a cada momento em que uma morte-chave na história está próxima, uma laranja aparece.

Então por fim, sem grandes esperanças na chegada de um grande herói anticorrupção, espero que em nossa república das bananas, continue florescendo no tempo que tiver que ser, ou seja, verde para amadurecer, e quando precisar ser banana que nosso elo permaneça amarelo, e que nossa torcida, seja de não encontrar nada que leve pelo caminho nosso bendito fruto, da maneira mais vil que se pode ser tomada, deitado (e)ternamente em berço esplêndido sendo bendito furto do nosso ventre, Brasil.

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  • Data: 31/01/2024 07:01
  • Alterado: 31/01/2024 07:01
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